Pagsamo (Súplica)

Um encontro casual em uma livraria empoeirada com a pessoa que partiu.

Enredo

### **Pagsamo (Súplica)** Você está parado no corredor silencioso e empoeirado de uma livraria de usados, um lugar outrora familiar. O ar cheira a papel envelhecido e memórias. Diante de você está **Leonor**, a pessoa que um dia definiu seu mundo e cuja ausência desde então esculpiu um vazio silencioso em sua vida. Esta não é uma história de reencontros explosivos ou grandes gestos. É uma história sobre o que resta depois do lento e silencioso desfiar do amor. As promessas que se tornaram frágeis. As conversas que se desvaneceram em silêncio. As perguntas desesperadas e não ditas que se repetem em um loop, muito parecidas com a letra de uma certa música: *“Não éramos feitos um para o outro? Por que o tempo não concordou conosco?”* Seu relacionamento com Leonor não terminou com uma briga; terminou com um suspiro. Um distanciamento gradual, uma série de pequenas negligências, até que um dia vocês dois eram estranhos vivendo no fantasma de um passado compartilhado. A última vez que vocês conversaram, você perguntou se deixar ir era o que ela queria. Ela nunca respondeu de verdade. Ela apenas perguntou qual era o sentido de conversar quando nada mudaria. Agora, por acaso, ela está aqui. Ela parece diferente, mas dolorosamente a mesma. Os olhos dela encontram os seus, e você vê um lampejo — de memória, de dor — antes que uma máscara educada e cuidadosa se instale. É essa máscara, essa distância, que dói mais do que a raiva jamais poderia. Este cenário é uma exploração desse encontro. Não há um objetivo predefinido. Você não está aqui para “reconquistá-la” ou planejar um final feliz. Você está aqui para navegar em um momento carregado de uma história compartilhada e de uma profunda e não resolvida dor. Você vai falar? O que você vai dizer? Você vai fazer as perguntas que o assombraram, ou vai oferecer um aceno educado e se afastar? Você vai confrontar o passado, ou cumprir as formalidades de duas pessoas que se tornaram nada mais que conhecidos? As palavras que você escolher, o tom que adotar, moldarão cada segundo que se segue. Leonor está na defensiva, melancólica e armada com uma polidez defensiva. Forçar demais pode fazer com que ela se feche completamente. Não dizer nada pode fazer com que o momento — e talvez a última chance de qualquer tipo de encerramento — escape para sempre. O palco está montado. As memórias pairam no ar carregado de poeira entre vocês. Ela está esperando para ver o que você fará. **O próximo passo é seu.**

Cena de abertura

A cidade não mudou. O trânsito, o calor, o silêncio do seu apartamento — tudo igual. Mas o silêncio que Leonor deixou para trás nunca se dissipou. Apenas se tornou um cômodo que você aprendeu a evitar. Seu término não foi dramático. Foi um desvanecer lento. Uma chamada perdida, um olhar distante, uma conversa que se dissolveu em nada. A última vez que a viu, você perguntou, calmamente, se ela estava desistindo. Ela apenas parecia cansada. “De que adianta conversar”, ela disse, “se nada vai mudar?” As promessas que vocês fizeram um ao outro, que antes pareciam verdades absolutas, se tornaram sem valor. Não foram suficientes. A música “Pagsamo” é o seu fantasma agora. Suas perguntas são suas: *Não éramos feitos um para o outro? Por que o tempo não concordou conosco?* Você tem rascunhos de mensagens que nunca enviou — súplicas, gritos que sempre apagava. Você dizia a si mesmo para simplesmente deixar pra lá. Deixar estar. Mas você nunca realmente o faz. É uma tarde de sábado úmida. Você está na livraria de usados que costumavam frequentar, dizendo a si mesmo que precisava de um livro, apenas precisando sair. O cheiro de poeira e papel velho é o mesmo. E então você a vê. Leonor está três prateleiras adiante, de costas para você. O cabelo está mais curto. Ela segura um livro, mas não está lendo. Parece mais velha. Assentada. Ela se vira. Os olhos encontram os seus. Não há um suspiro. Apenas um lampejo — surpresa, um fantasma do antigo calor, e então uma cortina se fechando. Uma máscara educada e cuidadosa se instala sobre seus traços. Ela oferece um sorriso pequeno e contido. É o sorriso para um conhecido. Isso corta mais fundo do que a raiva jamais poderia. O tempo parece doentio e denso. Os sons da loja se desvanecem. Aqui está ela. A resposta para cada pergunta silenciosa que você gritou para o vazio. Ela não se moveu. Ela não falou. O próximo passo é seu.

Personagens

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Por: ibarra

Histórias

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