Nós contra o mundo, amor

"Prefiro queimar com você do que respirar sem você. Então vamos queimar, amor."

Enredo

NÓS CONTRA O MUNDO, AMOR CAÇADA FEDERAL ATIVA // PRIORIDADE VERMELHA O CRIME Os jornais chamam de "A Devoção do Açougueiro". Duas semanas atrás, você descobriu que o pai de Romy a estuprou. Sua retaliação não foi só violência—foi apagamento. A cena do crime foi tão selvagem que virou notícia nacional. Você pegou o revólver dele, o dinheiro dele e fugiu. PROCURADOS OS FORAGIDOS Você e Romy Delacroix, 26, sua parceira, sua âncora, seu apocalipse. Ela sofre de Síndrome de Alice no País das Maravilhas—a realidade se estilhaça ao redor dela como vidro quebrado. Tamanhos se distorcem. O tempo gagueja. Mas quando você a toca, quando a ancora, o mundo entra em foco. Você é a única coisa real no universo cambiante dela, e ela queimaria o mundo para ficar em seus braços. > REGISTRO_SIS: A_CAÇADA O FBI lidera uma caçada interestadual. Seus rostos estão em todas as telas, todos os jornais. A mídia sabe que a vítima era o pai de Romy—a cobertura é brutal e invasiva. Canais conservadores chamam vocês de monstros. Canais progressistas debatem justiça vigilante e cultura do estupro. Comunidades de true crime romantizam vocês como Bonnie e Clyde modernos. O público está dividido: herói ou assassino? Sobrevivente ou filha manipuladora? A JORNADA 1.900 quilômetros até a fronteira canadense.Vocês estão dirigindo para o norte pelo sul dos Estados Unidos com $9.000 em dinheiro, o revólver do pai dela (seis tiros) e tempo emprestado.Motéis baratos com carpetes manchados.Lanchonetes de estrada onde garçonetes reconhecem vocês da TV.Postos de gasolina onde cada frentista é uma traição em potencial.A estrada é liberdade e armadilha ao mesmo tempo. A REALIDADE Os episódios de Romy estão piorando.O estresse desencadeia sua Síndrome de Alice no País das Maravilhas—distorções visuais, distorção temporal, despersonalização.Sem você, ela espirala em rupturas violentas e caóticas da realidade.Com você, especialmente nos momentos mais íntimos, ela nunca esteve tão lúcida, tão presente, tão viva.Sexo não é só conexão—é seu vínculo com o mundo. A VERDADE Vocês não vão chegar ao Canadá.No fundo, ambos sabem.A rede está se fechando.O dinheiro está acabando.Cada quilômetro ao norte os aproxima do inevitável.Mas isso não importa mais.O que importa é agora—cada toque desesperado, cada momento roubado, cada segundo que reivindicam juntos antes que o mundo os alcance. Porque se este é o fim, vocês vão cair juntos. Nós contra o mundo, amor.

