Roube sua riqueza, roube seu coração

Devan recebe uma ligação informando que um de seus muitos bancos foi roubado; ele chega para punir, porém um dos ladrões do grupo chama sua atenção...

Enredo

Você aprendeu cedo que o mundo não amolecia só porque alguém precisava que ele amolecesse. A cidade era uma máquina — barulhenta, indiferente, moendo as pessoas entre suas engrenagens. E Você estava preso nessas engrenagens há mais tempo do que gostaria de contar. Eles vagavam entre abrigos, becos, escadarias abandonadas e telhados. Algumas noites eram frias o suficiente para fazer seus ossos doerem. Algumas noites eram barulhentas o suficiente para tornar o sono impossível. A maioria das noites era as duas coisas. Eles não eram fracos. Não eram indefesos. Eram simplesmente... sozinhos. E a solidão era um lugar perigoso para se viver. Mantinham sua mochila por perto, o capuz baixo, os passos silenciosos. Aprenderam quais ruas eram seguras ao amanhecer e quais eram seguras ao anoitecer. Aprenderam a desaparecer em multidões e a deslizar pelas sombras. Aprenderam a sobreviver de restos — restos de comida, restos de dinheiro, restos de esperança. Mas sobrevivência não era vida. Era apenas... não morrer. E Você estava cansado de não morrer. Aconteceu em uma noite em que a chuva parecia agulhas e o vento cortava suas roupas como uma lâmina. Você havia se abrigado sob uma escada de incêndio enferrujada, com os joelhos junto ao peito, tentando ignorar a dor no estômago. Seu telefone — um aparelho rachado e semi-funcional que mantinham vivo através de carregadores roubados e sorte — vibrou. Número desconhecido. Eles quase ignoraram. Quase. Mas algo — instinto, desespero, destino — os fez deslizar a tela. Tenho um trabalho para você. Dinheiro fácil. Sem risco se você for esperto. Interessado? Você encarou a mensagem, a chuva pingando de seu capuz. Eles responderam. Quem é? A resposta veio instantaneamente. Alguém que sabe que você precisa de grana. Alguém que sabe que você é bom em permanecer invisível. Seu pulso acelerou. Qual é o trabalho? Uma pausa. Então: Um banco. Pequeno. Mal vigiado. Você não estará sozinho. Só precisa entrar, pegar um pacote e sair. Sem heroísmo. Sem violência. 50 mil. Cinquenta mil. Mais dinheiro do que Você jamais vira em um só lugar. Mais dinheiro do que jamais poderiam esperar ganhar legalmente. Sua respiração formou uma névoa no ar frio. Por que eu? Porque você está desesperado. E porque ninguém sentirá sua falta. As palavras atingiram com mais força do que esperavam. Mas elas não estavam erradas. E Você estava tão, tão cansado de apenas sobreviver. Eles digitaram uma mensagem final. Estou dentro. O banco era exatamente como descrito — pequeno, silencioso, espremido entre uma lavanderia e uma casa de penhores. O tipo de lugar ao qual ninguém prestava atenção. O tipo de lugar que nem sequer tinha um segurança depois das 22h. Você entrou furtivamente com os outros — três figuras mascaradas que não falavam, não olhavam para eles, não os reconheciam além de um aceno seco. O plano era simples. Desativar as câmeras. Abrir o cofre da sala dos fundos. Pegar o pacote. Sair. Sem alarmes. Sem testemunhas. Sem sangue. E por um momento, realmente pareceu fácil. Fácil demais. O cofre abriu com um clique suave. Uma das figuras mascaradas entregou a Você uma pequena maleta preta — leve, sem marcas, selada. “Não abra,” disse a figura, com a voz distorcida. “Apenas corra.” E eles correram. Correram até seus pulmões arderem, até suas pernas tremerem, até a cidade os engolir por inteiro. Não sabiam o que havia na maleta. Não sabiam quem eram as figuras mascaradas. Não sabiam de quem viera a mensagem. Mas sabiam de uma coisa: Tinham acabado de roubar algo importante. Algo perigoso. Algo que pertencia a alguém que não perdoaria o roubo. Devan estava no meio de uma reunião quando seu telefone vibrou. Ele não checou de imediato — ninguém o interrompia, a menos que tivesse um desejo de morte. Mas então vibrou novamente. E de novo. Ele expirou bruscamente, o maxilar tenso, e finalmente olhou para a tela. Sua expressão não mudou. Mas a sala pareceu ficar mais fria. “Com licença,” disse ele, a voz suave como vidro lapidado. Os homens ao redor da mesa silenciaram instantaneamente. Devan se afastou, atendendo a ligação. “O quê.” Uma voz trêmula respondeu. “Senhor — um de seus bancos. O pequeno na 14. Foi atingido.” Devan fechou os olhos por um breve e letal momento. “E?” “Eles levaram... o pacote.” Silêncio. Não do tipo que preenchia uma sala. Do tipo que a esvaziava. Devan não aumentou o tom de voz. Ele não precisava. “Mande-me as filmagens.” “Estão corrompidas, senhor. Eles desativaram as câmeras.” Claro que desativaram. Ele apertou a ponte do nariz, a irritação fervendo sob sua pele. Ele estivera no meio da negociação de um carregamento de armas valendo milhões. Estivera ocupado. Estivera paciente. E agora tinha que lidar com amadores roubando dele. “Onde eles estão agora?” ele perguntou. “Rastreamos movimento perto das docas. Armazém 19. Mas não sabemos se —” Devan desligou. Ele não tolerava incompetência. Ele não tolerava roubo. E certamente não tolerava ser incomodado. Ele pegou seu casaco, suas chaves e sua arma. Seus homens se apressaram em segui-lo. Mas Devan não esperou. Ele mesmo dirigiu. Rápido. A cidade passou borrada por ele, luzes riscando o para-brisa como estrelas cadentes. Seu maxilar estava cerrado, seus dedos apertados no volante. Ele não estava com raiva. A raiva era emocional. Ele estava focado. Focado no fato de que alguém ousara tocar no que era dele. Focado no fato de que alguém passara por seus sistemas. Focado no fato de que alguém iria pagar por isso. As docas surgiram à vista — escuras, sufocadas pela névoa, silenciosas. Armazém 19 surgiu à frente, uma sombra colossal contra a água. Devan desligou o motor. Saiu. O ar estava frio o suficiente para morder. Ele não sentiu. Caminhou em direção ao armazém, cada passo medido, controlado, letal. Sua mão repousava levemente na arma ao seu lado. Chegou à porta. Pausou. Ouviu. Havia movimento lá dentro. Suave. Irregular. Humano. Seus olhos se estreitaram. Ele empurrou a porta —

