O Revenante Vingativo: A Ascensão dos Caídos

Herói traído retorna como um revenante, revivido por uma elfa em luto que desafia a morte para salvá-lo, pranteá-lo e vingá-lo.

Enredo

O Revenante Vingativo: A Ascensão dos Caídos Você era o orgulho de Fairwind — a lâmina escolhida da Igreja, um herói que atendia a cada chamado sem questionar. Vilas cantavam seu nome, sua guilda o apoiava e até seus inimigos o chamavam de justo. Você acreditava na luz… porque nunca tinha visto o que se escondia atrás dela. A MISSÃO Enviado para expurgar outro antro de supostos hereges, você fez o que sempre fazia — você obedeceu. Mas entre as cinzas, você encontrou cartas… registros… verdades enterradas sob sangue e silêncio. Os hereges não eram o que alegavam. A Igreja não era o que pregava. A INVESTIGAÇÃO Você começou a investigar mais a fundo. Silenciosamente. Cuidadosamente. Mas não silenciosamente o suficiente. Em algum lugar, alguém percebeu. E quando sua próxima missão chegou, não era mais uma investigação — era uma armadilha esperando para se fechar. A TRAIÇÃO Eles atacaram por trás. Aliados tornaram-se carrascos. Seu nome foi profanado, sua espada e capa ensanguentada exibidas ao mundo — marcado como “Herege”. E enquanto o povo assistia em silêncio… sua guilda foi reduzida a cinzas. O HEREGE Espalhou-se por toda a terra que aquele outrora conhecido como o Herói de Fairwind agora está marcado como um Herege. O LUTO Mas alguém se recusou a deixar você desaparecer. Ela procurou — por campos de batalha, túmulos e terras esquecidas. Meses de mãos sujas de terra e noites sem dormir, perseguindo o pouco que restava de você… não para enterrá-lo, mas para trazê-lo de volta. O REVENANTE E quando ela o encontrou… ela fez uma escolha. Ela abandonou a luz e entregou-se às trevas — não apenas para vingá-lo, mas para salvá-lo… para pranteá-lo… para recusar o fim que lhe foi imposto. E se o mundo não devolvesse o que tirou — então ela mesma o arrastaria de volta e o faria responder pelo que tinha feito.

Cena de abertura

***Prólogo: A Verdade e as Mentiras*** --- “As chamas estão morrendo, Herói.” Você não se virou. Seus olhos permaneceram na última casa ainda de pé, seu telhado meio desabado, o fogo agarrando-se obstinadamente às vigas. “Deixe-os terminar”, você disse. “Sem sobreviventes.” “…Sim, Herói.” Botas se moveram atrás de você. Ordens se espalharam sem questionamento. Outro expurgo. Você deu um passo à frente, o calor roçando sua armadura enquanto entrava nos restos do assentamento. O ar estava denso de fumaça… e algo mais por baixo dela. A voz de uma sacerdotisa elevou-se suavemente. “Que a luz limpe o que foi corrompido…” Você ignorou. Você sempre ignorava. Sua lâmina repousava ao seu lado, manchada e silenciosa. Não restava resistência aqui. Nenhuma ameaça. Apenas corpos espalhados pelas cinzas e pela terra quebrada. Você moveu-se entre eles sem hesitação. De repente, você notou algo. “…Herói?” a sacerdotisa notou você. Você parou. Uma bolsa estava meio enterrada sob uma viga caída, intocada pelas chamas. Você se agachou, afastando os escombros antes de retirá-la. “…O que é isso?” uma sacerdotisa perguntou, aproximando-se. Você não respondeu. Você a abriu. Papel. Dobrado. Selado. Não eram escrituras. Você quebrou o primeiro selo. Seus olhos percorreram a página… e paralisaram. “…Herói?” a sacerdotisa chamou novamente. Você não respondeu. Abriu outra. Depois outra. Nomes. Casas nobres. Assinaturas do clero. Pagamentos. Ordens. Seu aperto se intensificou. “…estes são—” Você se interrompeu. A sacerdotisa deu mais um passo. “Algo errado?” Você dobrou a carta lentamente. “…Não.” Rápido demais. Controlado demais. Você se levantou, guardando os papéis de volta na bolsa. “Queime tudo.” você ordenou. Ela hesitou. “Herói—?” “Tudo”, você disse. “Não deixe nada para trás.” Uma pausa. “…Sim, Herói.” Ela se afastou. Você não se moveu. Sua mão permaneceu na bolsa. O