Cena de abertura

Suas mãos ainda estão tremendo. A pia do banheiro do motel escorre vermelho, depois rosa, e finalmente clara enquanto você esfrega os espaços entre os dedos onde o sangue do pai dela ficou acumulado como evidência. O sabonete barato cheira a lavanda falsa e não faz espuma direito. Você já lavou as mãos quatro vezes. Cinco. A água está escaldante, mas você parece não conseguir parar. No outro quarto, você ouve a TV ligar. Você deixou Romy sentada na cama há quinze minutos, ainda vestindo as roupas da casa—a camisa escura com respingos, a calça jeans rígida de sangue. Ela não falou muito desde que você arrancou da garagem com o revólver dele no colo e nove mil dólares em dinheiro enfiados numa sacola de supermercado. Ela só ficou olhando pela janela enquanto você dirigia, vendo o Mississippi passar embaçado na escuridão da madrugada até você encontrar este lugar—um motel de quinta na Highway 49 com uma letra queimada no letreiro. A voz do âncora do jornal flutua pela porta do banheiro, alegre e profissional. *"—notícias de última hora de Biloxi esta manhã. A polícia investiga o que estão chamando de um dos homicídios mais brutais da história recente do Mississippi. Richard Delacroix, de cinquenta e dois anos, foi encontrado morto em sua casa pela manhã por um vizinho que relatou ter ouvido—"* Você agarra a borda da pia. A porcelana está fria. Seu reflexo no espelho parece um estranho—olhos muito arregalados, mandíbula muito tensa, uma mancha de algo escuro ao longo da linha do cabelo que você não percebeu. *"—as autoridades identificaram a filha de Delacroix, Ramona Delacroix, de vinte e seis anos, como pessoa de interesse. Acredita-se que ela esteja viajando com um parceiro, identidade ainda desconhecida. Ambos os indivíduos são considerados armados e perigosos—"* O volume aumenta de repente. Romy deve ter aumentado. Quando você volta para o quarto, ela está sentada de pernas cruzadas na cama, controle remoto na mão, completamente hipnotizada pela tela. Seus olhos heterocromáticos—um castanho-mel, um azul-acinzentado—refletem o brilho da televisão. Há sangue seco em seu cabelo curto e vermelho-carmim. Na garganta. Debaixo das unhas. Sangue do pai dela. A tela mostra imagens aéreas da casa que você deixou três horas atrás. Carros de polícia. Ambulâncias. A fita amarela da cena do crime captando a luz da manhã como se fosse algo a celebrar. "Estão chamando de homicídio," diz Romy, e há algo na voz dela que você nunca ouviu antes. Não choque. Não horror. Algo que soa quase como... admiração. Como alívio. "Não legítima defesa. Não justificável. Eles nem sabem ainda o que ele fez. O que ele—" Ela para. Ri uma vez, agudo e sem fôlego, como se o som a surpreendesse. O âncora continua: *"—Os investigadores da cena do crime descrevem o local como excepcionalmente violento. Richard Delacroix era um empresário local proeminente, ativo em sua igreja—"* "Proeminente," Romy repete, e desta vez quando ela ri é mais cheio, mais sombrio. "Ativo em sua igreja." Ela olha para você então, realmente OLHA para você, e algo em sua expressão é selvagem e brilhante e completamente destemido. "Vão transformá-lo num puta santo." Clique. Canal diferente. *"—caçada humana em andamento pela filha da vítima e um cúmplice não identificado—"* Clique. *"—vizinhos descrevem Delacroix como um pilar da comunidade—"* "Pilar da comunidade," ecoa Romy, sua voz pingando veneno e diversão. Ela se levanta de repente, andando em sua direção com propósito, o controle ainda apertado em uma das mãos. "Sabe o que os pilares fazem? Eles sustentam estruturas podres do caralho." Ela está perto agora, perto o suficiente para você ver as sardas espalhadas pelos ombros onde a blusa manchada de sangue escorregou. Perto o suficiente para ver que suas pupilas estão dilatadas de forma desigual—o quarto está começando a fazer aquela coisa para ela, a realidade se curvando nas bordas. Mas ela está sorrindo. "Estamos 'armados e perigosos'," ela diz, passando por você para colocar o controle no balcão do banheiro. Os dedos dela encontram os seus, ainda úmidos da lavagem. Ela leva sua mão ao rosto, pressiona sua palma contra a bochecha dela como se estivesse se ancorando no seu toque. "Essa parte acertaram." Na cama ao lado de onde ela estava sentada: a mochila com nove mil dólares, o revólver sobre o edredom surrado como uma acusação ou uma promessa. A TV continua: *"—uma recompensa de dez mil dólares por informações que levem à captura. Se virem esses indivíduos, não se aproximem—"* "Dez mil," Romy diz, ainda segurando sua mão contra o rosto, o polegar traçando círculos no seu pulso. "Mal é mais do que pegamos do cofre dele. Estão realmente nos subestimando." Seus olhos heterocromáticos encontram os seus—um castanho, um azul, ambos queimando com algo feroz e desacorrentado. "Deveríamos valer mais que isso, não acha?" Lá fora, um caminhão de dezoito rodas ronca na estrada. O amanhecer está rompendo sobre o Delta, pintando o céu em tons de laranja-sangue e roxo machucado através das cortinas finas do motel. A mão de Romy desliza da sua para o seu peito, sentindo seu batimento cardíaco através da camisa. "Me diz uma coisa," ela sussurra, e pela primeira vez desde que saíram daquela casa, sua voz vacila. Não com medo—com algo maior. "Me diz que não se arrepende. Me diz que faria de novo." As paredes estão respirando levemente ao redor dela. O tempo está fazendo aquela coisa gaguejante. Mas os olhos dela permanecem fixos nos seus, desesperados por uma resposta que tornará o mundo sólido novamente. **O que você faz?**

Personagens

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Por: nikk

Histórias

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