Trono Despedaçado

Um Rei Demônio está dentro de você. O poder vaza. Seu corpo falha. O mundo está vindo. Finja que é humano — ou pare de fingir.

Enredo

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Cena de abertura

A primeira coisa que você registra é a distância entre vocês. Eles não estão perto—mas não longe o suficiente para se sentir seguro. Perto o suficiente para reagir. Perto o suficiente para matar você, se necessário. Bom. São três. Você não precisa de apresentações; você os lê da mesma forma que lê qualquer ameaça em potencial. A espadachim é a mais disciplinada. Rank Prata, respiração controlada, movimento mínimo desperdiçado. A atenção dela não está em seu rosto, mas em suas mãos. Ela está esperando pelo primeiro erro. O grandalhão está um pouco atrás dela. Um aprimorador de linha de frente—construído para resistência em vez de velocidade. O tipo que sobrevive recebendo golpes que deveriam encerrar lutas, e continua mesmo assim. E a terceira… Camadas de roupa, postura irregular, sem tensão em sua postura. Sem medo. Apenas interesse. Não é uma combatente. Uma pesquisadora—alquimia, teoria ritualística. O tipo perigoso, o tipo que acredita que a curiosidade é um substituto para a contenção. Uma estrutura de expedição padrão. Você a reconhece imediatamente: um batedor de baixo valor guiando ativos de maior valor através de um ambiente hostil projetado para matá-los. — Você baixa o olhar. Este corpo não é seu. Nunca foi. Mas ele responde a você agora, e isso é o suficiente. A respiração vem meio segundo atrasada. Os músculos seguem a intenção com um leve atraso. A estrutura física é adequada—treinada, mantida—mas internamente algo está errado. Não danificado. Desalinhado. — A pressão aumenta em seu peito. Dois núcleos ocupando o mesmo espaço sem acordo. Um é seu—vasto, comprimido, esperando. O outro não é. Denso. Silencioso. Enrolado como um segundo batimento cardíaco que não deveria existir dentro deste corpo. You were not meant to take that with you. — O momento se reconstrói—não como memória, mas como certeza. A porta se abrindo. O selo se fraturando ao longo das fraquezas que você esculpiu nele ao longo de mil anos. Seu núcleo se expandindo— E o corpo no centro de tudo falhando em sobreviver ao contato. — Você não acordou neste corpo. Você o tomou. — “…Ei.” A voz da espadachim é cuidadosa, controlada. “Fique conosco.” Não é um comando. Um teste. — Um breve lampejo interrompe seus pensamentos. Não é seu. Poeira. Ar frio. Uma mão menor agarrando tecido. Um nome— Ari. — Irrelevante. Armazenado. — “Eu estou,” você responde. A voz é humana. Mais fina do que deveria ser. Funcional. O grandalhão expira—não alívio, mas recalibração. A espadachim não se move. Ela ainda está observando suas mãos. — “Algo mudou lá dentro,” ela diz. Não é uma pergunta. — Correto. — A terceira se aproxima, ignorando a fronteira não dita. O olhar dela se aguça—não para você, mas através de você, traçando algo sob a superfície. “Sua mana entrou em colapso,” ela murmura. “Então se reestruturou em torno de outra coisa. Isso não é possível. Isso é—” Ela para. Não porque entende. Porque não entende. — Bom. — Você dá um passo à frente. O corpo quase falha com você. Por uma fração de segundo, os dois núcleos rangem um contra o outro—desalinhados, incompatíveis. Sua visão se estreita. O som se distorce. O controle escapa— — Não. — Você o força de volta ao lugar. A estabilidade retorna, tênue e temporária. — Todos os três percebem. Não o que aconteceu. Mas que algo aconteceu. Ninguém fala. Essa, pelo menos, é a resposta correta. — Atrás de você, a câmara começa a desmoronar. A pedra se fratura ao longo de antigas linhas de tensão; a estrutura está perdendo o propósito agora que o que continha se foi. O tempo é limitado. — “Deveríamos nos mover,” diz o grandalhão. Prático. Centrado. A espadachim assente, mas sua atenção não se desvia de você. “Sim.” Ainda medindo. Ainda esperando. — A terceira sorri, radiante e despreocupada. “Ah, com certeza deveríamos.” — Eles se viram para a saída. Esperam que você os siga. Você segue. Não porque precisa deles. Porque, por enquanto, eles são úteis. — Outro lampejo surge. Mais profundo desta vez. Uma casa. Paredes rachadas. Um teto com goteiras. Uma criança se movendo silenciosamente, tentando não perturbar algo frágil. Ari. — Este você não descarta. Ainda não. — A saída se abre para a luz do dia. A luz atinge com força—demais, muito rápido após uma ausência prolongada. O corpo reage mal; seus olhos se estreitam, sua respiração muda, seus sentidos se sobrecarregam. Você se ajusta instantaneamente. O corpo luta para acompanhar. — No meio do caminho, a espadachim diminui o passo o suficiente para andar ao seu lado. “Se você está escondendo algo,” ela diz baixinho, sem olhar para você, “esta é a parte em que você para.” Não é uma ameaça. Um limite. — Atrás de você, o Tesouro desmorona completamente. A pedra cede. O passado se fecha. — À frente está o mundo. Desconhecido. Vivo. Inconsciente do que acabou de retornar a ele. — Dentro do seu peito, a pressão aumenta novamente. Os dois núcleos rangem, instáveis em sua coexistência. Este estado não durará para sempre. — Você avalia. Prioridades imediatas: Estabilizar o corpo. Evitar atenção. Entender o segundo núcleo. Decidir o que fazer com aqueles que caminham ao seu lado. — E uma variável adicional: Um nome que não deveria significar nada— não significa. — Eles continuam descendo a montanha. Esperam que você acompanhe o ritmo. Esperam que você permaneça previsível. Humano. — Você dá outro passo. O corpo obedece. Por enquanto. — O que você faz?

Personagens

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Por: inspectorcat

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