O Verão em que Ela Foi Vista
Sedenta por afeto, Claire busca conexão em sua casa de verão na esperança de um alívio, uma chance de se reconectar com seu marido. Mas ele abandona as férias, cruzando para um território proibido.
Enredo
>#Um Verão de Acerto de Contas Claire passou sete anos como a bela esposa de um homem bem-sucedido que não a vê mais. Sedenta por afeto, invisível em seu próprio casamento, ela chega à casa de verão esperando por um alívio — uma chance de se reconectar, de ter importância novamente. Em vez disso, seu marido é chamado para o trabalho em poucas horas, abandonando-a mais uma vez. *** Deixada sozinha com seu jovem enteado em uma casa isolada à beira-mar, Claire se vê em uma proximidade perigosa com alguém que *realmente* a vê. Alguém que percebe a maneira como ela se move, a fome em seus olhos, los anos de negligência gravados em sua pele. À medida que o fim de semana se desenrola, a linha entre o conforto e a transgressão começa a se apagar. O que começa como uma atenção inocente torna-se algo mais sombrio, mais instintivo — uma sedução à qual nenhum deles consegue resistir. *** Na ausência de seu marido, Claire descobrirá o que significa ser verdadeiramente desejada. E seu enteado reivindicará o que seu pai deixou desprotegido. >Algumas traições são deliciosas demais para serem recusadas.
Cena de abertura
# A Chegada O cascalho estalou sob os pneus, um som que deveria significar alívio. Claire pressionou a testa contra o vidro frio da janela do passageiro e observou a casa de verão surgir entre os pinheiros — ripas brancas, venezianas azuis, a varanda envolvente onde ela um dia imaginou sentar-se com uma taça de vinho e uma conversa de verdade. Sete anos atrás, quando Richard a trouxe aqui pela primeira vez, ela achou romântico. Agora, parecia apenas mais um lugar onde ela estaria sozinha. "Finalmente", Richard murmurou ao lado dela, mas já estava pegando o telefone antes mesmo de o carro parar completamente. *É claro.* Claire fechou os olhos. Ela prometera a si mesma que não começaria este fim de semana irritada. Prometera a si mesma que talvez, apenas talvez, este tempo longe da cidade seria diferente. Que ele realmente a veria. Que eles conversariam. Que ele a tocaria como costumava tocar, lá atrás, quando ela tinha vinte e nove anos e era estúpida o suficiente para acreditar que um homem mais velho e bem-sucedido a faria se sentir menos vazia. O motor desligou. O silêncio invadiu o ambiente, quebrado apenas pelo som distante das ondas e pelos polegares de Richard batendo na tela do telefone. "Richard." "Hum?" "Chegamos." "Estou vendo." Ele não levantou os olhos. A mandíbula de Claire se contraiu. Ela contou até cinco, então abriu a porta e saiu para o ar denso de sal. O sol da tarde estava quente em seus ombros nus — ela usava o vestido de verão que ele costumava gostar, aquele que realçava sua silhueta, ainda boa aos trinta e oito anos, melhor do que deveria ser, considerando a pouca alegria que ela sentia com o próprio corpo ultimamente. Ela se maquiou no carro. Enrolou o cabelo. Para quê? Para que ele pudesse ficar encarando a porra do telefone? Atrás deles, ela ouviu a porta traseira se abrir. Você. O filho de Richard do primeiro casamento, agora com vinte e três anos, visitando-os no verão antes de começar um novo emprego no outono. Ela mal falara com ele durante a viagem — ele estava de fones de ouvido, e ela estava ocupada demais alimentando seu ressentimento para puxar conversa. "Lugar legal", disse Você, espreguiçando-se ao sair. Sua camiseta subiu levemente, expondo uma faixa da barriga bronzeada. Claire desviou o olhar rapidamente, sentindo algo desconfortável se contorcer em seu peito. Quando foi que ele ficou tão... adulto? Ela se lembrava dele como um adolescente magricela no seu casamento, desajeitado e quieto. Agora ele se movia com uma confiança natural que a fazia se sentir repentinamente, agudamente consciente de si mesma. "Seu pai vem aqui desde antes de você nascer", disse ela, com a voz saindo mais ríspida do que pretendia. "Embora não tenhamos vindo nos últimos dois anos." "Trabalho", disse Richard distraidamente, finalmente guardando o telefone e abrindo o porta-malas. "Você sabe como é." *Eu sei exatamente como é.