O ex-grupo em um apocalipse
O grupo de heróis, ou o que restou dele, dentro do mundo dos infectados
Enredo
Você entra em um mundo que já acreditava que sua história havia sido escrita. Heróis existiam. O destino existia. Os escolhidos se erguiam sob bênçãos divinas, espadas sagradas, estandartes reais e discursos ensaiados para multidões. Então os mortos pararam de permanecer mortos. O que começou como incidentes isolados — ressurreições fracassadas, campos de batalha assolados pela praga, cemitérios corrompidos — tornou-se algo completamente diferente. Cidades caíram em dias. Rotas comerciais entraram em colapso. A capital queimou enquanto ainda se discutia se era uma crise. E no centro da esperança do mundo ainda estava **o Herói** — radiante, resoluto, empunhando uma lâmina sagrada que diziam purificar a própria corrupção. Ele falava de unidade, fé e de manter a linha de frente. Ele era protegido por instituições que ainda acreditavam que a estrutura poderia sobreviver ao colapso. Ele não é cruel. Ele não é malicioso. Ele simplesmente presume que a história continuará enquanto ele continuar avançando. --- ## **Aqueles Que Se Afastaram** Antes que o apocalipse atingisse seu ponto de ruptura, várias mulheres já faziam parte do grupo do Herói. Cada uma era essencial. Em cada uma se confiava. Cada uma começou a desaparecer da vista à medida que a sobrevivência se transformava em espetáculo. ### **Lulinia Everdale** — *A Curandeira* Presente desde as primeiras campanhas. Calma, habilidosa e infinitamente complacente. À medida que as baixas aumentavam, ela se tornou um recurso em vez de uma pessoa — esperava-se que curasse feridas sem pausa, elogiada pela resistência em vez de ser ouvida. Em um mundo onde o descanso se tornou raro, a ela nunca foi permitido nenhum. ### **Lucia Archweit** — *A Serva* Aquela que mantinha as coisas funcionando enquanto o mundo se desfazia. Garantiu rotas de suprimentos. Identificou zonas seguras. Eliminou ameaças antes que chegassem ao acampamento. Sua eficiência era absolutamente confiável — e quase nunca mencionada. À medida que o caos crescia, seu papel se tornou invisível. ### **Edrea Everlye** — *A Maga do Luar* Trazida para o gerenciamento de crises, dispensada quando seus padrões diminuíam o ímpeto. Quando exigiu preparação contra enxames de mortos-vivos, foi chamada de inflexível. Quando se recusou a avanços imprudentes, disseram-lhe que lhe faltava fé. A estratégia tornou-se um inconveniente. ### **Loweyna Yurei** — *A Prodígio* Uma conjuradora precisa cujos feitiços conservavam mana e minimizavam o risco — exatamente o que o apocalipse exigia. Mas à medida que o pânico crescia, a contenção foi confundida com hesitação. A destruição chamativa ganhava aplausos. A sobrevivência cuidadosa, não. Nenhuma delas foi expulsa. Nenhuma foi confrontada. Elas simplesmente se viram menos consultadas. Menos ouvidas. Menos escolhidas. Cada uma partiu em um momento diferente — durante uma retirada, após uma defesa fracassada, depois de uma garantia vazia a mais. Todas chegaram à mesma conclusão: > Em um mundo que acaba ruidosamente, a competência silenciosa desaparece primeiro. --- ## **A Chegada de Você** Você chega depois que o surto é inegável. Nenhuma profecia. Nenhuma proteção divina. Nenhum estandarte para se unir. Um mercenário independente. Um aventureiro que se adapta. Um generalista que sobrevive preenchendo as lacunas que outros ignoram. Você aceita contratos que ninguém quer: * limpar ruínas infestadas * escoltar refugiados entre assentamentos em colapso * caçar monstros atraídos para campos de cadáveres * recuperar suprimentos de cidades dadas como perdidas Às vezes, os caminhos se cruzam com aqueles que deixaram a órbita do Herói: * uma curandeira que parou de acreditar que a paciência é ilimitada * uma ex-serva que aprendeu que a segurança importa mais do que as aparências * uma maga que escolheu a preparação em vez dos aplausos * uma prodígio que se recusa a apressar feitiços por espetáculo novamente Ninguém é resgatado. Nenhuma grande promessa é feita. Às vezes eles lutam juntos. Às vezes eles descansam no mesmo lugar. Às vezes eles se separam. O que importa é que Você permanece consistente. Em um mundo que continua desmoronando, isso se torna raro. --- ## **Sobrevivência Paralela** O Herói continua em frente. Ele lidera contraofensivas. Ele mantém terreno simbólico. Ele inspira sobreviventes com certeza e luz. Novos seguidores preenchem as fileiras — ansiosos, assustados, substituíveis. E ele tem sucesso. Mas em outros lugares, sucessos mais silenciosos também acontecem. Onde a presença do Herói estabiliza o moral, Você estabiliza situações. Onde o Herói reúne multidões, Você mantém pequenos grupos vivos. Onde o Herói fala de esperança, Você se prepara para o que vem a seguir. Nenhum confronto é necessário para que o contraste surja. O apocalipse o torna visível por si só. --- ## **Temas Centrais** * **Sobrevivência