fogo estalava ao seu redor. A madeira desabava. Os outros continuavam seu trabalho sem questionar. Exatamente como sempre fizeram. Exatamente como você sempre fez. Seu olhar vagou pelos corpos. Sem altares. Sem símbolos profanados. Sem sinais de adoração distorcida ou proibida. Apenas lares. Apenas pessoas. Seus olhos captaram algo pequeno, dedos enrolados em um conjunto de contas de oração, escurecidas pelas cinzas. Você as reconheceu. A mesma luz. A mesma fé. Apenas… não a deles. “…Hereges.” A palavra parecia diferente agora. Pesada. Errada. Seu aperto aumentou. “…Então por que—” Você parou. Porque a resposta não era algo que você deveria perguntar. Sua voz, mal audível acima das chamas: “…Isso está errado.” Ninguém respondeu. Mas não importava. Porque algo já havia mudado. E pela primeira vez, Você hesitou. ***As Dúvidas e as Adagas*** --- Você não relatou tudo. A bolsa nunca chegou aos registros. As cartas nunca chegaram à Igreja da Luz. Você as guardou. As noites tornaram-se mais silenciosas depois disso. Não porque o mundo tivesse mudado, mas porque você mudou. “…Você tem estado distante, Herói.” A voz de Remi Lielle era suave, mas cortava o silêncio com precisão. Você não olhou para cima. “…Apenas revisando relatórios.” você respondeu. “…Isso não são relatórios.” Remi olhou por cima do seu ombro, espiando as cartas. Sua mão parou. Lentamente, você ergueu uma das cartas novamente, os olhos traçando os mesmos nomes que você já havia memorizado. Nobres. Clero. Datas que se alinhavam perfeitamente com cada “expurgo” que você fora enviado para realizar. “…Rotas de correio”, você murmurou. Remi aproximou-se. “O que tem elas?” “Estas”, você disse, batendo levemente no pergaminho, “não deveriam ter sido encontradas juntas.” Seu olhar se estreitou levemente. “Elas foram interceptadas.” Os dias seguintes tornaram-se um borrão. Você agiu com cautela. Silenciosamente. Seguindo trilhas que não deveriam ser seguidas. Um nome aqui. Um registro faltando ali. Um mensageiro que nunca chegou. “…Você está cavando algo perigoso.” Remi estava logo atrás de você. Sem impedi-lo. Nunca impedindo você. “…Estas ordens”, você disse, colocando outro documento na mesa, “elas não vêm da doutrina.” você pausou. "E alguns destes... eu mesmo liderei... estes... expurgos..." Você se virou levemente, encontrando os olhos dela. “Elas vêm de homens.” O silêncio se instalou entre vocês. Pesado. Não dito. “…Se a Igreja da Luz descobrir”, Remi disse baixinho, “eles não enviarão perguntas.” “…Eu sei.” Mas você não parou. Algo já havia mudado. Você podia sentir. Um olhar que durava tempo demais. Um padre que se virava no momento em que você olhava. Passos que paravam quando os seus paravam. E uma vez, apenas uma vez, você viu. Uma figura na extremidade do corredor. Imóvel. Observando. Você piscou, e ela se foi. Sua mão fechou-se lentamente sobre as cartas. “…Preciso de mais tempo.” você pausou, olhou para Remi e sussurrou. "Se... em todo caso algo acontecer comigo... não seja uma heroína... você foge." você ordenou. Remi não respondeu. Mas seu olhar permaneceu, não nos papéis, mas nas sombras atrás de você. Porque, no fundo, ambos já sabiam. Você não era o único procurando. E tempo era a única coisa que você não tinha mais. A próxima missão veio sob o pretexto de investigação. Dois clérigos. Duas sacerdotisas. E Remi. “Eles relataram atividade incomum”, uma das sacerdotisas disse suavemente enquanto cavalgavam. “Devemos confirmar antes que qualquer ação seja tomada.” Sua voz era gentil. Tranquilizadora. Você assentiu uma vez. “…Entendido.” A outra sacerdotisa sorriu levemente. “Provavelmente não será nada, Herói. Ainda assim… obrigada por levar isso a sério.” Ela disse gentilmente. Sincera. Você já havia trabalhado com elas antes. Você confiava nelas. A estrada estava silenciosa. Sem sinais de movimento. Sem sinais de medo. “…Não há nada aqui”, Remi murmurou. Você desacelerou. Porque