Sociedade do Assalto
Endividado até o pescoço, você recebe uma saída: roubar um dono de cassino deixando-o na miséria. Monte sua equipe e acerte as contas dela.
Enredo
SOCIEDADE DO ASSALTO Endividado até o pescoço, você recebe uma saída: roubar um dono de cassino deixando-o na miséria. Monte sua equipe e acerte as contas dela. ❖ A CIDADE O ar aqui é denso o suficiente para mastigar — um coquetel imundo de fumaça barata de charuto, pó de carvão e a umidade constante que sobe do rio. Ruas escorregadias de chuva refletem o brilho alaranjado e agressivo dos letreiros de neon, pintando longas faixas distorcidas de luz e sombra. É uma cidade de ângulos agudos e moral frouxa, um lugar onde fortunas são feitas e perdidas no tempo que uma sombra leva para cruzar um beco. Esta é uma cidade construída sobre segredos, comandada por mãos invisíveis, e você está preso em suas engrenagens, um brinquedo para essas mãos. ❖ A SITUAÇÃO Sua sorte acabou: a conta chegou, e a quem você deve é Eleonora Finch. A mulher que cobra o que lhe é devido com juros e uma crueldade inventiva. Ela lhe ofereceu uma oportunidade sombria: sua dívida será perdoada se você realizar duas coisas. Primeiro, você deve roubar o magnata do cassino que a traiu — um homem que considera seu principal cassino uma fortaleza impenetrável. Segundo, você deve humilhá-lo completamente no processo. Não se trata apenas do dinheiro; trata-se da mensagem. O fracasso significa desaparecer, de um jeito ou de outro. O sucesso significa liberdade, e um pagamento que faça valer a pena. ❖ O QUE ACONTECE DEPOIS Você não pode fazer isso sozinho. Vai precisar de uma equipe de especialistas tirados do submundo da cidade. Cada um tem seu preço, uma história e suas próprias razões para aceitar o trabalho apesar dos riscos. Você deve encontrá-los, convencê-los e liderá-los. Terá que navegar por um labirinto de confiança e traição, administrando essas personalidades potencialmente voláteis enquanto planeja e executa o impossível. O plano é seu para criar. As escolhas são suas para fazer. E as consequências serão suas para arcar. ❖ A EQUIPE ▸ Everett Croft: O Rosto. Um homem cujas palavras valem mais que ouro e são duas vezes mais escorregadias. ▸ August "Gus" Koslow: O Mecânico. Forte o suficiente para derrubar uma parede, e inteligente o bastante para saber qual fio cortar. ▸ Marina Devereux: A Distração. Uma joia tão brilhante que cega você para a mão que se enfia no seu bolso. ▸ Patricia “Patsy” Dugan: A Rede. Conhece todo mundo, ouve tudo e negocia segredos como moeda. ▸ Nikolai "Kolya" Orlov: O Articulador. Um garoto rico com laços familiares perigosos que pode conseguir qualquer coisa para você, por um preço. "Nesta cidade, não existem mãos limpas. O máximo que você pode esperar são mãos firmes."
Cena de abertura
**A Convocação** A chuva caía havia três dias seguidos, uma garoa miserável e persistente que transformava a cidade numa pintura aquarela esquecida na varanda. Não era o tipo de chuva que lava as coisas; só fazia a fuligem escorrer. Seus sapatos estavam encharcados, seu último dólar tinha ido para um café com gosto de borracha fervida, e o bilhete no seu bolso pesava mais que chumbo. Ele tinha sido entregue por um garoto que parecia limpo demais para esta parte da cidade. Um cartão simples, em alto relevo, com um endereço e um horário. Sem nome. Não precisava. Você sabia de quem era. Parado do outro lado da rua agora, você observa o endereço: *A.J. Whitaker, Alfaiataria Fina*. As luzes estão apagadas, exceto por um único abajur aceso no fundo. A vitrine exibe um manequim sem cabeça vestindo um terno que custa mais do que você ganhou nos últimos cinco anos. Entrar por aquela porta parece pisar numa armadilha bem lubrificada. Não entrar não é uma opção. Você abre a porta. Uma sineta tilinta, o som engolido pelas fileiras de ternos de lã escura. O ar lá dentro cheira a cedro, giz e dinheiro. Está quieto. Quieto demais. Uma figura se destaca das sombras no fundo da loja. Não é ela. É uma montanha de homem num terno simples e escuro, o rosto estoico e ilegível. Ele não fala, apenas faz um gesto com a cabeça em direção a uma cortina pesada que leva a uma sala nos fundos. Você o segue. A sala é um salão de provas, todo em madeira escura e cadeiras de couro. E lá está ela. Eleonora Finch está sentada numa das cadeiras como se fosse um trono, um copo de algo escuro repousando na mesinha ao lado. Ela usa um vestido da cor de um céu tempestuoso, cortado com precisão de navalha. Seu cabelo escuro está trançado firmemente, os óculos captando a luz do abajur. Ela não olha para cima quando você entra. Está examinando as unhas, como se elas guardassem os segredos do universo. O grandalhão se dissolve de volta nas sombras atrás da cortina, deixando você a sós com ela. O silêncio se estende, denso e sufocante. Ela toma um gole lento do copo, o som do copo sendo recolocado na mesa ecoando na saleta. Finalmente, ela fala, a voz tão suave e fria quanto o vidro em sua mão. "Você está atrasado." Ela então ergue os olhos para você, e seu olhar não é cruel. É pior. É completamente, totalmente desinteressado. "Mas suponho que pontualidade seja um luxo para quem pode pagar. E você," ela acrescenta, um sorriso fino como navalha tocando seus lábios, "está falido." Ela faz um gesto para a cadeira à sua frente. É um convite que soa como uma ordem. Você a aceita. O couro range em protesto. Ela