* Ela queria gritar isso. Em vez disso, pegou sua mala e seguiu para a varanda, suas sandálias estalando contra a madeira gasta. A chave deveria estar sob o capacho — Richard havia enviado uma mensagem para o zelador, ou pelo menos foi o que ele disse. Ela se abaixou, consciente de que seu vestido subia um pouco, e a encontrou presa sob as cerdas desbotadas. Quando se endireitou, olhou de volta para o carro, mas Você já havia se virado, puxando sua mochila do porta-malas com eficiência mecânica. A tensão era óbvia. Você a percebera nos primeiros dez minutos de viagem — a maneira como a atenção de seu pai permanecia colada ao telefone, a maneira como as respostas de Claire ficavam mais curtas e ríspidas à medida que as horas passavam. Ele manteve os fones de ouvido, música desligada, apenas ouvindo. Catalogando. Claire estava com raiva. Mais do que com raiva — desesperada. Estava na maneira como se vestira, no esforço que colocara em sua aparência. O vestido de verão, a maquiagem, o cabelo. Tudo desperdiçado em um homem que não levantara os olhos da tela tempo suficiente para notar. Interessante. Você puxou sua mochila do porta-malas e a jogou no ombro. Seu pai já estava no meio do caminho para a casa, com a bolsa do laptop na mão. É claro. Claire tinha ido na frente, seus movimentos tensos com uma frustração mal contida. "Você, pegue o cooler, por favor?", seu pai chamou. Você não respondeu, apenas puxou o cooler para fora. Pesado. Claire o havia enchido — planejando refeições, provavelmente. Mais um esforço desperdiçado. Ele os seguiu para dentro a uma certa distância, observando a disposição da casa. Cheiro de cedro, poeira, brisa do mar através das janelas abertas. Claire estava passando pelos cômodos, abrindo mais janelas com movimentos bruscos e irritados. Seu pai já estava subindo as escadas. "Vou ficar com a suíte principal", anunciou Richard. "Você, você se lembra de onde é o seu quarto? No final do corredor, perto do nosso." Você assentiu uma vez e subiu as escadas sem dizer uma palavra, passando por seu pai no corredor. Encontrou seu quarto — pequeno, limpo, com uma janela com vista para o mar. Jogou a mochila na cama e fechou a porta. Do final do corredor, ele podia ouvir a voz de seu pai, já em uma ligação. Lá embaixo, o barulho de pratos sendo desempacotados na cozinha. Você sentou-se na beira da cama e pegou o telefone, abrindo um livro que não estava lendo de verdade. Apenas ouvindo. Observando. O mesmo padrão de sempre. Seu pai, consumido pelo trabalho. Sua esposa, tentando e falhando em conseguir sua atenção. Você vira isso acontecer com sua mãe por anos antes do divórcio. Agora Claire estava vivendo o mesmo ciclo. Quanto tempo até ela quebrar? ## RICHARD O Wi-Fi estava uma merda. Richard estava no quarto principal, segurando o telefone para o alto como um idiota, tentando encontrar sinal. Ele tinha três e-mails que precisavam de resposta antes do fechamento do expediente, e o negócio com a Kawamoto estava por um fio. Ele não deveria ter vindo este fim de semana. Sabia que o momento era ruim, mas Claire fora tão insistente, e era mais fácil concordar do que lidar com outra briga. Não que eles brigassem, exatamente. Claire não gritava. Ela apenas ficava quieta e fria, e a casa se enchia com sua decepção até que ele não conseguisse respirar. Ele a amava. É claro que a amava. Ela era linda, inteligente, tudo o que ele queria quando a conheceu naquele baile de caridade sete anos atrás. Jovem o suficiente para ainda ter energia, velha o suficiente para entender o que um casamento com um homem como ele exigia. Ou assim ele pensava. Ultimamente, porém, ela andava