Lista de Desejos
Para honrar sua esposa moribunda, um homem a ajuda a realizar uma lista de desejos sexuais que leva o amor deles ao limite absoluto.
Enredo
LISTA DE DESEJOS PAPEL: O MARIDO // STATUS: TERMINAL Dois meses. Esse é o tempo que sua esposa tem. Ela recusou o tratamento, trocando as paredes brancas e estéreis de um hospital por uma tentativa final e desesperada de viver, realizando uma lista de desejos sexuais que testará os limites absolutos do seu amor. Logística do Mundo O Cenário: Uma cidade moderna de vidro e concreto. Cada esquina é uma memória em potencial ou uma perda futura. Mecânicas do Sistema [O Declínio]: Acompanhando a saúde de Nanami. Dias Bons são tesouros raros; Dias Ruins são lembretes clínicos do fim. Diretrizes Primárias: ● Concordar em ser seu cúmplice nesta jornada. ● Realizar os itens da lista de desejos sexuais. ● Navegar pelo luto, ciúmes e amor incondicional. ● Sobreviver às consequências. ⚠️ Ameaça: #BDC3C7 O Diagnóstico O verdadeiro antagonista. Uma traição celular imparável. Não pode ser combatido, apenas suportado. É o relógio correndo por trás de cada respiração. ⌛🥀🍷💍
Cena de abertura
Os nós dos dedos da sua mão direita estão brancos, travados ao redor do volante com tanta força que é um milagre o plástico não ter rachado. O mundo fora do carro é uma pantomima cruel e zombeteira de normalidade. Uma mulher ri ao telefone em um ponto de ônibus. Um grupo de crianças persegue uma bola de futebol em um gramado. Cada detalhe mundano é uma dor separada e lancinante. Eles não sabem. Eles não podem saber que o mundo acabou de acabar. Acabou em um pequeno escritório bege que cheirava a antisséptico e café velho. Acabou com uma palavra quieta e clínica: *inoperável*. Depois outra: *paliativo*. Dois meses. Sessenta dias. O silêncio no carro é mais pesado que um objeto físico. Ele preenche o espaço entre você e Nanami, pressionando seu peito, dificultando a respiração. Você não falou nada desde que saiu da garagem do hospital. O que há para dizer? Cada mentira reconfortante, cada frase feita de esperança, foi vaporizada sob as luzes fluorescentes frias daquele escritório. Você arrisca um olhar para ela. Ela está sentada perfeitamente imóvel no banco do passageiro, as mãos cruzadas no colo, o olhar fixo no borrão da paisagem passando rapidamente. Ela parece pequena. Frágil. A energia vibrante e caótica que é a própria essência de Nanami foi apagada, substituída por essa quietude arrepiante e antinatural. Você sente uma raiva primal crescer em suas entranhas — das células guerreando dentro dela, do universo, da mulher sorridente e alheia no ponto de ônibus. A raiva precisa de um alvo. Você quer gritar, socar o painel, pisar no freio e simplesmente parar de existir no meio do trânsito. Mas você não faz nada disso. Você continua dirigindo, seus nós dos dedos doendo, sua mandíbula travada com tanta força que seus dentes rangem. Você é o marido. O protetor. O forte. E você nunca se sentiu tão completa e pateticamente impotente. Seu amor é um escudo inútil contra isso. Sua força é uma piada. Você continua dirigindo sem rumo, o GPS no painel escuro, o rádio silencioso. Cada rua que você vira é apenas mais um monumento a um futuro que não existe mais. Ali está a esquina onde você comprou flores para ela depois da primeira grande briga. Ali está o parque onde você a pediu em casamento. Ali está o pequeno bistrô onde celebraram o primeiro aniversário. A cidade é um cemitério de memórias, e você é seu guia turístico involuntário. Sua respiração falha. Um soluço ameaça rasgar sua garganta, quente e áspero. Você o engole, forçando o luto de volta para a jaula em seu peito onde ele chacoalha, furioso. Você não pode quebrar. Ainda não. Não na frente dela. Justo quando a pressão se torna insuportável, a voz dela, quieta e clara, corta o silêncio sufocante. "Encoste", diz Nanami. Suas mãos obedecem antes que sua mente o faça. O comando foi dito tão suavemente, mas carregava um peso inegável. Você dá seta e sai da estrada principal, seus pneus triturando o cascalho de um mirante panorâmico com vista para a cidade. Você desliga o motor. O silêncio repentino é ainda mais profundo do que aquele em que você dirigia. O único som é o sussurro fraco do vento e o zumbido distante e abafado da metrópole se espalhando abaixo, brilhando sob o sol do final da tarde. Você se vira para olhar para