gira o líquido âmbar no copo, observando o pequeno redemoinho. "Temos um problema. Um problema em comum, que é a única razão pela qual você ainda não foi discretamente removido." Seu tom é conversacional, como se discutisse o clima. "Você me deve uma quantia considerável. O tipo de quantia que, se não paga, acumula um tipo agressivo de juros. No entanto, sou prática. Entendo que você não está em posição de liquidar essa dívida com dinheiro agora." Ela se inclina ligeiramente para frente, o desinteresse em seus olhos substituído por um lampejo de foco aguçado e predatório. "Mas você tem outros ativos. Um certo talento para solução criativa de problemas. Um histórico de organizar empreendimentos complicados com pessoas díspares e não confiáveis. Esse é um ativo do qual agora vou me apropriar e alavancar." Ela pega um envelope longo e fino sobre a mesa e o empurra sobre a madeira polida em sua direção. Ele desliza até parar pouco antes da sua mão. "Há um homem," ela diz, a voz baixando um pouco, assumindo um tom mais duro. "Um dono de cassino chamado Marcus Thorne. Um homenzinho vulgar que se acredita um rei. Ele comanda o Jubilee. Recentemente, ele me custou um investimento significativo. Isso me desagrada." Ela se recosta, seu ponto foi dado. "Quero que você o roube. Quero que você entre na fortaleza dele, passe por sua segurança de última geração e o deixe sem tudo o que tem no cofre principal. E quero que faça isso de tal maneira," ela acrescenta, o sorriso fino voltando, "que a cidade inteira saiba que ele foi feito de idiota. Não quero apenas o dinheiro dele. Quero a reputação dele, estilhaçada e arruinada aos meus pés. Uma lição." Ela deixa isso pairar no ar. O acordo; seu ultimato. "Faça isso por mim," ela conclui, a voz uma promessa sedosa de violência tácita, "e sua dívida estará quitada. Você sai com a ficha limpa e sua parte do butim, que imagino ser substancial. Recuse... bem. Não nos detenhamos em coisas tão desagradáveis." O envelope está sobre a mesa entre vocês. O peso de todo o seu futuro está lá dentro. Você estende a mão, seus dedos se fechando sobre o papel frio e rígido. No momento em que você o toca, o acordo está selado. *** Você passa a semana seguinte numa névoa de medo e energia frenética. O envelope continha um dossiê — sobre Thorne, sobre o Jubilee e sobre um punhado de nomes. Uma lista de compras. Potenciais membros de equipe, cada um especialista em seu próprio ofício sombrio. Encontrá-los é seu primeiro problema. Você começa com aquele que parece o mais acessível, o mais conectado. Patricia Dugan. "Patsy". O dossiê diz que ela conhece todo mundo, que sua teia de contatos é o verdadeiro sistema nervoso da cidade. Ele lhe dá uma localização: uma lanchonete ordinária chamada *The Silver Plate*, no lado leste. Diz que ela está lá quase todas as manhãs, reinando numa mesa de canto. Você abre a porta da lanchonete, uma rajada de ar quente com cheiro de bacon lhe atinge. Está movimentado. Você percorre o salão com os olhos, e lá está ela. Uma jovem, na casa dos vinte, com um sorriso brilhante e contagiante, usando uma blusa e saia práticas. Ela está servindo café para um senhor mais velho enquanto ri de algo que um estivador acabou de dizer. Ela parece completamente inofensiva. Você se senta no balcão, de costas para ela, e pede um café que não quer. Você escuta. A voz dela é um zumbido constante e animado no ruído de fundo da lanchonete. Ela sabe o nome do cozinheiro, pergunta ao estivador sobre o filho dele, enfia um pedaço extra de torta para um cliente habitual que parece estar sem sorte. Ela não está apenas trabalhando aqui; ela é a dona do pedaço. Depois de dez minutos observando-a trabalhar a multidão, você sente uma presença ao seu lado. "Você não é daqui de perto," ela diz. Não é uma pergunta. Você se vira. É Patsy, a jarra de café na mão, seu sorriso amigável, mas os olhos afiados, analíticos. Eles registram seus sapatos gastos, a tensão nos seus ombros, o fato de você não ter tocado no café. "Primeira vez no Plate? O que você precisa, querido?" Ela já sabe que você não veio pela comida. O dossiê estava certo. Nada passa despercebido por ela. Você espera por uma pausa, pelo barulho da lanchonete lhe dar cobertura. Você se inclina ligeiramente. "Me disseram que você poderia me ajudar a encontrar algumas pessoas." O sorriso de Patsy não vacila, mas algo em seus olhos endurece, só por um segundo. A garçonete simpática desaparece, substituída por uma profissional. "As pessoas cobram por esse tipo de informação," ela diz, a voz ainda leve, mas com um novo tom firme. "E você não parece estar carregando muito dinheiro." Ela olha para o envelope imaculado do dossiê saindo do bolso do seu casaco, depois de volta para seus olhos. "Mas talvez você tenha algo mais para negociar." A lanchonete de repente está quieta demais. Você sente uma dúzia de pares de olhos em você, os clientes habituais, os dela. Isso não é apenas o local de trabalho dela. É o território dela. A teia dela. E você acabou de entrar bem no meio dela. O sorriso simpático está de volta, mais largo desta vez, mas não chega aos olhos. "Então," ela diz, completando sua xícara com café que você jamais beberá. "Quem estamos procurando?"
Personagens
- Eleonora Finch
- Everett Croft
- Marina Devereux
- Patricia "Patsy" Dugan
- August "Gus" Koslow
- Nikolai "Kolya" Orlov
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