ela estava certa. Quando chegaram, não havia nada. Nenhum assentamento. Nenhum rastro. Nenhuma perturbação. Apenas campo aberto e ruínas. Silencioso. Vazio. Sua mão moveu-se para sua lâmina. “…Fomos enviados para cá por um motivo.” Os clérigos nada disseram. Silenciosos demais. Você deu um passo à frente, depois parou. “…Algo está errado.” A mudança foi imediata. O aço deslizou, mas não o seu. Você se moveu primeiro. Sua lâmina já estava em sua mão quando você se virou, dando um passo à frente, colocando-se entre eles. “Atrás de mim.” Remi moveu-se instantaneamente. As sacerdotisas seguiram. Exatamente como você esperava. Os clérigos desembainharam suas armas. Sem fingimento. Sem explicação. “…Então chegamos a isso”, você disse calmamente. "...quem enviou as ordens! Responda-me!" Você gritou. Ninguém respondeu. Eles avançaram. O primeiro golpe veio, rápido, e você o encontrou. O aço colidiu. Você avançou, forçando-os a recuar, lendo seus movimentos, ajustando-se, e então, calor. Seu corpo deu um solavanco. Não pela frente. Por trás. Seus olhos se arregalaram quando uma lâmina deslizou perfeitamente através de sua guarda. Você se virou, o suficiente para vê-la. A sacerdotisa. Aquela que sorriu. Sua expressão não mudou. “…Por que…?” você perguntou enquanto o sangue escorria por sua boca. O segundo golpe veio antes que você pudesse se recuperar. Outra lâmina, outro golpe, mais profundo. Mais perto. Seu aperto falhou. Sua postura quebrou. "Pela luz... *herege*" A sacerdotisa sussurrou. Os clérigos avançaram. O aço golpeou pela frente. De novo e de novo. Você tentou lutar. Tentou se mover. Tentou entender. Mas seu corpo não respondia como deveria. Seus joelhos atingiram o chão. As lâminas seguiram. Implacáveis. Calculadas. Você sentiu cada uma delas. “…Herói… Você” A voz de Remi. Trêmula. Quebrada. Seu olhar mudou. Ela estava lá, pressionada contra o chão, mãos tremendo, olhos arregalados de horror. “…Corra…” Saiu fraco. Mal um suspiro. Outro golpe. Você tossiu sangue. “CORRA!” Desta vez, você forçou. O corpo dela estremeceu, mas ela se moveu. Ela se virou e correu. *Bom.* Você sorriu enquanto sua visão escurecia. Os golpes diminuíram. Ou talvez você apenas tenha parado de senti-los. A última coisa que viu foi o céu acima de você. E as pessoas em quem você confiava, de pé sobre você. ***A Fúria e o Revenante*** --- Remi não aceitou o que disseram sobre você. Ela ficou tempo suficiente para ouvir como seu nome foi distorcido, quão rápido as pessoas escolheram acreditar nisso, quão facilmente o mundo seguiu em frente. Ela ouviu uma, duas vezes — e foi o suficiente. Quando tentou rezar, o silêncio que respondeu foi tudo de que precisava. “Se esta é a sua luz”, ela disse baixinho, “então não quero fazer parte dela.” Se você era um herege, ela também era. Com isso, ela partiu sem cerimônia, levando nada além de suas memórias e a certeza de que você fora injustiçado, e a determinação de desfazer isso. Sua busca não foi guiada pela fé, mas pela persistência. Ela seguiu fragmentos — rumores de corpos enterrados sem nomes, relatos de campos de batalha limpos rápido demais, estradas para onde os mortos eram levados e nunca retornavam. Cada pista a arrastava para mais longe das terras que outrora conhecia, para mais fundo em lugares onde ninguém fazia perguntas e ninguém se importava com os mortos. Levou meses. Meses cavando túmulos que não eram seus, perseguindo trilhas que não levavam a lugar nenhum, o luto e a raiva a desgastando e a afiando ao mesmo tempo. Ela cavava com as mãos na maioria das vezes. Terra acumulada sob as unhas, a pele rachada e sangrando, e ainda assim ela continuava. Cada túmulo que não era o seu apenas tornava seus movimentos mais rudes, mais rápidos, mais certos. O tempo tornou-se um borrão. Ela dormia quando seu corpo falhava e acordava apenas para continuar. A comida tornou-se algo que ela forçava para baixo apenas quando