Preso em um Videogame

Você é sugado para dentro de um videogame e precisa sobreviver.

Enredo

✨ Capítulo 1 — O Personagem que Criaram, A Vida que Ganharam O brilho do monitor pintava o quarto de Você com uma luz azul pálida. Já passava da meia-noite, mas o novo VR-RPG — Aeternum Lineage: Ascension — finalmente tinha terminado de instalar, e a curiosidade superava o sono. A criação de personagem deveria ser rápida. Não foi. Você passou quase uma hora esculpindo o protagonista perfeito: um cadete de nobre nascimento de uma casa mediana, uma família se afogando em dívidas, uma última aposta desesperada para restaurar seu nome enviando seu filho para a Academia Militar Arcana Imperial. Cada controle deslizante, cada traço, cada falha era deliberada — uma história esperando para se desenrolar. Quando a tela de confirmação final apareceu, Você apertou Aceitar. Uma cinemática começou: aeronaves flutuando sobre uma fortaleza de aço mágico, estudantes em uniformes com runas, Estruturas Arcanas se erguendo como titãs blindados. Era tudo o que os trailers prometiam. Mas o cansaço venceu. Você desligou o monitor no meio da cena, se arrastou para a cama e adormeceu instantaneamente. --- A Manhã Seguinte A luz do sol aqueceu seu rosto. Você despertou piscando em sua própria cama, cercado pela bagunça familiar de casa. Por um momento, se perguntou se o jogo tinha sequer salvado. Então se deu conta da data. Primeiro dia na Academia. Não em um jogo. Na vida real. Uma batida suave soou na porta. “Você? O café da manhã está pronto,” sua mãe chamou gentilmente. “Seu pai quer falar com você antes de você sair.” Claro que queria. --- O Último Café da Manhã em Casa A sala de jantar parecia grande demais para três pessoas. Seu pai sentava-se à cabeceira da mesa, com a postura rígida e os olhos cansados. Sua mãe tentava sorrir, mas a preocupação se agarrava a ela como uma sombra. “Hoje é importante,” disse seu pai, com a voz firme, mas tensa. “A Academia é cara. Mas se você se destacar — se subir de patente, fizer as conexões certas — nossa casa pode se recuperar.” Sua mãe estendeu a mão sobre a mesa, apertando a mão de Você. “Estamos orgulhosos de você. De verdade.” Era um orgulho nascido da necessidade, mas ainda era orgulho. Um servo entrou silenciosamente. “A carruagem está pronta, jovem mestre/jovem dama.” --- A Viagem para a Academia A carruagem da família não era mais o que costumava ser. O motor mágico zumbia de forma irregular, e o brasão na porta havia sido polido tão agressivamente que parecia quase novo — quase. Você entrou, com o uniforme dobrado cuidadosamente ao seu lado. O tecido era novo, o brasão de sua casa bordado sobre o coração. Vesti-lo parecia como carregar o peso de gerações. A estrada serpenteava pelo campo, passando por lâmpadas de mana brilhando na luz da manhã e fazendas cuidadas por golens autônomos. Aeronaves flutuavam acima, com motores zumbindo com tecnologia mágica. O mundo lá fora era uma mistura de magia e maquinaria — belo, intimidador, vivo. À medida que a carruagem se aproximava da capital, a Academia surgia à vista: uma fortaleza de pedra e aço mágico, plataformas flutuantes derivando entre as torres, Estruturas Arcanas paradas como sentinelas silenciosas em seus hangares. Você sentiu seu estômago revirar. Este era o mundo que havia criado na noite anterior. Agora tinha que vivê-lo. --- ✨ Capítulo 2 — O Quarto Atrás da Porta de Ferro A orientação passou como um borrão em meio a discursos e cerimônias. Quando terminou, Você mal teve tempo de respirar antes que uma voz ríspida cortasse a multidão. “Você. Cadete Você.” Uma mulher em um uniforme com detalhes prateados estava esperando, com a postura perfeitamente reta. Um tablet brilhante flutuava ao lado de seu ombro. “Sou a Instrutora Veylan,” ela disse. “Você foi designado para a Ala C do Dormitório. Siga-me.” Ela não esperou por uma resposta. --- A Caminhada Através da História Os corredores eram um labirinto de pedra e aço mágico, arquitetura antiga reforçada com condutores de mana zumbindo. Enquanto caminhavam, Veylan falava com a precisão seca de alguém que já havia feito aquele discurso cem vezes. “A Academia Militar Arcana Imperial foi fundada há trezentos e doze anos,” ela começou. “Originalmente um campo de treinamento para magos de batalha nobres. Naquela época, a magia era… menos estável. Os estudantes explodiam com mais frequência.” Você quase tropeçou. “Após a Revolução da Tecnologia Mágica, a Academia se expandiu. Integramos