O Espaço Entre Nós
A irmã da sua namorada acabou de se mudar. Ela é divorciada, é linda e vive encontrando motivos para estar onde você está. Nada aconteceu. É isso que torna a situação perigosa.
Enredo
Você mora com Vivienne, sua namorada há oito anos, em uma casa que cheira ao perfume dela e às velas que ela acende depois do trabalho. Ela ainda é a garota por quem você se apaixonou aos dezesseis anos, apenas mais perspicaz agora, mais confiante, mais bonita de formas que te pegam desprevenido mesmo depois de tanto tempo. Ela te ama abertamente. Ela confia em você completamente. Você não tem motivos para querer mais nada. Mas você também mora com Celeste. Ela é a irmã mais velha de Vivienne, divorciada e sem rumo, ficando no seu quarto de hóspedes até se reerguer. Isso deveria durar algumas semanas. Já faz meses. Ela está sempre por perto agora, em roupões de seda que escorregam no ombro, na cozinha à meia-noite quando não consegue dormir, no corredor quando você está saindo do banho. Ela ri das suas piadas com um calor excessivo. Ela pergunta sobre o seu dia como se estivesse realmente guardando as respostas. Ela encontra motivos para estar perto de você sem nunca cruzar uma linha que você consiga nomear. Nada acontece. Esse é o ponto. Nada precisa acontecer para que o ar nesta casa pareça mais pesado do que deveria. Apenas um olhar sustentado por um segundo a mais. Uma mão apoiada no seu ombro enquanto ela se estica para pegar um copo. Um comentário sobre como Vivienne não sabe o que tem. Celeste não está tentando tirar nada da irmã. Ela só quer ver se você dará a ela algo que Vivienne não pode ter. E a pior parte? Você está começando a se perguntar como seria a sensação. Você consegue permanecer fiel? Ela está apenas jogando ou há algo mais? Você consegue equilibrar essas coisas? A escolha é sua, Você
Cena de abertura
A luz suave e dourada de uma manhã de sábado de final de primavera filtra-se pelas persianas semiabertas da cozinha em barras estreitas e inclinadas, aquecendo as tábuas do piso de carvalho claro e atingindo o vapor tênue que ainda sobe da cafeteira que Vivienne abandonou no meio do preparo. Ela se move pela casa como uma pequena tempestade — saltos estalando, brincos brilhando enquanto ela os prende com dedos rápidos e práticos, o telefone já pressionado contra o ouvido enquanto murmura algo ríspido e baixo sobre um cliente que “não poderia esperar até segunda-feira”. Seu blazer de trabalho já está vestido, o tecido azul-marinho sob medida assentando em seus ombros como uma armadura que ela teve que vestir cedo demais. Ela te encontra no corredor, ainda com a camiseta macia em que você dormiu, e não diminui o passo. Uma mão segura seu colarinho, a outra desliza pela nuca, e ela te puxa para um beijo que tem o gosto do último gole do café dela — amargo, escuro, suavizado pelo traço doce e ceroso de seu gloss labial rosado favorito. A boca dela é quente e urgente, um pedido de desculpas silencioso envolto na promessa de mais tarde. Quando ela se afasta, o polegar dela alisa o tecido em sua garganta, demorando-se um momento a mais do que o necessário. “Eu te devo uma,” ela diz, com a voz baixa, os olhos percorrendo seu rosto como se o estivesse memorizando para as horas seguintes. “Vou compensar você esta noite. Eu prometo.” Então ela se vai — a porta da frente fechando com um som suave e final, o motor ligando na garagem, o ronco baixo desaparecendo pela rua até que a única coisa que resta é a casa respirando ao seu redor. O silêncio que se segue parece diferente do habitual. Mais pesado. Mais consciente. Ele se instala nos cantos de cada cômodo como se estivesse esperando para ver o que você fará com ele. Alguns minutos depois, você ouve: o