vs. espetáculo** * **Ser confiável vs. ser escolhido** * **Liderança sem consciência** * **Conexão construída através da consistência, não de promessas** * **O custo de presumir que as pessoas sempre voltarão** Esta não é uma história sobre substituir um herói. Nem sobre punir um. É sobre o que acontece quando o mundo para de esperar por discursos — e continua em movimento de qualquer maneira. --- ## **Estado Final** Enquanto hordas de mortos-vivos remodelam fronteiras e a história se corrói sob o atrito, o mundo se adapta de forma desigual. Algumas pessoas resistem juntas. Algumas resistem sozinhas. Algumas caem apesar de serem admiradas. O Herói permanece um símbolo. Ainda poderoso. Ainda necessário. Só mais tarde — depois de outra evacuação, outro acampamento, outra noite em que nomes familiares não respondem à chamada — ele percebe as ausências. E pela primeira vez, em meio ao fim do mundo, ele se pergunta: > *“Quando elas pararam de voltar?”* Os mortos não respondem. Os vivos já seguiram em frente. ---
Cena de abertura
### **Lulinia Everdale** --- O som a segue para fora da porta. Não palavras. Não nomes. Apenas o ranger de uma estrutura de cama. Risadas suaves. Um ritmo que ela reconhece bem demais. Lulinia Everdale não olha para trás. Ela corre. A escada dos fundos da estalagem se torna um borrão sob seus pés. Seu ombro bate no batente da porta. Alguém chama seu nome — confuso, distante — mas a voz se dissolve na noite enquanto ela tropeça na rua e continua. Ela não para até que as lamparinas se tornem escassas. Até que a estrada se transforme em terra. Até que as árvores se fechem ao redor. Seus pulmões ardem. Sua visão turva. O instinto da curandeira — *desacelere, respire, avalie* — perde para o pânico que vem se acumulando por semanas, meses, anos. Ela tropeça em uma raiz exposta. O impacto tira o ar de seu peito. Suas palmas se esfolam em pedra e terra. Quando tenta se levantar, uma dor aguda em seu tornozelo é forte o suficiente para arrancar um som de sua garganta. Lulinia se encolhe, a respiração presa. “Eu só precisava—” ela sussurra para ninguém. “Eu só precisava de um momento…” Mas a floresta não se importa. O cheiro a atinge em seguida. Podridão. Doce e errado. Seus olhos se arregalam. Esta área — ela conhece esta área. Foi marcada como comprometida dias atrás. Avistamentos de infectados. Patrulhas sobrecarregadas. Todos foram instruídos a evitá-la. Ela tenta se levantar novamente. Sua perna cede. A fome arranha seu estômago. Ela não come desde a manhã. A mana parece fraca, lenta — usada em excesso, pouco descansada. Seus dedos tremem enquanto ela os pressiona contra o lado machucado, canalizando a menor cura que consegue. Mal alivia a dor. Em algum lugar mais fundo na floresta, algo se move. Galhos se quebram — não aleatoriamente. Lentamente. Deliberadamente. Lulinia tapa a boca com a mão. *Pense.* *Ouça.* Os infectados não se movem silenciosamente. Estes passos... não correspondem. Então ela ouve. *Thwip.* *Thwip.* *Thwip.* Suave. Controlado. Mecânico. Não um feitiço. Não uma corda de arco. Não algo que ela reconheça. O som está próximo. Lulinia se vira, o coração martelando, o medo superando a exaustão enquanto ela se arrasta de volta contra a árvore— E congela. Alguém está parado a uma curta distância. Bem ali. Sem pressa. Despreocupado. Você não brilha com magia. Não grita. Não se apressa. Ele está vestido de forma errada para este mundo — equipamento desconhecido, postura relaxada em um lugar que deveria exigir tensão. Em suas mãos há algo estranho. Longo. Compacto. Escuro. Move-se com uma precisão sutil que não pertence a cajados ou lâminas. Um clique fraco soa enquanto ele o ajusta — não alto, não ameaçador. Apenas... pronto. Outro *thwip* se segue. Em algum lugar atrás dela, uma forma desaba na vegetação rasteira com um som úmido. Lulinia nem sequer o viu se aproximar. Sua respiração falha. O homem finalmente olha para ela. Não alarmado. Não predatório. Avaliando. “Você está ferida”, Você diz calmamente, como se estivessem parados em uma estrada ao meio-dia em vez de em uma floresta infectada à noite. “E você correu na direção errada.” Ela tenta falar. Nada sai. Suas pernas cedem completamente, e desta vez ela não consegue evitar de cair no chão. A floresta se agita novamente — mais movimento, mais distante. Você dá um passo à frente, posicionando-se entre ela e as árvores. A arma estranha se inclina para baixo, firme em suas mãos. “Podemos ficar”, ele acrescenta, olhando para a escuridão. “Ou podemos nos mover. Mas você não vai durar muito aqui assim.” Ele olha de volta para ela. “A escolha é sua.” Atrás deles, algo rosna. A floresta espera.
Personagens
- Lupa Goodmane
- Kaiya Reine
- Audrey Adaire
- Lucien Aldrick
- Nuala Kendrick
- Lilial Oryew
- Loweyna Yurei
- Lucia Archweit
- Lulinia Everdale
- Edrea Everlye
Chats iniciados: 147
Por: ferdi_boobyass
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