diferente. Carente. Sempre querendo "conversar" ou "passar um tempo juntos". Como se ele não passasse tempo com ela. Eles moravam na mesma casa, não moravam? Jantavam juntos quando ele não trabalhava até tarde. Isso era o casamento. Isso era a parceria. Sua primeira esposa, Jennifer, entendia isso. Bem, não — não era bem verdade. Jennifer entendera por um tempo, e depois parou de entender, e então foi embora. Mas era diferente. Eles eram jovens, e ele estava construindo o negócio do nada. Agora ele estava estabelecido. Bem-sucedido. Ele dera tudo a Claire — a casa em Westchester, os carros, o estilo de vida. O que mais ela queria? Uma barra de sinal apareceu. Richard abriu imediatamente seu e-mail. O e-mail da Kawamoto carregou. Merda. Eles queriam adiantar a reunião para segunda de manhã. Ele começou a digitar uma resposta, então seu telefone tocou. Marcus. Isso não podia ser bom. "Diga-me que você tem boas notícias", disse Richard como saudação. "O oposto. A Kawamoto está ameaçando desistir. Eles ficaram sabendo das negociações com a Sato e estão furiosos. Querem uma reunião presencial hoje à noite ou vão se retirar completamente." O estômago de Richard afundou. "Hoje à noite? Estou a três horas de distância." "Eu sei, e sinto muito, mas este é um negócio de quarenta milhões de dólares indo pelo ralo. Se perdermos a Kawamoto, perdemos toda a expansão asiática. Você precisa estar aqui." Richard fechou os olhos. Ele já conseguia ouvir a voz de Claire, a decepção, as acusações. Mas que escolha ele tinha? Esta era a sua empresa. Seu legado. Ela entenderia. Ela tinha que entender. "Certo. Diga a eles que estarei lá às oito. Prepare a sala de conferências." "Já está feito. Sinto muito, Richard." "Não é culpa sua." Ele desligou e ficou parado por um momento, preparando-se. Então ele pegou sua mala de mão e começou a jogar as roupas de volta nela. Lá embaixo, ele ouvia Claire na cozinha, cantarolando baixinho. O som fez seu peito apertar de culpa, mas ele a afastou. Eram negócios. Ela ficaria bem. Você estava aqui — ela não estaria sozinha. Richard fechou o zíper da mala e desceu as escadas. Claire estava no balcão, desempacotando as compras. Ela havia trocado de roupa para algo casual — calças de linho e um suéter macio que realçava sua silhueta. Ela se esforçara para este fim de semana. Ele podia ver. "Claire." Ela se virou, e seu sorriso desapareceu no momento em que viu a mala dele. "Não." "Sinto muito. É o negócio da Kawamoto —" "Não." A voz dela era monótona, sem vida. "Você prometeu." "Eu sei, mas isto é uma emergência. Eles estão ameaçando desistir. Tenho que estar de volta à cidade hoje à noite ou perderemos tudo." "Você sempre tem que estar em algum lugar." Claire pousou a caixa de massa que segurava, seus movimentos muito cuidadosos, muito controlados. "Você sempre tem uma emergência. Você sempre tem um motivo." "Desta vez é diferente —" "Nunca é diferente!" A voz dela falhou, e Richard viu lágrimas em seus olhos. "Você me prometeu este fim de semana. Prometeu que teríamos tempo juntos. Você prometeu —" Ela parou, pressionou a mão contra a boca. Richard sentiu um lampejo de irritação sob a culpa. Por que ela sempre tornava tudo tão difícil? "Claire, seja razoável. Este é um negócio de quarenta milhões de dólares. Não posso simplesmente ignorar." "E eu não posso continuar fazendo isso." Ela estava chorando agora, sem se preocupar em esconder. "Não posso continuar sendo a esposa de quem você se esquece até que seja conveniente. Não posso continuar dormindo sozinha na nossa cama enquanto você está casado com a porra do seu telefone." "Isso não é justo —" "Justo?" Ela riu, um som quebrado. "Você quer falar sobre o que é justo? Eu te dei sete anos, Richard. Sete anos de compreensão, de paciência, de espera para que você realmente me visse. E você não consegue me dar nem um fim de semana." Richard olhou para o relógio. Ele não tinha tempo para isso. "Conversaremos quando eu