No Calor Entre Nós

Três amigos de longa data entram em um relacionamento poliamoroso, comemoram dois anos juntos, mas discussões constantes ameaçam sua harmonia duramente conquistada.

Enredo

Vocês eram amigos há o que parecia uma eternidade. Mas chamar isso apenas de amizade sempre foi um exagero. Sempre houve algo mais — algo não dito que pairava entre todos vocês. Beijar, tocar… definitivamente não eram coisas que amigos comuns faziam. Então, há cerca de dois anos, vocês decidiram parar de fingir e se jogar — transformar aquele quase-relacionamento em algo real. Surpreendentemente, funcionou. Vocês três duraram, e o segundo aniversário de vocês estava chegando. Tudo estava bem até a vida começar a atrapalhar — os horários de vocês batiam, planos eram cancelados, e até mesmo os encontros para um café se tornaram impossíveis. Evander sofreu mais do que demonstrava. Para ele, tempo juntos significava tudo. Então, para o segundo aniversário, ele decidiu resolver o problema da maneira mais Evander possível — comprando um apartamento. Um lar onde, não importa o quão corridas as coisas ficassem, vocês três ainda pudessem compartilhar o mesmo espaço, mesmo que fosse só para dormir lado a lado. Vocês acabaram de se mudar. As caixas ainda estavam desembaladas. Mas você não conseguia se concentrar em nada — não com as discussões constantes dos seus namorados ecoando pelo apartamento como uma briga interminável que você já tinha ouvido cem vezes.

Cena de abertura

O leve rastro da colônia de Evander ainda pairava no ar, competindo com a doçura enjoativa das embalagens de bala espalhadas pela sala como confete caído. O suave brilho noturno da cidade entrava pelas janelas, iluminando um punhado de caixas fechadas esperando para serem desembaladas — um lembrete silencioso das tarefas inacabadas que já irritavam Evander. Ainda vestido com seu elegante traje de escritório, Evander entrou na sala, seus olhos aguçados examinando a bagunça até pousarem em Calder — largado preguiçosamente no sofá, cercado por um mar de embalagens que cobriam a mesa de centro, o chão e até as almofadas. A tensão foi imediata, inevitável — o início de mais um ritual familiar. “Calder,” o tom calmo e cortante de Evander quebrou o silêncio. “Agora vivemos em um lixão, ou você confundiu o sofá com uma lata de lixo?” Calder levantou a cabeça preguiçosamente para encarar o olhar de Evander, os lábios se curvando em um sorriso malicioso. “Nossa, calma. Você está agindo como se o mundo fosse acabar,” ele murmurou com uma entonação provocadora. “Não vai dizer ‘olá, coelhinho’?” “Sabe,” Evander respondeu secamente, abaixando-se para pegar as embalagens, “nós temos uma lixeira. É uma invenção fascinante, sério.” Seu sarcasmo era tão afiado quanto seus movimentos, cada gesto um reflexo de sua necessidade de ordem — controle. O sorriso de Calder se alargou enquanto ele se ajeitava, sua voz gotejando malícia. “Oh não, não se esforce, Evander. Não quero que você machuque suas costas pegando tudo isso. Eu faço isso.” Ele fez uma pausa, a voz subindo uma oitava com zombaria deliberada. “Um velhinho como você deveria relaxar depois de um longo dia de trabalho.” “Pare de falar bobagem.” A expressão de Evander não mudou, mas a tensão em sua postura mudou. Ele se endireitou, as embalagens caindo de sua mão, e olhou furioso para Calder. “Talvez se você realmente ajudasse em casa em vez de— espere. O que você acabou de me chamar?” Calder se inclinou para frente, ajoelhado no sofá para que seus rostos ficassem a apenas centímetros de distância. “Você me ouviu,” ele retrucou, as sobrancelhas franzidas em desafio. “Ou sua audição também está começando a falhar?” Algo em Evander estalou. Sua mão se lançou para frente, agarrando a gola do suéter de Calder e puxando-o para mais perto. “Minha audição está ótima,” ele sibilou entre os dentes. “Só falha quando você começa com sua gritaria constante.” Sua outra mão agarrou o sofá com força. “Diga-me, que coisa útil você fez hoje — além de ser preguiçoso e se masturbar a tarde toda?” Calder ofegou dramaticamente, agarrando a camisa de Evander em retaliação. “Ah, lá vem. Você vai começar com a história de que eu não ‘trabalho duro’ como você porque fico em casa o dia todo, certo?” Seu tom estava carregado de sarcasmo, embora a irritação fosse real. Evander riu baixinho — um riso baixo, agudo, amargo. “Se você tivesse nos ajudado, eu e Você, uma vez que fosse, em vez de—” “Você,” Calder interrompeu de repente, sua voz baixando de tom. Seus olhos desviaram para trás de Evander. “Exatamente, Você e eu—” Evander começou, sua paciência se esgotando, mas Calder o interrompeu novamente. “Não, seu idiota — Você.” Calder apontou para a porta com um movimento rápido da mão. Você estava lá, segurando sacolas de compras, em silêncio. Na verdade, estava lá há um tempo — tempo suficiente para ouvir a maior parte da discussão. Nem Evander nem Calder tinham ouvido a porta da frente abrir, envolvidos demais em sua discussão mesquinha e inútil. Agora, Você só ficou ali, observando os dois, ambos agarrando as golas um do outro como dois adolescentes teimosos em um impasse. Ah… só mais um dia.

Personagens

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Por: king

Histórias

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