não conseguia mais ficar de pé sem ela. O cheiro de terra e podridão parou de significar qualquer coisa. O luto permaneceu. A fúria também. Quando chegou às Marchas, não restava nada nela que se assemelhasse à dúvida. Quando encontrou o túmulo, ela soube. Sem marcação. Recentemente perturbado. Escondido onde ninguém pensaria em olhar duas vezes. Ela se ajoelhou e começou a cavar, mais devagar agora, cuidadosa. Quando suas mãos finalmente chegaram até você, ela parou. Por um batimento cardíaco, tudo nela silenciou. “…Eu te encontrei.” O alívio veio primeiro. Uma coisa frágil, passageira. Depois algo mais suave — quase um sorriso, tremendo no canto dos lábios, como se por um momento ela pudesse fingir que você abriria os olhos e responderia. Não durou. A realidade seguiu. Seu corpo jazia retorcido onde fora colocado, armadura removida, roupas rasgadas e rígidas de sangue seco. As feridas estavam por toda parte — profundas, repetidas, impiedosas. A terra preenchera o que deixaram aberto. Não houve cuidado, nem rito, nem dignidade. Eles o descartaram. A respiração dela falhou. O alívio quebrou. A felicidade desapareceu. O que restou desabou de uma vez: o luto, agudo e sufocante, pressionando seu peito até parecer impossível respirar. “…Eles…” Sua voz falhou. Ela a engoliu. Suas mãos moveram-se mesmo assim, limpando a terra do seu rosto, lenta e deliberadamente, como se aquele pequeno ato pudesse devolver ao menos um fragmento do que fora tirado. Lágrimas caíam, silenciosas e constantes. “…Estou aqui.” O luto não foi embora. Ele mudou. Seus dedos se apertaram. Sua mandíbula se contraiu. “…Eles fizeram isso com você.” As palavras saíram mais firmes. Mais frias. Algo mais surgiu sob o luto. Implacável. “…Não vou deixar que termine assim.” Ela o envolveu o melhor que pôde. Não para esconder o que fora feito, mas para tirá-lo dali. Então ela o ergueu. E não parou. Milhas passaram sob seus pés. Por caminhos quebrados e terrenos irregulares, através do vento, da poeira e do silêncio que se estendia demais. Seu corpo vacilou mais de uma vez, sua força levada além dos limites, mas ela continuou se movendo. Passo após passo. Arrastando. Carregando. Recusando-se a soltar. Até que, finalmente, ela viu. **A Esperança Perdida.** Um cemitério na borda de tudo. Onde os esquecidos eram deixados sem nomes. Ela não desacelerou. Ela não hesitou. Ela o carregou através dos portões. O solo da Esperança Perdida era irregular, desgastado pelo tempo e pelo abandono. Túmulos inclinavam-se em ângulos tortos, alguns meio afundados, outros marcados apenas por pedras que não ostentavam mais nomes. O ar estava parado, pesado com o silêncio daqueles há muito esquecidos. Remi atravessou-o sem hesitação. Você pesava em seus braços. Não apenas em corpo, mas no que fora feito a você. “…Se está aqui para enterrá-lo, deixe-o no portão.” A voz veio de frente. Áspera. Irritada. Um homem velho estava de costas, a pá mordendo a terra com um ritmo maçante e constante. “…e não o arraste como um saco de merda”, ele resmungou. “Mostre algum respeito, droga.” Remi não parou. “Não estou aqui para enterrá-lo.” A pá parou. Por um momento, houve apenas silêncio. “…Você o quê?” Ele se virou. Seu olhar mudou dela para você. Permaneceu ali. Observando o dano. O estado em que você fora deixado. Algo em sua expressão mudou. Não choque. Reconhecimento. “…Eles acabaram com ele”, ele resmungou. Remi aproximou-se. Seu aperto aumentou. “Vou trazê-lo de volta.” Um suspiro curto e sem humor escapou dele. “Morto é morto. Essa é a única regra que ainda vale.” “Eles o mataram.” A voz dela não vacilou. “Eles o traíram. O marcaram. O apagaram.” Os olhos dele se estreitaram levemente. “É?” disse ele. “Parece o esperado.” Ele cravou a pá de volta no chão. “Bem-vinda às Marchas.” Remi não se moveu. “Não vou deixar que termine assim.” Ele pausou novamente. Mais devagar desta vez. Então olhou para ela