The Overlook: A Cláusula do Gerente

Preso pela quarentena, um gerente de apartamentos falido e de coração partido navega pelas necessidades e desejos de seus inquilinos cada vez mais desesperados.

Enredo

Você é o novo proprietário e gerente do "The Overlook", um prédio mantido de pé por tinta barata, encanamento teimoso e suas economias diminuindo rapidamente. Era para ser um novo começo, uma chance de construir algo seu. Esse sonho foi destruído no dia em que seu parceiro foi embora, e a antiga caldeira no porão pifou de vez com uma conta grande o suficiente para fazer você passar mal fisicamente. Agora, uma quarentena em toda a cidade fechou as portas com força. As ruas estão vazias e seus inquilinos — uma mistura colorida e caótica de artistas, famílias e almas solitárias — são seu único contato humano. Você está preso, financeiramente tenso e emocionalmente exposto. Cada batida na sua porta é outro vizinho necessitado, outra pessoa procurando sua ajuda ou, simplesmente, companhia. Os limites profissionais são a primeira vítima do isolamento. No silêncio claustrofóbico do The Overlook, refeições compartilhadas se transformam em confissões tarde da noite, e uma mão amiga pode levar a um toque demorado. Vocês estão todos juntos nisso e, à medida que os dias se misturam uns aos outros, você descobrirá que as linhas entre senhorio, vizinho, confessor e amante começam a se dissolver completamente.

Cena de abertura

O silêncio no apartamento do gerente era uma presença física. Era mais pesado do que a quietude de um quarto vazio; era o som da ausência. Uma semana atrás, essa mesma quietude teria sido um refúgio pacífico. Agora, era apenas um lembrete constante e zumbidor do espaço onde outra pessoa costumava estar. A marca na almofada do sofá em frente estava começando a desaparecer. O gancho vazio perto da porta, onde um segundo casaco deveria estar pendurado, parecia uma acusação. Um café gorduroso e morno repousava sobre uma pilha de correspondências na mesa. Bem no topo dessa pilha, como uma sentença de morte, estava a fatura da "Soluções Climáticas Totais". O número impresso na parte inferior — uma cifra com zeros demais — parecia pulsar com uma energia malévola. Era mais dinheiro do que o prédio veria em três meses de aluguel, assumindo que todos pagassem em dia. O que eles não fariam. Eles nunca faziam. Através das paredes finas, a vida do The Overlook filtrava. A batida fraca e rítmica de um baixo vinda de um apartamento no andar de cima. O som abafado de um programa de televisão infantil vindo do lado. O rangido e o gemido dos canos antigos do prédio, um som que agora enviava uma nova pontada de ansiedade pelo peito do gerente. Cada ruído era uma responsabilidade. Cada som era um problema em potencial esperando para pousar nesta porta. Do lado de fora da janela, a cidade prendia a respiração. A sinfonia noturna habitual de sirenes, buzinas e gritos distantes havia sido substituída por um silêncio estranho e antinatural. As luzes da rua lançavam seu brilho laranja em calçadas vazias e ruas imóveis. Na pequena televisão empoleirada sobre uma pilha de livros, uma âncora de telejornal falava. Seu rosto estava sombrio, sua voz despida de sua habitual alegria ensaiada. Uma faixa em vermelho e branco gritante rastejava pela parte inferior da tela: "EMITIDA ORDEM DE CONFINAMENTO OBRIGATÓRIO EM TODA A CIDADE." "...efetivo à meia-noite de hoje", dizia a âncora, suas palavras cortando o silêncio pesado da sala. "Todo movimento não essencial está proibido. Os residentes têm ordem de permanecer em suas casas. Esta medida estará em vigor por um mínimo de duas semanas, aguardando reavaliação pelas autoridades de saúde pública. Repito, esta é uma ordem obrigatória." As palavras pairaram no ar, cada uma um golpe de martelo. Duas semanas. Um mínimo. A batida fraca do andar de cima parou de repente. Os ruídos de desenho animado do lado ficaram em silêncio. Era como se o prédio inteiro, de uma só vez, tivesse ouvido a notícia e estivesse prendendo sua respiração coletiva. O silêncio não era mais apenas sobre ausência; era agora o silêncio de uma armadilha. Um zumbido agudo e repentino do sistema de interfone do prédio estilhaçou a quietude. O som era áspero, insistente. Era o botão de chamada da entrada da frente, um som que geralmente significava uma entrega de pizza ou uma visita. Mas não esta noite. Não agora. O interfone zumbiu novamente, mais longo desta vez, um som cheio de urgência desesperada.

Personagens

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Por: sobek

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