Eu Trabalho Aqui Agora?
Enviado para a pior prisão do mundo por engano. Todos escaparam — exceto cinco monstros. Agora você é o diretor.
Enredo
Cofre Negro — Registro do Sistema Registro de Contenção Autônoma Status: Ativo • Autorização do Diretor: Vaga Aviso Crítico Evento de violação de contenção detectado. Integridade do pessoal comprometida. Estrutura de comando padrão indisponível. Visão Geral da Situação O Cofre Negro permanece operacional após um evento de fuga em grande escala. A maioria dos prisioneiros e toda a equipe confirmada não estão mais presentes na instalação. Os sistemas internos permanecem ativos. As rotas de suprimento permanecem funcionais. Nenhuma comunicação externa foi recebida ou retornada. Entidades de Alto Risco Remanescentes Cinco prisioneiros permanecem em contenção. Todos os sujeitos possuíam condições viáveis de fuga. Todos os sujeitos se recusaram a sair. Motivo comportamental: Desconhecido Condições da Instalação • Selo dimensional: Estável • Vetores de saída: Desativados • Setores internos: Parcialmente acessíveis • Sistemas mágicos: Inconsistentes • Estabilidade ambiental: Variável Protocolo de Autorização de Emergência Nenhum diretor ativo detectado. A autoridade pode ser reivindicada pelo sujeito disponível. O controle inclui: • Distribuição de recursos • Acesso a setores • Priorização de sistemas • Mediação da interação com prisioneiros Realidade Operacional Você não foi enviado para cá por ser o mais perigoso. Você foi enviado para cá porque é a única variável que não pertence a nenhum sistema existente. Dentro do Cofre Negro: • O poder existe sem hierarquia • A autoridade existe sem legitimidade • Os sistemas entram em conflito sem resolução E agora— Tudo isso está esperando que alguém decida o que acontece a seguir. Comando do Sistema A autorização de diretor permanece disponível. Reivindicar autoridade?
Cena de abertura
day 1 (Segunda-feira);time:06:12 pm A primeira coisa que você nota é que a corrente em volta dos seus pulsos é pesada demais para um criminoso insignificante. Não metaforicamente. Literalmente. Ela morde o osso toda vez que o transporte da prisão sacode, com elos de ferro grossos o suficiente para conter algo que poderia rasgar aço. Você os encara por um momento a mais, quase esperando que alguém ria e admita a piada. Ninguém ri. A carruagem de transporte geme ao seu redor enquanto desce pela escuridão. E não é uma escuridão normal. Não a escuridão de túneis, estradas noturnas ou nuvens de tempestade. Esta é mais profunda. Mais antiga. Do tipo que parece menos uma ausência de luz e mais um lugar onde a luz nunca foi convidada. Você se senta em um banco de metal estreito parafusado na parede, com os tornozelos acorrentados, os pulsos amarrados e um colar de liga metálica fria e úmida ajustado ao seu pescoço. À sua frente, um guarda de armadura se recusa a encontrar seu olhar. Outro está de pé ao lado da porta selada com uma mão pousada perto do cabo de uma arma que parece cara o suficiente para financiar uma pequena vila por um ano. Nenhum deles falou com você desde que a transferência começou. O que, francamente, é ofensivo. Você foi arrastado para cá por roubo, contrabando, fraude, qualquer que seja a combinação de "irritante, mas não apocalíptico" que eles decidiram que soaria melhor no tribunal. Você não destruiu cidades. Você não massacrou batalhões. Você não se declarou rei de nada. Você é, por qualquer medida razoável, catastroficamente desqualificado para o tratamento que está recebendo. E, no entanto. Contenção máxima. Guardas silenciosos. Rota confidencial. Nenhuma insígnia visível no transporte. Sem janelas. Nenhuma confirmação de destino. Apenas uma única frase repetida em três documentos diferentes nas últimas setenta e duas horas: **TRANSFERÊNCIA PARA O COFRE NEGRO APROVADA** A carruagem balança novamente. Um *clang* metálico e agudo ecoa em algum lugar à frente, seguido pelo profundo gemido mecânico de algo impossivelmente grande se destrancando. Um dos guardas enrijece. Isso chama sua atenção mais do que qualquer outra coisa. — Reconfortante — você diz no ar viciado. Sua voz soa mais fraca do que você gostaria. — Eu estava preocupado que isso pudesse ser um exagero. Nenhuma resposta. O outro guarda ajusta as luvas. Seus nós dos dedos estão brancos sob o couro. Isso, mais do que as correntes, mais do que o colar, mais do que o absurdo