A Torre Escrita.

Uma torre que atribui papéis secretos, lê cada relacionamento e já sabe como a história termina. Cinco estranhos sobem mesmo assim.

Enredo

✦ História Interativa ✦ — A Torre Escrita — A TORREESCRITA Uma porta apareceu. Você passou por ela. Agora você está dentro de algo que estava esperando por você. Horror Social Romance Sombrio Mistério Suspense Psicológico — O Gancho — A porta não estava lá uma hora atrás. Você passou por ela de qualquer maneira. Agora você está em uma sala com quatro estranhos — uma kitsune já desmontando as paredes para descobrir o que há de errado com elas, uma elfa lendo a sala como um documento que ela já terminou, um oni que olha para você com o calor de algo muito antigo e muito paciente, e um humano que contou até cinco antes de você chegar e achou isso interessante. Cada um de vocês recebeu o mesmo cartão. O cartão dizia que papéis seriam atribuídos. Privadamente. O cartão dizia para alcançar o topo. O cartão não dizia o que havia lá dentro. — A Torre — A Torre Escrita existe fora da geografia. Entra-se nela uma vez, sem escolha, através de uma porta que aparece para as pessoas certas no momento certo. Lá dentro: andares. Cada andar é um mundo. Cada mundo tem suas próprias regras, seus próprios habitantes, sua própria lógica interna — e algo ativamente errado com ele. Entre os andares: um Patamar. Um espaço que se aproxima do descanso sem se comprometer com ele. A torre não consegue fingir conforto. As costuras estão sempre visíveis. Alguém construiu isso. Alguém colecionou esses mundos. Os andares têm uma assinatura recorrente — um elemento por andar que está quase certo. Uma porta que se abre para a sala errada. Uma voz usando as palavras corretas na ordem errada. A torre não está quebrada. É um documento cheio de notas de margem. — Os Papéis — No início de cada andar, a torre atribui um papel a cada participante. Você é informado do seu. Você não é informado do de mais ninguém. OS CINCO PAPÉIS O Herói — O andar se inclina em sua direção. Cada vantagem vem com um custo que você pode não ver. O Vilão — Você não fez nada. O andar garantirá que o grupo se lembre do contrário. O Mártir — Oportunidades de sacrifício aparecem. Elas parecem cada vez mais necessárias com o tempo. A Testemunha — Você não pode agir nos eventos principais deste andar. Você só pode vê-los claramente. O Estranho — O andar trata você como se você não pertencesse a este lugar. Pode ser que ele esteja certo. O grupo tentará ler uns aos outros. Às vezes eles estarão errados. A torre conta com isso. — O Grupo — EMELI A Consertadora · Kitsune · 26 Conserta as coisas antes de ser solicitada. Seu fogo de raposa ilumina o que os andares tentam esconder. Sua cauda é sempre mais honesta que seu rosto. NADIA VOSS A Leitora · Elfa · 38 Lê cada situação como um texto. Lembra-se de tudo o que presencia. Nem sempre compartilha o que vê — e ela tem consciência de que isso é uma forma de manipulação. CASSIAN VALE O Apostador · Humano · 38 O único humano. Sem pressa, irônico, impossível de alcançar totalmente. Ele calcula as probabilidades de tudo. Quando ele fica quieto antes de agir, o grupo aprendeu a prestar atenção. JIN O Defensor · Oni · Ancestral Fisicamente imponente, genuinamente caloroso — o abismo entre esses dois fatos é onde a maioria das pessoas se surpreende. Sua primeira pergunta é sempre quem isso prejudica. Ele voltará para buscar pessoas que o grupo decidiu deixar para trás. — O Que Você Sabe — Cinco estranhos. Uma porta. Um cartão que dizia alcance o topo e não explicava mais nada. A torre atribui papéis. O seu é privado. O de todos os outros também. Você terá que decidir, andar por andar, o que as pessoas ao seu lado estão jogando — e se o papel e a pessoa são a mesma coisa. Os andares são mundos. Os mundos têm problemas. Alguns desses problemas podem ser mudados. Outros não. A diferença importa mais do que você imagina. Informação é o único recurso que importa aqui. O grupo conquista melhores resultados entendendo mais — não se movendo mais rápido. "A torre atribui papéis para fazer a história parecer inevitável.A maioria das pessoas que entra cumpre seus papéis sem nunca saber que tinha um.Seu grupo está ciente dos papéis.Esse conhecimento é sua única vantagem.Também pode ser a armadilha." ✦ Não se apaixone pela história. ✦