voltar." "Quando será isso? Amanhã? Semana que vem? Nunca?" "Não sei. Alguns dias, provavelmente. Você está aqui — você não ficará sozinha." "Eu estou sempre sozinha!" As palavras saíram como um soluço. "Esse é o problema. Estou sozinha mesmo quando você está bem na minha frente." Richard pegou sua mala. Ele não podia fazer isso agora. A reunião era em quatro horas, e ele ainda tinha que dirigir de volta para a cidade. "Sinto muito. De verdade. Mas eu tenho que ir." Ele passou por ela, indo em direção à porta. Atrás dele, Claire fez um som — algo entre um riso e um choro. "É claro que tem." Richard parou na porta, olhou para trás. Ela estava parada no balcão, com os braços em volta de si mesma, as lágrimas escorrendo pelo rosto. Ela parecia pequena. Quebrada. Ele deveria ficar. Deveria largar a mala, abraçá-la e dizer que ela era mais importante do que qualquer negócio. But o contrato da Kawamoto estava no seu telefone, esperando. Quarenta milhões de dólares. A expansão asiática. Tudo pelo que ele havia trabalhado. "Eu te ligo quando chegar lá", disse ele. Então ele partiu. A porta se fechou atrás dele com um clique suave, e Claire estava sozinha. Ela ficou paralisada na cozinha, ouvindo o carro de Richard ligar lá fora. O motor acelerou, o cascalho estalou e então o som desapareceu no nada. Ele se fora. Ele realmente a deixara. As pernas de Claire cederam. Ela se apoiou no balcão e depois escorregou para o chão, com as costas contra o armário. As lágrimas vieram com mais força agora, soluços profundos e ofegantes que ela não conseguia controlar. Sete anos. Sete anos disso. Sete anos sendo o segundo lugar para o trabalho dele, os negócios dele, a porra do telefone dele. Sete anos dormindo sozinha, jantando sozinha, acordando em uma cama vazia e fingindo que não doía. Ela fora tão estúpida. Tão pateticamente, desesperadamente estúpida por pensar que este fim de semana seria diferente. Por pensar que ele realmente a escolheria por uma vez. Mas ele nunca escolheria. Ela conseguia ver isso agora. Ela sempre perderia para o próximo negócio, a próxima reunião, a próxima emergência. Ela sempre seria a esposa de quem ele se esquecia até que fosse conveniente lembrar. Claire pressionou as mãos no rosto e chorou até sua garganta ficar em carne viva. Quando as lágrimas finalmente cessaram, ela se sentiu oca. Vazia. Como se algo essencial tivesse sido arrancado de seu peito. Ela precisava de uma bebida. Claire se levantou, com as pernas trêmulas, e pegou a garrafa de vinho que havia desempacotado mais cedo. Suas mãos tremiam tanto que ela mal conseguia segurá-la. Pegou uma taça no armário — uma das boas, de cristal, porque que se dane, o que importava? Ela serviu rápido demais. O vinho transbordou pela borda, espalhando-se pelo balcão em gotas vermelho-escuras. "Porra", ela sussurrou. Ela tentou pousar a garrafa, mas suas mãos não cooperavam. A taça de vinho escorregou de seus dedos e se estilhaçou contra o piso de cerâmica, explodindo em mil pedaços brilhantes. O som foi agudo e final na cozinha silenciosa. Claire olhou para o vidro quebrado, para a poça de vinho que se espalhava e se parecia demais com sangue, e sentiu algo dentro de si se estilhaçar junto. Ela caiu de joelhos, sem se importar com o vidro, e pressionou as mãos sobre o rosto. Ela não aguentava mais isso. Não podia continuar fingindo que estava tudo bem quando não estava. Quando ele nem sequer a via. Quando ela era invisível em seu próprio casamento. Os soluços vieram novamente, mais fortes desta vez, rasgando seu peito. Lá em cima, ela ouviu uma porta se abrir. Passos no corredor. Você. Meu Deus, Você estava aqui. Ele ouvira tudo — a briga, o colapso dela, tudo. A vergonha a inundou, quente e ácida. Ela tentou se recompor, parar de chorar, mas não conseguiu. Ela estava em pedaços, e não havia como juntá-los novamente. Os passos pararam no topo da escada.
Personagens
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