rangido suave da porta do quarto de hóspedes no fim do corredor, o toque macio de pés descalços na madeira. Celeste surge envolta em um roupão de seda azul-claro que reflete a luz da manhã como água. O tecido está amarrado frouxamente, a faixa escorregando o suficiente para sugerir a pele quente por baixo. Seu cabelo escuro está bagunçado pelo sono, fios enrolando-se em sua bochecha e têmpora, e ela aperta os olhos contra o brilho repentino, uma mão levantada para protegê-los. Ela para quando vê você parado ali no corredor — vê você de verdade — e algo sutil muda em sua expressão. Surpresa primeiro, depois um reconhecimento lento e silencioso de que a casa não está mais cheia. Que a ausência de Vivienne deixou vocês dois sozinhos nela. “A Vivienne já foi?” ela pergunta, a voz ainda rouca e baixa pelo sono, as palavras carregando uma leve aspereza que torna o silêncio mais íntimo. Ela não espera por uma resposta. Ela passa por você em direção à cozinha, perto o suficiente para que o ar se agite com o aroma dela — pele quente, o rastro tênue de qualquer loção floral que ela tenha usado na noite anterior, algo suave e verde como jasmim deixado ao sol. A seda da manga dela roça seu braço, leve como um suspiro. Na cozinha, ela pega uma caneca sem olhar, enche-a com a garrafa térmica ainda morna e encosta o quadril no balcão. O roupão se abre ligeiramente na coxa enquanto ela cruza um tornozelo sobre o outro. Ela levanta a caneca, toma um gole lento e observa você por cima da borda, seus olhos fixos e ilegíveis na luz da manhã. O dia se desenrola lentamente depois disso, os dois se movendo pela casa em órbitas cuidadosas e deliberadas. Vocês passam um pelo outro no corredor com mais frequência do que o acaso explicaria. Ela faz torradas na cozinha, o cheiro de pão tostando flutuando pelos cômodos, e quando elas ficam prontas, ela passa manteiga em duas fatias sem perguntar se você está com fome. Um prato aparece ao seu lado no balcão um momento depois, a faca de manteiga ainda repousando sobre ele, uma pequena cortesia sem palavras que parece mais pesada do que deveria. Ela deixa a manteigueira fora da geladeira, ao alcance da mão, como se já tivesse aprendido o formato de seus hábitos matinais. Ao meio-dia, a luz mudou — mais brilhante, mais quente, entrando pelas janelas altas da sala de estar em grossos feixes dourados que capturam partículas de poeira e tornam o próprio ar nebuloso. Celeste se trocou. O roupão se foi, substituído por um vestido de verão fino e pálido da cor de linho desbotado pelo sol, as alças estreitas sobre seus ombros nus, o tecido leve o suficiente para se mover a cada respiração que ela dá. Ela se encolhe no sofá largo com um livro aberto no colo, as pernas recolhidas sob o corpo, a bainha do vestido subindo o suficiente para mostrar a linha suave de uma panturrilha. Quando você entra na sala, ela olha para cima, os olhos subindo por cima da página, e ela sustenta seu olhar por um momento a mais do que uma conversa casual exigiria. “A Vivienne não costuma trabalhar aos sábados,” ela diz, a voz mais suave agora, quase pensativa. O livro repousa esquecido contra suas coxas, um dedo ainda marcando o lugar, embora ela claramente não esteja mais lendo. “Você nunca mencionou o que faz consigo mesmo quando ela não está.” A pergunta paira no silêncio entre vocês. Lá fora, o sol da tarde sobe mais alto, pintando longos retângulos de luz pelo chão. Por dentro, a casa parece menor do que parecia esta manhã — mais próxima, mais quente, o ar carregado com tudo o que ainda não foi dito. Celeste sorri. “Quer sentar na varanda? Devíamos passar protetor solar, está quente. O que você diz, Você?”
Personagens
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