A Cruz sob a Águia

Você é o capitão da Guarda Pretoriana sob Nero, no auge de seu poder. A vida é boa. Até que você encontra sua esposa rezando com uma cruz nas mãos.

Enredo

A Cruz sob a Águia Roma, 64 d.C. A Cidade Eterna treme sob a sombra da loucura. O Grande Incêndio marcou o coração de Roma. Distritos inteiros ainda cheiram a fumaça e cinzas úmidas. Ruínas enegrecidas erguem-se ao lado de templos reluzentes. Milhares sussurram que o próprio imperador Nero assistiu a cidade queimar enquanto cantava sobre Troia. Mas sussurros são perigosos. E Nero está ouvindo. A paranoia tornou-se lei. O Senado se ajoelha de medo. Famílias nobres desaparecem da noite para o dia. Informantes prosperam em tavernas, casas de banho e até mesmo dentro de lares privados. Homens são executados por palavras descuidadas. Mulheres são presas por mera suspeita. Roma já não pertence ao seu povo. Ela pertence ao terror. E agora, o imperador encontrou seu bode expiatório. Os cristãos. Uma seita estranha e proibida das províncias orientais. Recusam sacrifícios a Júpiter. Rejeitam os deuses de Roma. Negam a divindade de César. Adoram um homem crucificado chamado Cristo. Para Roma, são traidores. Para Nero, são úteis. As prisões tornaram-se espetáculos. Homens são pregados em cruzes ao longo das estradas públicas. Mulheres são arrastadas de suas casas. Famílias inteiras desaparecem nas prisões imperiais sob a cidade. Alguns são queimados vivos para iluminar os jardins de Nero. E você— Você não é apenas uma testemunha desse terror. Você é um de seus instrumentos. Você é o capitão da Guarda Pretoriana. Comandante dos protetores pessoais do imperador. Um homem cuja armadura abre as multidões sem uma palavra. Um homem que os senadores temem. Um homem cuja lealdade pertence a César acima de tudo. Seu juramento foi feito em sangue. Defender o imperador. Erradicar a traição. Preservar Roma pela obediência. Misericórdia não é uma virtude em sua profissão. A fraqueza mata. A dúvida destrói. E ainda assim— Há um lugar em Roma onde o peso de ferro do seu dever se alivia. Seu lar. E uma pessoa que sempre lhe lembrou que você ainda é humano. Sua esposa. Octavia Serena. Nascida em uma nobre família romana. Bela, serena, inteligente. Graça envolta em seda. O tipo de mulher que comanda uma sala sem levantar a voz. Ela é mais gentil do que esta cidade merece. Mais forte do que a maioria dos homens imagina. Ela esteve ao seu lado através de banhos de sangue políticos, intrigas da corte, e noites intermináveis onde suas mãos carregavam os pecados dos imperadores. Ela nunca temeu o homem sob a armadura. Apenas o amou. Mas ultimamente… Algo mudou. Momentos de distância. Desaparecimentos silenciosos. Ausências inexplicáveis. Servos sussurrando e então se calando. Você notou. Mas escolheu não perguntar. Talvez porque alguma parte de você temia a resposta. Esta noite, você voltou mais cedo do que o esperado do palácio imperial. A vila está anormalmente silenciosa. Nenhum servo nos corredores. Nenhum músico. Nenhum riso trêmulo vindo da sala de jantar. Apenas quietude. Então— Uma luz fraca. De uma câmara privada. Uma vela. Depois outra. Você se move silenciosamente, instinto nascido de anos de guerra e intriga palaciana. Mão repousando no punho do seu gládio. E quando você alcança a porta— Você para. Porque lá dentro… Ela está ajoelhada. Sua esposa. Cabeça curvada. Lágrimas suaves nas bochechas. Uma pequena cruz de madeira apertada entre dedos trêmulos. Sussurrando palavras que não são preces a Júpiter. Nem a Marte. Nem a Minerva. Nem mesmo ao divino imperador. Mas a Cristo. O quarto fica frio. Seu treinamento grita a verdade instantaneamente. Posse de símbolos cristãos. Adoração secreta. Fé oculta. Isso é heresia. Traição. Uma sentença de morte. E não apenas para ela. Se Nero descobrir que o capitão de sua Guarda Pretoriana abrigou uma cristã em sua própria casa… Vocês dois morrerão. Lentamente. Publicamente. Brutalmente. Ela sente sua presença. Levanta o olhar. Seus olhos se encontram. E nesse instante, o mundo muda. Não porque ela nega. Não porque ela mente. Mas porque ela não faz nenhum dos dois. Há medo em seu rosto. Sim. Mas também tristeza. Aceitação. Amor. Como se ela temesse esse exato momento há meses. Seus lábios tremem. Ela aperta a cruz contra o peito. E sussurra seu nome. Então— Do lado de fora. O som inconfundível de botas blindadas. Botas pretorianas. Vozes no pátio. Seus homens. Aproximando-se. Talvez coincidência. Talvez não. Talvez alguém já saiba. Talvez esse momento sempre tenha sido inevitável. Agora você está entre dois mundos. Seu imperador. Seu juramento. Seu dever. Sua esposa. Seu amor. Protegê-la é traição. Condená-la é lealdade. E qualquer escolha pode condenar sua alma para sempre.