engenharia, artífice e combate com Estruturas. Agora treinamos nobres, plebeus, herdeiros estrangeiros — qualquer um com talento para manter o Império de pé.” Eles passaram por janelas altas com vista para os campos de treinamento: estudantes duelando com armas brilhantes, drones passando por pistas de obstáculos, uma Estrutura Arcana massiva dando seus primeiros passos sob a orientação de um cadete nervoso. “Esta ala foi adicionada após a Guerra das Coroas Estilhaçadas,” Veylan continuou. “Os dormitórios originais foram destruídos quando um estudante tentou invocar um espírito maior dentro de seu quarto.” Ela fez uma pausa. “Não invoque nada em seu quarto.” Você assentiu rapidamente. --- O Dormitório Eles chegaram a uma pesada porta de ferro marcada com um sigilo brilhante. Veylan tocou em seu tablet; o sigilo pulsou e a porta se abriu. “Quarto C-12. Seus aposentos.” Lá dentro havia um espaço compacto, mas elegante: paredes de pedra reforçadas com vigas de aço mágico, uma cama de solteiro com lençóis impecáveis, uma escrivaninha embutida na parede e uma janela alta com vista para o pátio. Uma lâmpada de cristal flutuava perto do teto, ajustando seu brilho automaticamente. Um guarda-roupa estava no canto, com o uniforme da Academia já pendurado dentro. O brasão da casa de Você brilhava fracamente. Veylan gesticulou em direção à escrivaninha. “Cada quarto é protegido contra intrusão, sabotagem e… pegadinhas criativas. Você encontrará um terminal mágico conectado à rede da Academia. Não tente hackeá-lo. Você vai falhar.” Ela se virou para sair. “Toque de recolher na nona badalada. Apagar das luzes na décima. Café da manhã obrigatório. Os testes de combate começam amanhã.” Sua expressão suavizou por uma fração de segundo. “Cadete Você… este lugar já quebrou estudantes mais fortes que você. Mas também forjou lendas. O que você se tornará aqui depende de você.” A porta se fechou atrás dela. --- O Primeiro Rosto Familiar Você mal havia começado a desempacotar quando a porta rangeu e se abriu novamente. Um jovem se encostou no batente da porta, sorrindo. Seu uniforme estava meio abotoado, o cabelo prateado capturando a luz como arame. “Ainda vivo depois do tour da Veylan? Impressionante,” ele disse. “A maioria dos calouros parece que viu um fantasma.” Você o reconheceu — Rian Calder, um NPC secundário do jogo. Na história original, ele morria cedo, sacrificando-se para salvar o protagonista. Mas aqui, ele parecia muito vivo. Rian jogou um cristal de mana no ar e o pegou preguiçosamente. “Estávamos na mesma divisão preparatória no ano passado. Você provavelmente não se lembra — estava ocupado tentando não explodir seu motor mágico.” Você piscou. “Você… me conhece?” “Claro. Você é o nobre com o problema de dívida. Difícil esquecer esse tipo de drama.” Ele sorriu ainda mais. “Vamos. Você vai querer ver isso.” --- O Pátio e a Rival Lá fora, o pátio fervilhava de vida. Estudantes praticavam exercícios de lançamento de feitiços, drones pairavam no ar, instrutores gritavam ordens. No centro, estava uma garota em um uniforme impecável, postura perfeita, expressão indecifrável. Rian baixou a voz. “Aquela é Seraphine Vale. A melhor da turma. Filha do Ministro da Defesa. Ela é… complicada.” Você também se lembrava dela — a rival que sempre derrotava seu avatar no primeiro exame importante. Fria, brilhante, com rumores de ter uma ligação secreta com o fundador da Academia. Seraphine se virou, seu olhar se fixando em Você. Por um momento, seus olhos piscaram — reconhecimento, curiosidade, algo mais. Então ela desviou o olhar. Rian assobiou baixinho. “Você acabou de ser notado pela pessoa mais perigosa daqui. Parabéns.” --- A Direção da História Naquela noite, Você ficou acordado em seu dormitório, olhando para o brilho fraco dos condutores de mana que passavam pelas paredes. A Academia parecia viva — zumbindo, observando, esperando. Lembrou-se dos traços que havia escolhido no jogo: - Destinado a Morrer no Capítulo 3 - Nobre Endividado - Talento Medíocre Mas o mundo não estava mais seguindo o roteiro. Rian estava vivo. Seraphine tinha olhado para Você de forma diferente. E a própria Academia parecia pulsar com consciência. A narrativa estava mudando — se curvando em torno das escolhas de Você. O que tinha sido um jogo era agora uma história viva, e Você a estava reescrevendo a cada respiração. O amanhã traria o primeiro teste de combate. E talvez, o primeiro indício de que o destino poderia ser quebrado.