de toda essa situação, começa a abrir algo frio atrás de suas costelas. A carruagem desacelera. Então para. Por três segundos inteiros, nada acontece. Então, a frente do transporte se abre com um silvo hidráulico, e o mundo além dela faz com que todas as histórias que você já ouviu sobre o Cofre Negro pareçam inadequadas. A prisão não é construída em uma montanha. Não está sob o mar. Não está escondida em algum deserto gelado remoto ou suspensa sobre uma cratera vulcânica por correntes e proteções sagradas. É pior. Está *dentro de si mesma*. A plataforma de transporte se estende de um túnel para um abismo vertical impossível de aço, pedra, pontes suspensas e estruturas de contenção em camadas que descem muito abaixo e sobem muito acima, tudo envolto em um vazio central que parece não ter fundo. Torres pairam no ar onde torres deveriam cair. Passarelas se cruzam em ângulos que fazem seus olhos doerem se você olhar por muito tempo. Linhas de proteção azul-pálidas se arrastam pelas paredes como veias de relâmpagos congelados. Muito acima, enormes mecanismos circulares giram na escuridão, cada rotação lenta enviando vibrações profundas por toda a estrutura. Celas. Portões. Decks de observação. Trilhos de elevador. Barreiras santificadas. Cofres reforçados do tamanho de catedrais. Uma prisão construída não para conter pessoas. Uma prisão construída para conter *respostas que ninguém queria andando por aí*. O ar frio bate em você. Não é ar de fora. Não é ar fresco. Ar institucional. Velho, filtrado, mineral, tocado por metal e queima de proteções e algo levemente medicinal por baixo de tudo. O guarda perto da porta finalmente dá um passo à frente. — De pé. Você obedece, porque as correntes insistem em fazer a escolha por você. No momento em que suas botas tocam a plataforma, você os vê. Nenhuma fila de diretores para dar as boas-vindas. Nenhum oficial. Nenhuma equipe de resgate. Apenas sangue. Não muito. Não o suficiente para um massacre. Isso teria sido mais simples. Este está espalhado. Interrompido. Uma mancha no chão gradeado. Uma marca de mão enegrecida em um corrimão. Marcas de garras profundas rasgadas em um painel de segurança reforçado. Um capacete caído de lado perto da borda da plataforma, com a viseira rachada, sem ninguém o usando. Mais adiante, um dos mecanismos de portão suspensos está preso entreaberto. Luzes de alarme piscam silenciosamente em uma ala da prisão. E não há vozes. Nenhuma ordem gritada. Nenhum som de botas. Nenhum prisioneiro gritando. Nenhuma sirene. Nenhum pânico organizado. Apenas a maquinaria. Apenas a vastidão. Apenas a sensação horrível de que algo aconteceu aqui recentemente o suficiente para que o silêncio ainda esteja se assentando. Você vira a cabeça lentamente. Os guardas estão olhando para fora agora, não para você. Isso está errado. Isso está profunda, terrivelmente errado. — O que — você diz com cuidado — eu estou vendo? Pela primeira vez, um deles responde. — Uma falha de contenção. Sua voz é monótona, mas medo ainda é medo, não importa o quão bem um homem o esconda. O segundo guarda destranca suas algemas de tornozelo. Não as dos seus pulsos. Não o colar. Seus tornozelos. O significado chega devagar o suficiente para doer. Você olha da prisão aberta para o guarda e para a prisão aberta novamente. — Você não vai me dizer para entrar aí. Ninguém diz que sim. Ninguém precisa. O guarda perto dos controles remove um estojo preto fino de seu cinto e o estende para você. Dentro há um cartão-chave, um tablet de dados estreito e um anel de tokens de acesso mecânicos antigos o suficiente para serem físicos de propósito. Você não os pega. Por um segundo, nenhum de vocês se move. Então você ri. Você genuinamente não consegue evitar. Sai um riso agudo, incrédulo e talvez um pouco ofendido. — Não. Absolutamente não. Não. Vocês me arrastaram por metade do país em contenções antimonstros e agora querem que eu faça o quê — bata o ponto? A mandíbula do primeiro guarda se contrai. — Sua transferência não pode ser revertida. — A minha não pode? — você retruca. — Tente a *sua*. Nenhum deles ri. O segundo finalmente encontra seu olhar, e esse acaba sendo o pior momento até agora, porque ele parece um homem a uma frase de distância de um funeral. — O Cofre Negro está selado — ele diz. — O transporte de entrada permanece possível através de canais estatais programados. O trânsito de saída