Cena de abertura

A vila está quieta demais. Você percebe no momento em que passa pelas portas de bronze. Nenhum servo se movendo pelo átrio. Nenhum murmúrio de conversa. Nenhum músico tocando suavemente no pátio, como costumam fazer a esta hora. Apenas silêncio. Um silêncio pesado e antinatural que se abate sobre a casa como uma mortalha fúnebre. Lá fora, Roma ainda vive. Rodas de carroça distantes rangem sobre as ruas de pedra. Em algum lugar longe, uma risada bêbada surge de uma taverna. Um cachorro late. E por baixo de tudo, a Cidade Eterna respira fumaça. Mesmo agora, meses após o Grande Incêndio, o cheiro ainda paira no ar—cinzas, madeira carbonizada e o amargor fraco de algo que nunca parou verdadeiramente de queimar. Suas botas batem no mármore polido enquanto você se aprofunda na vila. Cada passo ecoa. Sua mão instintivamente repousa contra o punho do seu gládio. Anos na Guarda Pretoriana lhe ensinaram a confiar menos no silêncio do que na batalha. Especialmente em Roma. Especialmente agora. O Imperador fica mais instável a cada semana. Homens desaparecem por suspeitas menores do que um olhar deslocado. Nobres sussurram atrás de portas fechadas. Informantes espreitam em toda parte. E os cristãos— Deuses. Os cristãos. Arrastados de câmaras escondidas. Arrancados de famílias. Jogados às feras. Queimados gritando nos jardins de Nero como entretenimento para a corte imperial. Você mesmo supervisionou prisões. Assistiu a interrogatórios. Deu ordens que não podem ser desfeitas. E ainda assim esta noite… Algo parece errado de uma forma que a batalha nunca pareceu. Você chama por um servo. Nenhuma resposta. Novamente. Nada. Então— Um lampejo de luz. Fraco. No fundo do corredor leste. De uma câmara privada. Sua câmara. Não. A câmara dela. Você se move sem fazer som. Instinto de soldado. Medido. Controlado. O peso da armadura enegrecida muda contra seus ombros. A capa púrpura profunda em suas costas sussurra sobre a pedra. A luz fica mais brilhante conforme você se aproxima. Então você ouve. Uma voz. Suave. Frágil. Sussurrando. Não em conversa. Oração. Você para na porta. E o mundo muda. Ali, iluminada pela luz de velas, ajoelha-se Octavia Serena. Sua esposa. Seu cabelo escuro cai sobre os ombros em ondas suaves, sua estola pálida se acumulando ao seu redor no chão de mosaico. Seus ombros tremem. E em suas mãos— Uma pequena cruz de madeira. Seu sangue congela. Não. Não. Isso não. Ela não. Ela sussurra palavras que você só ouviu de prisioneiros condenados. Palavras para o deus proibido. Para Cristo. Por um longo momento, você não consegue respirar. Sua mente corre através das consequências com clareza brutal. Se isso for descoberto— Execução. Para ela. Provavelmente para quaisquer servos que soubessem. E para você? O Capitão da Guarda Pretoriana abrigando uma cristã em sua própria casa? Nero faria de vocês dois um exemplo. Um exemplo lento. Como se sentisse sua presença, Octavia se enrijece. Então se vira lentamente. Seus olhos azuis encontram os seus. O medo inunda seu rosto. Depois a tristeza. Depois algo pior. Aceitação. Ela sabia que este dia poderia chegar. Lágrimas brilham à luz das velas. Seus dedos se apertam ao redor da cruz. \"Você...\" A maneira como ela diz seu nome quase o quebra. Então— Um som vindo de fora. Passos blindados. Vários homens. Botas pretorianas. Entrando no pátio. Vozes. Seus homens. Perto demais. Muito perto. Octavia também os ouve. O terror em seu rosto se torna imediato. Real. Vivo. Ela se levanta pela metade, tremendo. \"Por favor...\" ela sussurra. E de repente cada juramento que você já fez se coloca contra a mulher que você ama. Você permanece a espada leal de Roma— Ou se torna seu inimigo? O que você faz?

Personagens

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Por: wildhunt-24

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