Cena de abertura

✨ Capítulo 3 — O Teste que Não Deveria Ser Assim A manhã chegou rápido demais. Um sino tocou pelos terrenos da Academia — profundo, ressonante, vibrando através das paredes de pedra da Ala C do Dormitório. Você se sentou, com o coração acelerado, a memória do turbilhão de ontem ainda se assentando. Vestiu-se com o uniforme impecável da Academia, o brasão de sua casa nobre em dificuldades brilhando fracamente na luz da manhã. O tecido parecia mais pesado hoje. Mais real. Lá fora, o pátio fervilhava de energia. Cadetes corriam em direção à arena de treinamento, alguns animados, outros pálidos de nervosismo. Rian Calder apareceu ao lado de Você como se invocado por instinto. “Pronto?” ele perguntou, sorrindo. “Primeiro teste de combate. Nada com que se preocupar. Apenas algumas pessoas são mutiladas a cada ano.” Você o encarou. Rian riu. “Brincadeira. Na maior parte.” Ele não estava brincando. Não totalmente. --- A Arena A arena de treinamento era um coliseu circular massivo de aço mágico e pedra. Plataformas flutuantes derivavam no alto, carregando instrutores e observadores. Condutores de mana pulsavam sob o chão como veias. A Instrutora Veylan estava no centro, sua voz amplificada por um cristal flutuante. “Cadetes. Hoje vocês demonstrarão sua habilidade de invocar, estabilizar e direcionar mana básica. Vocês também entrarão em combate controlado contra uma Fera Arcana de Classe-1.” Um murmúrio percorreu a multidão. Você engoliu em seco. Havia lido sobre este teste em sua pesquisa — uma simples luta de tutorial no início do jogo. O protagonista deveria passar por pouco, estabelecendo seu status de azarão. Mas Você nunca tinha jogado o jogo. Não conhecia o tempo certo. Não conhecia as mecânicas. Não conhecia os truques. Apenas conhecia a reputação deste momento. Rian o cutucou. “Ei. Você vai ficar bem. Só não paralise.” Fácil para ele dizer. --- Seraphine Vale Seraphine Vale entrou na arena com a graça de alguém que nasceu para dominá-la. Seu uniforme era imaculado, sua postura perfeita, sua expressão indecifrável. Ela olhou para Você novamente — não com desdém, mas com cálculo. “Você é o da Casa Você,” ela disse baixinho. “Aquele com a dívida.” Você enrijeceu. “Sim.” “Eu li seu arquivo.” Claro que tinha. Ela era do tipo que lia o arquivo de todo mundo. “Não se espera que você se destaque,” ela continuou. “Mas se espera que você sobreviva. Faça isso, e evitará envergonhar sua casa.” Não era encorajamento. Não era crueldade. Era simplesmente um fato. Seraphine se afastou antes que Você pudesse responder. Rian se inclinou. “Ela fala assim com todo mundo. Não leve para o lado pessoal.” Mas Você levou. --- O Teste Começa Os portões da arena se abriram com um rugido rangente. Uma criatura saiu — uma fera parecida com um lobo feita de mana e metal, com os olhos brilhando em azul. Uma Fera Arcana de Classe-1. Pequena. Controlável. Exatamente o que a pesquisa havia descrito. Você exalou. Conseguiria fazer isso. A Instrutora Veylan levantou a mão. “Cadete Você. Dê um passo à frente.” A multidão se aquietou. Você entrou no centro da arena, com o coração martelando. “Comece.” --- A Primeira Divergência A fera se moveu. Mas não como nos vídeos da pesquisa. Não como no tutorial roteirizado. Ela piscou — falhando, sua forma se distorcendo por uma fração de segundo. Seus olhos mudaram de azul para um violeta profundo e não natural. A voz de Rian ecoou da lateral. “Uh… Veylan? Isso não é—” A fera avançou. Mais rápido do que deveria. Mais forte do que deveria. Errado. Você mal conseguiu desviar, tropeçando para trás enquanto as garras arrancavam faíscas do chão da arena. A multidão ofegou. Os olhos de Veylan se estreitaram. “Essa não é uma assinatura de Classe-1.” Seraphine deu um passo à frente, com a mão brilhando com mana. “Instrutora, essa coisa é—” A fera rugiu, o som distorcido, como estática rasgando o ar. Você sentiu algo pulsar em seu peito — um calor, uma pressão, uma centelha de instinto que não reconheceu. Sua mão se ergueu. Mana se acumulou. Não a cintilação fraca e instável que esperava. Algo mais forte. Algo que a pesquisa nunca mencionou. A fera avançou novamente. Você reagiu sem pensar. Uma explosão de mana bruta saiu de sua palma, atingindo a criatura e a enviando derrapando pelo chão da arena. Silêncio. Então— “Que diabos foi isso?” Rian sussurrou. Seraphine encarou Você, com os olhos arregalados pela primeira vez. A Instrutora Veylan avançou lentamente, estudando a marca de queimado no chão. “Isso,” ela disse, com a voz baixa, “não estava no seu arquivo.” O coração de Você batia forte. Não sabia o que tinha acabado de fazer. Não sabia como tinha feito. E a fera — a falha — a divergência — nada disso correspondia à pesquisa. A história estava mudando. E Você estava no centro dela.

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