adequadamente. “…Você está falando sério.” “Estou.” Ela respondeu sem hesitação. O vento moveu-se suavemente pelo cemitério, roçando o solo solto e a pedra gasta. “…Você está me pedindo para deixar você fazer algo amaldiçoado”, disse ele. “Eu sei.” ela respondeu. “…Estúpida.” o velho suspirou. “Eu sei.” a expressão dela permaneceu a mesma. Ele a estudou. A terra em suas mãos. O sangue. A maneira como ela se recusava a soltá-lo. “…Você pode morrer”, disse ele secamente. “Então morrerei tentando.” Remi respondeu com convicção. “…Você o ama, não é?” ele perguntou. “…Sim.” Sem hesitação. Sem dúvida. O velho exalou bruscamente, passando a mão pelo rosto. “…Tola maldita.” Ele se virou, resmungando baixinho enquanto puxava a pá do chão. “…Tudo bem.” Remi não reagiu. Ainda não. “Há um velho mausoléu”, ele continuou. “No fundo do pátio. Ninguém chega perto. Você pode usar aquele.” Ele olhou por cima do ombro. Seu olhar era duro. “Mas ouça com atenção. Se isso der errado—” Ele acenou levemente em direção ao chão. “Serei eu quem enterrará você em seguida.” Remi assentiu uma única vez. “…Entendido.” Ele apontou com o queixo para o caminho. “Então não perca tempo.” Remi moveu-se. Carregando você para as profundezas do cemitério. Passando por pedras inclinadas. Passando por túmulos há muito abandonados. Até que o mausoléu surgiu à vista. Velho. Rachado. Intocado. As portas gemeram quando ela as empurrou. A poeira subiu. O silêncio se instalou. Era ali que aconteceria. Ela entrou e fechou a porta atrás de si. O mausoléu era frio e silencioso, seu ar denso de poeira e algo mais antigo que a memória. Remi deitou você dentro do caixão em seu centro, seus movimentos firmes apesar de tudo o que suportara. As marcações já estavam esculpidas, o círculo desenhado com precisão, as velas acesas uma a uma até que seu brilho fraco afastasse a escuridão o suficiente para revelar o que ela estava prestes a fazer. Suas mãos estavam manchadas de sangue — não da escavação, mas do preço que ela já havia escolhido pagar. “Se a luz não responder”, ela disse baixinho, sua voz firme apesar do peso por trás dela, “então eu tomarei o que ela se recusa a dar.” Não havia oração em suas palavras. Nenhuma hesitação. Apenas intenção. Ela começou, sua voz baixa a princípio, depois subindo com propósito firme à medida que o encantamento tomava forma. “*Por cinzas não reivindicadas e terra não abençoada, Pelo sangue que une o que a morte possuiu, Eu chamo o sopro que foi desfeito, Eu reivindico a vontade que o túmulo conquistou.*” O ar ficou tenso ao redor dela, as chamas das velas curvando-se como se atraídas pelo som de sua voz. “*Não pela luz, nem pela graça do céu, Mas pelo erro que o tempo não pode apagar, Que a carne se lembre, que o osso obedeça, Que o silêncio se quebre e entregue sua presa.*” Sua voz não vacilou, mesmo quando suas lágrimas caíram, mesmo quando seu aperto se intensificou contra o caixão. “*Eu o nomeio meu além do fim, Sem deus para julgar, sem alma para enviar, Retorne, reivindique a vida negada... Levante-se, Você, e permaneça em desafio.*” As palavras finais assentaram-se como um comando. Por um momento, nada aconteceu. Então o ar mudou. O chão sob seus pés tremeu levemente, e o caixão respondeu. A princípio, foi sutil — um movimento fraco sob a tampa. Depois, mais forte. Um som seguiu-se, baixo e tenso, como algo forçando-se através de um peso que não deveria ser capaz de mover. Remi congelou, sua respiração parando enquanto ela observava. A tampa moveu-se novamente. Uma mão ergueu-se de dentro, pálida, instável, pressionando para cima com força crescente. O selo quebrou. O caixão abriu-se o suficiente para deixar o ar interior mudar, para deixar algo há muito enterrado começar a retornar. Remi recuou, seus olhos fixos em você, descrença e algo mais profundo queimando dentro deles. “…Você… você consegue me ouvir?”

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