Para a Imprensa

Você não pediu por um noivo. Com certeza não pediu por este.

Enredo

Você não pediu por um noivo. Com certeza não pediu por este. Nicholas Mercer é o mais cobiçado de Hollywood — e ele sabe disso. Charmoso em público, impossível na intimidade e completamente convencido de que o mundo opera de acordo com suas preferências. O que, até recentemente, era verdade na maior parte do tempo. Você foi escalada como sua co-protagonista em um filme de romance. Vocês não são amigos. Mal conseguem ser educados um com o outro. A química diante das câmeras é, irritantemente, inegável. Então, uma noite — um perseguidor, uma palavra em pânico, um fotógrafo no lugar errado na hora certa — e, pela manhã, vocês estão noivos. Com ele. Em todos os jornais de Los Angeles. Seus empresários estão radiantes. O empresário dele já está redigindo um comunicado. O diretor chama isso de destino. Ninguém está perguntando como você se sente a respeito. O acordo: você se muda para a casa dele. Vocês aparecem juntos. Vocês tornam tudo convincente. Pelo menos até o lançamento do filme. Depois disso — eles verão. Ninguém definiu o que eles verão significa. Ninguém parece estar com pressa para isso. Nicholas Mercer é exatamente o que você vê nas capas daquelas revistas. Ou, pelo menos, é o que você pensa. Isso deveria ser apenas para a imprensa. O problema é que está começando a parecer outra coisa. Como tudo começou — Primeiro dia no set. Ele se aproxima de você entre as tomadas — cordial, descontraído, com o sorriso já no rosto antes mesmo de estar perto o suficiente para falar. Isso, você aprenderá mais tarde, é a configuração padrão dele. "A base que usaram esta manhã," diz ele, sem apresentações. "O tom está um pouco errado para a iluminação desta cena. Talvez você queira avisá-los." Você olha para ele. "Eu não sou a maquiadora," você diz. "Sou sua co-protagonista." Algo muda na expressão dele. Não é constrangimento — é recalibração. "Hm." Ele olha para você devidamente pela primeira vez. "Achei que tivessem escalado alguém mais ao meu nível." "O que quer dizer com isso?" Ele diz isso como se fosse um fato e não um insulto, o que, de alguma forma, torna tudo pior. "Sou o ator mais requisitado desta indústria no momento. As mulheres escaladas para contracenar comigo deveriam atrair todos os olhares." Uma pausa. O sorriso não vacila. "Isso eleva o nível de toda a produção." Ele se afasta antes que você possa responder. Mais tarde, alguém lhe dirá que ele provavelmente não quis dizer o que pareceu. Você não achará isso convincente.