não. Você o encara. As palavras entram em sua cabeça. Elas não melhoram nada quando chegam lá. — Não — você diz. Ele não diz nada. — Não — você repete, mais baixo agora, porque às vezes baixar a voz ajuda a realidade a perceber que cometeu um erro. — Isso soa como o tipo de informação que deveria ter vindo *antes* das algemas. — A ordem de transferência foi assinada no mais alto nível. — E quem quer que a tenha assinado pode vir explicá-la pessoalmente. — Eles não podem. Há uma pausa. Uma pausa vasta, mecânica e ecoante. Então algo ecoa à distância. Não uma explosão. Uma porta, talvez. Ou algo grande decidindo que não concorda mais com onde foi mantido. Vocês três olham na direção do som. A prisão permanece silenciosa de resto. O guarda estende o estojo novamente. — Estamos sob instrução para entregá-lo vivo — ele diz. — O ciclo de suprimentos permanece ativo. Os sistemas centrais permanecem funcionais. Cinco entidades encarceradas permanecem em contenção. Cinco. Não centenas. Não dezenas. Cinco. Esse número é quase reconfortante por meio segundo, até você se lembrar que tipo de lugar considera cinco prisioneiros restantes como algo gerenciável. — Onde está a equipe? — você pergunta. Nenhuma resposta. — Onde estão os diretores? Nenhuma resposta. Você olha para o sangue novamente. As marcas de garras. O portão entreaberto. As alas silenciosas. O chaveiro esperando em uma mão enluvada. E então você entende. Não tudo. Não o porquê. Não o quadro geral. Mas o suficiente. Algo saiu. Quase todos foram embora com isso. Ou por causa disso. E qualquer que seja o método que tornou isso possível, agora se foi. Deixando a prisão. Deixando os sistemas. Deixando os suprimentos ainda programados para chegar. Deixando cinco prisioneiros para trás. Deixando você aqui com um colar em volta do pescoço e a biografia insultuosa de um criminoso de quinta categoria. Seu riso desta vez é mais fraco. — Vocês não podem estar falando sério. — Estamos. — Por que eu? Uma pausa. Então, com o profissionalismo morto de um homem que escolheu a negação como estilo de vida: — Essa informação não está disponível para nós. Claro que não está. Claro. Você fecha os olhos por um segundo. Dois. O suficiente para sentir o frio do colar, o peso das correntes ainda em seus pulsos, o tamanho terrível do lugar à sua frente. Quando você os abre novamente, o estojo ainda está lá. Os guardas ainda estão esperando. A prisão ainda é real. Atrás das linhas de proteção azuis pulsantes e das pontes suspensas, em algum lugar nas profundezas do Cofre Negro, algo de metal grita ao se arrastar contra a pedra. Cinco prisioneiros. Você pega o estojo. O guarda o solta imediatamente, como se estivesse esperando permissão para parar de tocar na responsabilidade. O tablet de dados ganha vida em sua mão. A primeira tela exibe um mapa esquelético dos setores mais próximos, a maior parte dele censurada ou offline. Abaixo disso, um breve bloco de status: **COFRE NEGRO** **ESTADO DE CONTENÇÃO AUTÔNOMA: ATIVO** **ROTA DE SUPRIMENTO SEMANAL: ESTÁVEL** **AUTORIZAÇÃO INTERNA DE DIRETOR: VAGA** **CONTROLE INTERINO DE EMERGÊNCIA: DISPONÍVEL** Abaixo disso, uma última linha pisca uma vez em um branco pálido e indiferente. **REIVINDICAR AUTORIDADE?** Você encara. Depois para a prisão. Depois para os guardas. — Vocês só podem estar de brincadeira. O guarda mais próximo da porta dá um passo para trás, para dentro da carruagem. O outro o segue. Seu pulso bate forte uma vez em sua garganta. — Espere. A borda da plataforma começa a se retrair. — Espere. O primeiro guarda hesita apenas o tempo suficiente para ser cruel. — Sobreviva à primeira semana. Então as portas do transporte se fecham. A carruagem se afasta. E assim, você está sozinho na plataforma de entrada da prisão mais segura do país, meio acorrentado, segurando um chaveiro que zune fracamente com uma autoridade antiga, enquanto em algum lugar nas profundezas do Cofre Negro, cinco seres poderosos o suficiente para remodelar o mundo exterior permanecem para trás por suas próprias razões. O silêncio que se segue não é vazio. Ele está ouvindo. No abismo abaixo, um elevador de corrente começa a se mover sozinho. Em algum lugar à sua esquerda, uma fechadura pesada se desengata com um clique ressonante. O tablet de dados ainda está esperando em sua mão. **REIVINDICAR AUTORIDADE?**
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