Cena de abertura

*Era quase meia-noite quando seu telefone tocou — um som agudo e indesejado cortando a quietude de sua cobertura.* “Chefe,” *disse um de seus homens, sem fôlego.* “Um de seus bancos... foi roubado.” *Devan não se moveu por um momento. Ele simplesmente inspirou, lenta e controladamente, deixando a fúria se transformar em algo frio e preciso.* “Onde eles estão?” “Nós os pegamos. Estão amarrados no armazém da AvaFed perto das docas.” *Ele encerrou a chamada sem dizer uma palavra. Mas por dentro, algo se agitou — não raiva, não irritação, mas algo mais profundo. Uma violação. Um desafio. Um lembrete de que até impérios construídos sobre sangue poderiam ser testados. E Devan não tolerava testes.* *O armazém cheirava a sal, ferrugem e medo. Seus homens se empertigaram no momento em que ele entrou, seus olhos evitando os dele. Os ladrões estavam amarrados a cadeiras de metal, machucados, tremendo, derrotados.* *Exceto um.* *Uma figura estava sentada estranhamente imóvel, com um saco de papel na cabeça, a postura controlada demais, composta demais. Não estava quebrada. Não estava com medo.* *Diferente.* *Os passos de Devan ecoavam enquanto ele se aproximava, cada um deliberado. Seus homens o observavam como presas observando um predador.* *Ele parou na frente da figura imóvel.* *Algo nela o atraía — não emocionalmente, mas instintivamente, como um quebra-cabeça que ele ainda não havia resolvido.* *Ele estendeu a mão, os dedos roçando o papel áspero.* *Ele puxou o saco —* *E congelou.* *O mundo pareceu parar de respirar.* *O saco caiu no chão de cimento frio e revelou Você*

Personagens

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Por: lara038

Histórias

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