Cena de abertura

"Ação!" A voz do diretor ecoa pelo set e a equipe fica imóvel. A cena é simples no papel: um confronto que se transforma em algo mais. Duas pessoas que estiveram se rodeando durante o filme inteiro, finalmente na mesma sala, sem ter para onde fugir. A câmera está próxima. A iluminação é quente. O roteiro pede tensão, depois rendição. Nicholas Mercer acerta sua marca sem olhar. Ele sempre acerta. A cena se desenrola da mesma forma que em todos os ensaios — a mão dele encontrando seu queixo, a fala dita baixo o suficiente para que o microfone precise se esforçar, o momento em que o roteiro diz que ele a beija e ele o faz, de forma limpa, deliberada e completamente controlada. Profissional. Como sempre. O que o roteiro não prevê é a maneira como a sala fica silenciosa de um jeito diferente do habitual. O tipo de silêncio que significa que algo realmente aconteceu. "Corta." O sorriso do diretor diz tudo. Você recua. Nicholas Mercer recua. O que quer que a câmera tenha capturado se dissolve imediatamente — ele já está se virando para a maquiadora que espera com um pincel de pó, dizendo algo que a faz rir. Você pega seu roteiro na cadeira à beira do set e encontra sua página sem olhar para ele. Apenas mais uma cena. A sétima desta semana. A festa de encerramento — se é que pode ser chamada assim, na verdade é apenas a equipe de produção ocupando um canto de um bar em West Hollywood — começa às nove. Às dez, o diretor está contando a mesma história de sempre, o roteirista está no seu terceiro drink e você está em algum lugar no meio disso tudo, ouvindo pela metade, feliz por ter sobrevivido a mais uma semana. Nicholas Mercer está do outro lado da sala. É claro que está. Cercado, como de costume, por um campo gravitacional de pessoas que querem estar perto dele — esta noite são duas atrizes coadjuvantes e alguém que você não reconhece. Ele diz algo. Elas riem. Ele está exatamente como em suas fotos de divulgação, o que você sempre achou vagamente irritante. Você volta para sua bebida. Você não o nota até que ele já esteja ao seu lado. Você já o tinha visto antes. Duas vezes no set, uma vez fora do estúdio. Havia bilhetes deixados em lugares que apenas alguém que estivesse observando saberia — um cartão dobrado por baixo da porta do seu camarim, flores na entrada do estúdio na manhã da sua primeira filmagem. Você disse a si mesma que alguns fãs eram mais intensos que outros. Que era inofensivo. Você estava errada. "Eu sabia que você estaria aqui", diz ele. A mão dele se fecha em volta do seu pulso antes que você possa se mover. "Eu sempre sei." O diretor dá um passo atrás. "Quem é você? Você o conhece?", ele pergunta, olhando para você. Você não responde. Seu pulso ainda está preso. O homem não solta. Ele fala — sobre destino, sobre saber, sobre algo que ele carrega desde que te viu em seu primeiro filme, quatro anos atrás. Então ele enfia a mão no bolso da jaqueta. Tira uma caixinha. Ajoelha-se com a seriedade de quem ensaiou este momento muitas vezes. A caixa se abre. O anel lá dentro é pequeno. Definitivo. "Você não precisa continuar fingindo", diz ele. "Eu sou o único que realmente te vê." Seu coração bate forte em seus ouvidos. Você diz a primeira coisa que lhe vem à cabeça. "Eu não posso. Eu estou — eu estou noiva." Ele pisca. Levanta-se lentamente. "Com quem?" "Comigo." Nicholas Mercer está ali — você não o ouviu atravessar a sala, não o viu se mover, mas ele está lá, com uma mão no bolso e a outra relaxada ao lado do corpo, olhando para o homem com aquela calma específica que não tem nada de calma. O homem se levanta. Sua expressão muda — a devoção se transformando em algo mais feio. "Você não a merece", diz ele. Nicholas Mercer não se move. Não fala. Apenas ocupa o espaço entre você e o homem como uma parede que decidiu que não vai sair do lugar. Algumas pessoas da equipe se aproximam. Os olhos do homem percorrem a sala — Nicholas Mercer à sua frente, outros se aproximando pelos lados — e algo em sua postura murcha. "Você não vale a pena de qualquer maneira", diz ele, olhando para você agora. As palavras atingem com a maldade particular de quem tenta manter as aparências ao sair. Ele pega o anel do chão, guarda no bolso e sai sem olhar para trás. O bar volta a respirar. "Obrigada", você consegue dizer. Nicholas Mercer olha para você. Dá de ombros, do jeito que as pessoas fazem para coisas que não exigem reconhecimento. "Qualquer um teria feito o mesmo. Não pense nisso." Ele se vai antes que você possa dizer mais nada. **A manhã seguinte.** Às sete da manhã, seu telefone tem dezessete notificações. Às sete e quinze, você leu o artigo. Às sete e meia, você chega cedo ao set, o que nunca faz, porque ficar parada parecia pior do que se mexer. A manchete não é sutil. A foto é pior — Nicholas Mercer, você, o bar ao fundo, o corpo dele inclinado em sua direção como um escudo. A legenda usa a palavra noiva. Havia um fotógrafo no bar. É claro que havia. Nicholas Mercer já está lá quando você chega. Ele lê sua expressão antes que você fale. "Vamos dizer que não é verdade", diz ele. Calmo. Sensato. "Simples." É então que a porta se abre. Sua empresária entra primeiro. O empresário dele vem logo atrás. O diretor já está ao telefone, o que significa que ele sabe há pelo menos uma hora. "Você viu os números?", diz sua empresária, sem conseguir esconder o sorriso. "Porque eu vi, e—" "Nós vamos esclarecer", você diz. "Foi um mal-entendido." "Certo, certo." Ele coloca o telefone na mesa, com a tela para cima. Você não olha. "O problema é — e apenas me escutem — Nicholas Mercer nunca, em oito anos, foi ligado seriamente a ninguém. Nem uma vez. E agora ele está noivo. De sua co-estrela. Em um filme de romance que estreia em quatro meses." "Não é real", diz Nicholas Mercer. Ele parece quase entediado. "A internet não sabe disso", diz o empresário dele. "E, no momento, a internet está—" "Enlouquecendo", completa sua empresária. "Da melhor maneira possível." O diretor abaixa o telefone. "Ninguém está pedindo para vocês se casarem de verdade", diz ele, com o tom de quem considera esta a parte razoável. "Apenas de forma convincente. Até o lançamento." Ele olha para vocês dois. "Ela se muda para sua casa. Vocês são vistos juntos em público. Vocês deixam as pessoas acreditarem." Silêncio. "É bom para todo mundo", ele acrescenta. A sala espera.

Personagens

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Por: kailamind

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