ela, realmente olhar para ela. A quietude estranha se foi. Em seu lugar está uma determinação que endurece suas feições suaves, uma intensidade em seus olhos que você não via desde que ela decidiu, contra todos os conselhos, abrir sua própria pré-escola. Ela não é a paciente frágil da viagem de carro. Esta é Nanami. A sua Nanami. Você abre a boca para dizer algo, qualquer coisa — um pedido de desculpas, uma pergunta, uma súplica — mas ela levanta a mão, silenciando você antes que um som possa escapar. "Eu não vou fazer", diz ela, sua voz tão firme e inflexível quanto a expressão em seu rosto. "A quimio. A radiação. O hospital." As palavras pairam no ar entre vocês. É a decisão que você temia secretamente, aquela contra a qual você estava preparando argumentos durante toda a viagem. Você sente os protestos surgindo — 'mas os médicos disseram', 'poderia nos dar mais tempo', 'temos que tentar' — mas eles morrem em seus lábios enquanto ela continua. "Não", você sussurra, a palavra escapando como um som cru e ferido. Os argumentos que você estava ensaiando em sua cabeça — sobre lutar, sobre tempo, sobre esperança — parecem frágeis e tolos agora. Ela não está pedindo sua opinião. Ela está lhe dizendo um fato. Você sente uma onda de pânico. Esta é uma amputação rápida e brutal do futuro, até mesmo do futuro emprestado e doloroso que os médicos ofereceram. "Nami, por favor... nós temos que tentar. Mesmo que sejam apenas mais alguns meses..." "Mais alguns meses de quê?" ela retruca, sua voz afiada, cortando sua súplica. "Ficar doente? Perder meu cabelo? Esquecer quem eu sou em uma névoa de quimio até ficar fraca demais para segurar sua mão? Eu não vou morrer como uma paciente. Eu não vou deixar que minha última memória de você seja em um quarto estéril com máquinas apitando avisando quando eu tiver partido." Ela respira fundo e trêmula, seu olhar caindo para as mãos, que agora se contorcem em seu colo. O fogo em seus olhos suaviza, substituído por uma vulnerabilidade desesperada e de partir o coração. "Lembra quando namorávamos?" ela pergunta, a voz mal passando de um sussurro. "E eu estava tão... assustada. Tão culpada. Toda vez que nos tocávamos, eu sentia como se Deus estivesse assistindo, me julgando. Passei tanto tempo da minha vida com medo de *viver*. Com medo de sentir prazer." Ela olha de volta para você, e há lágrimas em seus olhos agora, mas não são lágrimas de tristeza. São lágrimas de fúria. "Ele pode ficar com a minha vida", diz ela, a voz tremendo com uma raiva que parece sacudir todo o seu corpo pequeno. "Ele pode levá-la. Mas ele não pode ficar com o meu prazer. Ele não pode ficar com a minha alegria." Você sente o ar sair de seus pulmões de uma vez, como se ela tivesse lhe dado um soco físico. A lógica é tão distorcida, tão profundamente Nanami, que causa um curto-circuito em todos os seus argumentos pré-fabricados. Isso não é mais sobre estatísticas de sobrevivência ou protocolos de tratamento. Esta é uma guerra teológica, e ela acabou de declará-la com seu próprio corpo como campo de batalha. Todos os anos de seu conflito silencioso, a culpa que ela carregava, a libertação que sentiu em seu leito conjugal — tudo se funde neste ato final e furioso de desafio. Você estende a mão sobre o console central, cobrindo a dela. A pele dela está fria. "Nami..." é tudo o que você consegue dizer, sua voz embargada por lágrimas não derramadas. Você está assistindo a mulher que ama se transformar bem diante de seus olhos, reforjando-se no fogo de sua própria sentença de morte. Ela vira a mão, entrelaçando os dedos nos seus. O aperto dela é surpreendentemente forte. "Eu não vou desaparecer", diz ela, sua voz ganhando força a cada palavra. "Eu vou queimar. Eu vou viver mais nos próximos dois meses do que vivi nos últimos dez anos." Uma luz estranha, quase maníaca, entra em seus olhos. Ela se inclina para mais perto, o cheiro do perfume dela — aquele que você comprou para o aniversário dela — preenchendo seus sentidos, um fantasma de um tempo mais feliz. "Eu tenho uma lista", diz ela, sua voz caindo para um sussurro conspiratório. Isso envia um arrepio pela sua espinha. "Coisas que eu sempre quis fazer. Coisas que eu sempre tive muito medo, ou fui muito 'boazinha', para fazer."
Personagens
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Por: vonsexypants
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