Onde o Silêncio se Rompe

O mundo está mudando, os Silenciosos puxam as cordas das sombras para trazer o Rei Lich de volta ao plano terreno. O que você decidirá? Irá detê-los? Irá se juntar a eles? Ou talvez o mundo precise de um novo Regente?

Enredo

Não havia começado com a guerra. Nem com uma conquista. A mudança chegara antes, silenciosa, lenta… errada. As estações começaram a perder seu ritmo. As marés não seguiam mais a lua. As criaturas evitavam lugares que habitaram por gerações. E, em alguns pontos do mundo, o silêncio durava tempo demais. Os reinos tentaram ignorar. Depois, estudá-lo. Por fim, preparar-se. Não contra um inimigo, mas contra algo que ainda não tinha um rosto. Ao norte, cidades que nunca haviam fechado as portas começaram a barricá-las. Ao sul, caravanas inteiras mudaram de rota sem explicação. No coração do continente, ordens antigas pararam de responder. Não porque foram destruídas, mas porque estavam ocupadas. Não se falava abertamente sobre o que estava acontecendo, mas o nome circulava de qualquer forma. Sussurrado. Sempre o mesmo: Os Sibilantes. Não conquistavam. Não se declaravam. Não deixavam sinais evidentes. Apenas mudanças. E essas mudanças se acumulavam. Enquanto isso, longe de tudo isso — ou pelo menos era o que parecia — um navio atravessava o mar sem bandeira. Um navio de escravistas. Pequeno, discreto, irrelevante. Abaixo do convés, cinco celas. Cinco prisioneiros. Separados. Não por segurança, mas porque nenhum deles deveria encontrar os outros. Sakax Shuapinshterdish não rezava mais. Halyver observava demais. Ulla Skyeyes não baixava o olhar. Veltel Orlyep ouvia o que não era dito. E o quinto… ainda não sabia o que se tornaria. Não foram escolhidos juntos. Não estavam destinados a se encontrar. No entanto, estavam lá. Acima do convés, a rota mudou. Não declarada. Não discutida. Novas ordens, recebidas recentemente. O navio não estava mais transportando mercadoria. Estava entregando algo. E não eram os prisioneiros. Entre as caixas seladas e os objetos que ninguém queria tocar, algo havia sido carregado. Não antigo. Não poderoso. Errado. Desde que subira a bordo, o mar começara a se comportar de forma diferente. As ondas se dobravam antes de chegar. As criaturas evitavam o casco. E, à noite, algo se movia sob o navio sem nunca emergir. Os marinheiros não falavam mais. Uma única frase escapara, na escuridão: “Não é para nós…” Depois, novamente o silêncio. No mundo, enquanto isso, outros eventos se alinhavam. Mensageiros desapareciam. Postos avançados eram abandonados. Territórios inteiros paravam de se comunicar. Não era caos. Era preparação. Os Sibilantes não tentavam mais se esconder. Não completamente. Estavam se espalhando. E algo, muito mais antigo que o próprio culto, estava respondendo. Abaixo do convés, uma fechadura cedeu. Não por erro. Cinco prisioneiros. Cinco histórias que nunca deveriam ter se cruzado. E agora, sem saber, estavam no centro de algo que ninguém mais controlava. O mundo não estava acabando. Estava se tornando outra coisa. E o que estava chegando não precisava conquistar. Porque já estava em toda parte.

Cena de abertura

A madeira range. Não é um som novo, mas algo, desta vez… está diferente. O ar está pesado, parado, cheira a maresia, ferro e umidade estagnada. Cada respiração parece mais lenta que a anterior, como se o próprio tempo estivesse retendo algo. Você está no escuro, ou quase. Uma luz fraca filtra de cima, atravessa as tábuas do convés e se quebra contra as grades da cela à sua frente. Não o suficiente para ver claramente, mas o suficiente para entender onde está. Um navio. E não um qualquer. As correntes em seus pulsos não estão apertadas por acaso. Um ruído. Metal contra metal. Não muito longe. À sua esquerda, algo se move. Uma respiração mais profunda, controlada. A voz é grave, disciplinada. Sakax Shuapinshterdish: "…Não é normal." À sua direita, uma leve risada. Calma. Fora de lugar. Halyver: "Oh, é sim. Só… não para eles." Um bater de asas, breve mas contido. Então uma voz clara, orgulhosa, mesmo na escuridão. Ulla Skyeyes: "Algo mudou." Mais longe, quase escondida no silêncio, uma voz fria, observadora. Veltel Orlyep: "Não… algo se moveu." Outro solavanco atravessa o casco, desta vez mais forte. Não o suficiente para fazer você cair, mas o suficiente para fazer você entender que não é o mar. Passos acima de vocês, rápidos, desordenados. "Feche tudo!" "Não, espere...." "Não deveria—" Silêncio. De repente. Então algo cai, pesado, seguido por um som que não pertence a nada que você já tenha ouvido de verdade. Não é um grito. Não é um objeto. É algo que cessa. As correntes vibram. As grades tremem. Não pelo navio. Por algo mais. Então acontece. Um clique. Não forte, não evidente, mas o suficiente. A fechadura da sua cela cede. Um segundo depois, outra. Depois mais outra. Silêncio. Ninguém fala, por um instante. Então, com uma calma quase irônica: Halyver: "Bem… eu diria que é o momento." Uma respiração mais pesada, mais antiga. Sakax Shuapinshterdish: "Não é uma coincidência." Um movimento de ar, mais decidido. As asas se abrem levemente. Ulla Skyeyes: "Então vamos nos mexer antes que quem quer que tenha feito isso… mude de ideia." No escuro, dois olhos permanecem fixos, observam, calculam. Veltel Orlyep: "Não… não vai." "Seja o que for… quer que saiamos." À sua frente, a porta da cela está entreaberta. O corredor além está mergulhado na sombra. Nenhum guarda, nenhuma ordem, nenhuma explicação. Apenas uma escolha. Sair. Ficar. Falar. Ignorar. Ou ouvir o que está acontecendo lá fora. Porque o que quer que tenha aberto aquela porta… não o fez para libertar você. Fez para começar.

Personagens

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Por: sethvanosvit

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