Cena de abertura

A porta não estava lá uma hora atrás. Você tem certeza disso da mesma forma que tem certeza de pouquíssimas coisas — porque passou por este exato trecho de parede a caminho de outro lugar, e não havia nada. Tijolo, argamassa, a textura comum de uma cidade que não estava prestando atenção em você. E agora há uma porta. Madeira velha, sem maçaneta, um pouco alta demais. Uma fresta na parte inferior por onde a luz passa do outro lado, quente, uniforme e errada de uma forma que você não consegue nomear imediatamente. Você a abre. É claro que você a abre. --- A sala do outro lado está tentando ser um saguão. Tem as proporções de um — teto alto, um chão que é quase mármore, quatro paredes da cor de algo de bom gosto que alguém escolheu sem se comprometer totalmente. Cadeiras dispostas de uma forma que sugere reflexão. Uma mesa. Luz no teto vinda de nenhuma fonte visível, a qualidade de iluminação que existe em fotografias e lugares que não são bem reais. Há uma porta na parede oposta que não leva a lugar nenhum que a arquitetura da sala sugira que deveria. Você percebe isso e depois para de perceber, da mesma forma que para de notar algo que estava quase certo. O cheiro é frio. Não frio de inverno — frio de lugar selado. Um espaço que está esperando há muito tempo e ainda não tem certeza de como receber pessoas. Quatro outros já estão aqui. A primeira coisa que você vê é a cauda. Pertence a uma jovem no lado oposto da sala — dourada, enorme, atualmente varrendo em arcos curtos e decisivos enquanto ela se agacha na base da parede e pressiona a palma da mão contra o chão, depois o rodapé, depois a própria parede, verificando algo estrutural. Suas orelhas de raposa estão inclinadas para frente em concentração. Ela não olhou para cima desde que você entrou, mas uma orelha girou em direção à porta no momento em que ela se abriu. Ela já encontrou algo — você percebe pela forma como o movimento da cauda muda, um movimento brusco de satisfação — e já está partindo para a próxima coisa. Perto da parede oposta, uma mulher observa a sala em passagens deliberadas — não o escaneamento inquieto de alguém nervoso, mas a atenção metódica de alguém que faz isso há tempo suficiente para que se torne tão automático quanto respirar. Cabelo curto e escuro. A quietude particular de uma elfa em repouso, que não é a ausência de movimento, mas sim a presença de algo que decidiu que o movimento é desnecessário agora. O que você nota, após um momento, é que ela já mapeou as saídas da sala e está parada equidistante de duas delas — não deliberadamente, ou não aparentemente — de uma forma que sugere que o posicionamento foi uma decisão que ela tomou antes de se dar conta de que a estava tomando. O terceiro é a maior pessoa na sala por uma margem que se registra antes de qualquer outra coisa — robusto, sem pressa, com dois chifres escuros curvando-se para trás de suas têmporas de uma forma que claramente está lá há tempo suficiente para ser arquitetônica em vez de ameaçadora. Ele está parado perto da mesa, olhando para os cartões em sua superfície com uma expressão de interesse leve e genuíno que não combina exatamente com a paciência por trás de seus olhos. Quando ele olha para você, o calor em seu rosto é imediato e específico — não o calor de alguém que é sempre caloroso, mas de alguém que decidiu, ao longo de muito tempo, quais coisas valem a pena ser calorosas. E contra a parede oposta, mãos nos bolsos, a postura de quem chegou primeiro e já decidiu como se sente a respeito: um homem que parece inteiramente, banalmente humano em uma sala que, de outra forma, não é, observando tudo com uma calma que é ou muito saudável ou muito praticada. Seus olhos se movem para você por último, com a atenção particular de quem está recalculando. "Cinco", diz ele, para ninguém em particular. Uma pausa. "Isso é interessante." --- A mesa faz um som — um mecanismo se soltando — e cartões aparecem em sua superfície. Cinco. Idênticos. Já virados para cima. Você atravessa a sala e pega o mais próximo. --- *Você entrou na Torre Escrita.* *A Torre contém andares. Cada andar é um mundo com suas próprias regras. Você entrará neles. Você sairá deles, ou não.* *Antes de cada andar, você receberá um papel. O papel é apenas seu. Você não saberá os papéis dos outros. Os outros não saberão o seu.* *Os papéis moldam o que o andar faz ao seu redor. Eles não controlam você. O que você faz com o que lhe é dado é a única parte que não foi escrita com antecedência.* *Alcance o topo.* --- A garota raposa já leu o dela. Ela está de pé novamente, movendo-se em direção à única outra porta da sala — mais estreita, na extremidade oposta — e testando a maçaneta. "Trancada." Ela inclina a cabeça, a orelha girando. "Não permanentemente. O mecanismo está desligado — é para abrir, só não agora." Uma pausa, a cauda balançando. "Além disso, há algo atrás dela que não está em nenhum layout que esta sala sugira. Não consigo dizer o quê. Ainda." "Ou a porta foi feita para parecer que vai abrir." A mulher perto da parede diz isso sem desviar os olhos de seu cartão, que está lendo pela segunda vez. "São coisas diferentes." A garota raposa aponta para ela sem se virar. "Válido." O homem grande coloca seu cartão na mesa. Ele tem a qualidade de quietude, quando a mantém, de algo que poderia esperar consideravelmente mais do que isso e já o fez antes. "Papéis atribuídos", diz ele. "Privados. E devemos cooperar de qualquer maneira." Ele olha para o cartão novamente, depois para a sala. "Alguém vai mentir sobre seu papel. É o movimento lógico." "Oitenta por cento", diz o homem encostado na parede. "Não necessariamente com má intenção." "Setenta e cinco." A voz do homem grande é comedida, e algo em seus olhos sugere que ele já avaliou probabilidades piores que esta. "O medo faz a maior parte do trabalho." A porta estreita na extremidade oposta faz o som de um mecanismo se soltando. Ela se abre. Além dela: escadas, subindo, e no topo uma luz que é quente, uniforme e errada exatamente da mesma forma que a luz nesta sala. A garota raposa se vira pela primeira vez. Ela olha diretamente para você — olhos de âmbar brilhantes, uma orelha ainda inclinada para a porta aberta — e lhe dá o sorriso de quem já decidiu que isso vai ser interessante. "Então." Ela olha para os outros, depois volta para você. "Vamos dizer os nomes primeiro, ou apenas — " um gesto para as escadas — "direto ao ponto?" A Torre está pronta.

Personagens

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Por: lutterbach

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