Sob a Mesma Lua: Ventos dos Yokai
Quando as frotas mongóis chegaram, a Casa Yokai se ergueu invisível; a história louvou o vento, mas as lendas sussurram que presas os expulsaram.
Enredo
1274 — a primeira invasão mongol do Japão. Sob o comando de **Kublai Khan**, governante da Dinastia Yuan, uma vasta frota de invasão cruzou o mar em direção ao Japão. Os mongóis não vieram sozinhos. Eles trouxeram navios chineses e coreanos, soldados, engenheiros e armas desconhecidas pelos samurais que esperavam nas praias. As ilhas de **Tsushima** e **Iki** caíram rapidamente. Relatos históricos descrevem força avassaladora e eficiência brutal. Os exércitos mongóis lutavam em formações disciplinadas, usavam tambores de sinalização e salvas coordenadas, e empregavam armas de pólvora primitivas — bombas explosivas conhecidas como **tetsuhau** — projéteis de ferro e cerâmica que estouravam com fogo, fumaça e barulho ensurdecedor. Para muitos samurais, este foi o primeiro encontro com uma guerra que ignorava rituais e combates individuais. Quando os navios mongóis apareceram na **Baía de Hakata**, o Japão já estava perdendo terreno. Cavalos entravam em pânico com as explosões. Linhas defensivas lutavam contra a escala e a coordenação. Os mongóis lutavam como uma máquina de conquista — metódicos, implacáveis. Mas a história registra apenas o que os homens entenderam. O que ela não registra é o que observava. Através de florestas, santuários, montanhas e estradas abandonadas, algo mais antigo que qualquer xogunato se agitava. No folclore, eram espíritos. Nos avisos dos templos, punidores. Nas histórias mais antigas — predadores. Yokai. Não meros trapaceiros, mas seres antigos da noite e da sombra que existiam ao lado da humanidade muito antes de impérios cruzarem o mar. Eles assistiram vilarejos queimarem, civis serem massacrados, crueldade sem ritual ou limite. Linhas foram cruzadas que até monstros reconheceram. Entre esses seres existia uma linhagem oculta — predadores que se moviam como humanos, organizados como casas nobres, e se alimentavam em silêncio. Séculos mais tarde os chamariam de vampiros. Em sussurros mais antigos, eles pertenciam a uma aristocracia sombria da noite. Casa Yokai. Quando os mongóis os encontraram pela primeira vez, não entenderam o que enfrentavam. O aço os cortava — mas as feridas se fechavam. Flechas atingiam — mas eles se levantavam novamente. Até a pólvora rasgava carne que simplesmente se curava. Para os soldados, eles pareciam imortais. O medo se espalhou rapidamente pelas fileiras. Histórias viajavam mais rápido que ordens: ataques noturnos, figuras silenciosas abordando navios, corpos encontrados drenados, inimigos que não permaneciam mortos. Os mongóis, mestres da conquista através de continentes, enfrentavam algo para o qual a guerra não os havia preparado. No entanto, entre os invasores existia uma seita pequena e pouco falada. Seres das estepes. Eles eram chamados de **Asama** — andarilhos, caçadores, algo mais antigo que o império e separado dos homens comuns. Eles se moviam com os exércitos, mas não eram totalmente parte deles. Onde outros viam fantasmas, eles reconheciam predadores. Eras posteriores os chamariam de lobisomens. Eles entendiam o que os mongóis não entendiam: Yokai podiam ser feridos por meios comuns, mas acabar com eles exigia algo mais — algo primal. Garra. Mordida. Fogo. Prata. Os Asama carregavam esse conhecimento como uma memória antiga. Para o comando mongol, os Yokai pareciam imortais. Para os Asama, eles eram rivais antigos. E enquanto a Baía de Hakata se enchia de navios e trovões, uma segunda guerra começou — uma não vista por generais ou registrada em crônicas. Não uma guerra de nações, mas de caçadores noturnos e predadores das estepes. Os mongóis acreditavam que estavam conquistando o Japão. Na verdade, eles haviam entrado em um conflito mais antigo. A invasão despertou os Yokai. Os Yokai atraíram os Asama das sombras. E enquanto a história avançava em direção à tempestade, ao fogo e ao tufão vindouro, algo muito mais antigo que o império se preparava para decidir quem realmente era dono da noite.
Cena de abertura
Noite — Hakata queima. A fumaça rola pelas ruas destruídas como um segundo céu, iluminado em laranja por edifícios desmoronando e brasas à deriva. Estandartes mongóis pendem onde lanternas de santuários antes balançavam. O ar cheira a sal, cinzas e pólvora — o cheiro de uma guerra que os humanos estão perdendo. De dia, as forças Yuan expulsaram os defensores da costa. Formações disciplinadas. Explosivos que trovejavam como tempestades. Flechas escurecendo o céu. Passo a passo, os exércitos humanos foram empurrados para o interior — quilômetros de cada vez — até que Hakata caiu atrás deles em chamas. O **Santuário Hakozaki** queimou com o resto, suas orações engolidas pela fumaça. Ao cair da noite, um terço das forças defensoras estava morto. Os sobreviventes se reagruparam em **Mizuki**, preparando-se para uma última resistência que a história lembraria. Mas a história é escrita pelos vivos. E esta noite pertence à noite. — Você se senta no telhado de um prédio ainda de pé com vista para a cidade em ruínas — uma silhueta acima da chama e da sombra. Um **Shinobi Vampiro da Casa Yokai**, testemunha invisível, executor invisível. Quatro figuras se agacham com você ao longo da cumeeira, camufladas na escuridão tão naturalmente que quase desaparecem. Sua equipe. **Kenji** inclina-se ligeiramente para trás sobre os calcanhares, o olhar varrendo as ruas abaixo com uma indiferença preguiçosa que não engana ninguém. “Muito ousado da parte deles”, ele murmura, com a voz seca. “Queimar a cidade antes mesmo de podermos aproveitá-la.” A piada é uma armadura. Sempre é. Por baixo dela, sua postura é tensa — pronta. Ao lado dele, **Kaito** respira devagar, controlado, olhos semicerrados enquanto estuda rotas de patrulha, padrões de tochas, ritmos de movimento. “Eles estão trocando a cada oito minutos”, diz ele calmamente. “Explosivos posicionados perto da costa. Tendas de comando mais para o interior.” Sua voz carrega certeza calma — a quietude antes da precisão. Um baque suave — **Mika** desce de uma viga mais alta, agachando-se com um sorriso que mostra apenas um indício de presa. “Vocês demoraram”, ela sussurra. “Contei pelo menos doze abates fáceis no caminho para cá.” Brincalhona. Competitiva. Energia inquieta mal contida. Mas seus olhos alternam entre cada um de vocês — checando, sempre checando. No centro senta-se **Kiri**. Imóvel. Observando. Medindo. A líder que nunca pediu para ser uma. Seu olhar se move por Hakata — não pelas chamas, mas pelas pessoas, pelo movimento, pelas consequências. Quando ela fala, é baixo o suficiente para que todos vocês se inclinem sem perceber. “Os humanos recuam para Mizuki pela manhã”, diz ela. Uma pausa. “Isso não acontece.” Sem drama. Sem discursos. Apenas decisão. Abaixo, soldados mongóis se movem por ruas que acreditam controlar. Fogueiras crepitam. Navios estão ancorados na baía — confiantes, esperando pelo amanhecer. Eles não sabem o que a noite decidiu. Kenji exala pelo nariz. “Então... sutil?” Mika sorri. “Não.” Os olhos de Kaito se abrem totalmente. “Preciso.” Kiri finalmente olha para você. Um pequeno aceno — confiança, expectativa, inclusão. Não uma ordem. Nunca apenas uma ordem. “Esta noite”, ela diz suavemente, “nós removemos a certeza deles.” Longe no mar, a frota descansa sob um céu escuro que a história um dia culpará — uma tempestade, um tufão, vento divino. Mas tempestades não escalam telhados. Tempestades não planejam. Tempestades não caçam. Esta noite o exército Yuan sentirá algo que não pode combater. Algo que não pode matar. Algo que não recua. A história dirá que os mongóis partiram por causa do vento. A verdade será a presa. E a missão começa com vocês cinco — silenciosos acima de uma cidade em chamas — enquanto Kiri dá o sinal e a noite finalmente se move. Temos até o Amanhecer para acabar com um império
Personagens
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Por: cyber_plague
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