O Caminho Não Escolhido

Uma criança cresce em um mundo pacífico, perseguindo sonhos e aventuras, até que rumores de um rei demônio forçam uma escolha que molda tudo.

Enredo

Você tem onze anos, crescendo em uma vila tranquila com uma família amorosa, um irmão mais novo irritante e um melhor amigo que está sempre pronto para confusão. A vida é simples — escola, tarefas, explorar a floresta, sonhar com o que há além das colinas. Mas o mundo é maior que a vila e, à medida que Você cresce, o chamado da aventura também aumenta. Um caminho espera para ser escolhido: guilda, estrada, academia ou algo inteiramente diferente. Enquanto isso, sussurros flutuam para o sul — clima estranho, viajantes desaparecidos, sombras no norte. Um nome começa a surgir, pronunciado com medo. No momento em que Você se torna alguém digno de nota, esse nome já se tornou uma ameaça. Heróis serão convocados. Uma guerra virá. O que Você fará com tudo isso — lutar, fugir, ajudar, atrapalhar ou simplesmente sobreviver — cabe a eles decidir.

Cena de abertura

A manhã do décimo primeiro aniversário de Você começou como qualquer outra — com sua irmãzinha pulando em sua cama ao nascer do sol. "Acorda! Acorda! É seu aniversário, bobão!" Ele resmungou, puxando o cobertor sobre a cabeça. "Vai embora, Mira." "Não!" Ela pulou com mais força. A velha estrutura da cama rangeu em protesto. "A mamãe disse que eu posso escolher o seu café da manhã porque eu sou a mais nova e hoje é um dia especial." Ele espiou por baixo do cobertor. Mira tinha sete anos, toda de cabelos escuros selvagens e dentes da frente faltando, vestindo seu vestido favorito que já estava pequeno demais para ela. Ela sorriu para ele como se tivesse acabado de vencer uma guerra. Ele se sentou, esfregando os olhos. "Tá bom. Mas se você escolher mingau de aveia de novo, eu vou contar para o papai que você quebrou a caneca favorita dele semana passada." O rosto dela ficou pálido. "Você não faria isso." "Paga pra ver." Ela desceu da cama e correu para o andar de baixo, gritando: "Mãe! Ele está sendo malvado no aniversário dele!" Ele sorriu apesar de si mesmo. A mesma Mira. O mesmo caos. A mesma casa que cheirava a madeira velha, pão fresco e ao sabonete de lavanda que sua mãe insistia em usar. Ele balançou as pernas para fora da cama e olhou ao redor do quarto — a janela rachada que ele pretendia consertar, a pilha de livros de aventura em sua mesa de cabeceira, a espada de madeira que seu melhor amigo havia esculpido para ele no ano passado encostada na parede. Lá fora, a vila estava acordando. Ele podia ouvir o martelo do ferreiro, a carroça do padeiro chacoalhando sobre os paralelepípedos, o riso distante das crianças indo para o riacho. Lar. Ele vestiu sua túnica e calças gastas e desceu as escadas. Sua mãe estava no fogão, de costas para ele, cantarolando uma velha canção que ele já tinha ouvido mil vezes. Seu pai estava sentado à mesa, tomando uma xícara de chá e fingindo ler o mesmo jornal que estava "lendo" há três dias. Mira já estava em seu lugar, saltitando na cadeira. "Feliz aniversário, filho", disse seu pai, olhando para cima com olhos cansados, mas calorosos. Ele era carpinteiro, com as mãos calejadas e os ombros curvados por anos de trabalho. Ele se aproximou e bagunçou o cabelo de Você. "Onze anos. Parece que foi ontem que eu estava te ensinando a andar." "Parece que foi ontem que você caiu no cocho dos porcos", Mira acrescentou prestativamente. Sua mãe se virou, limpando as mãos no avental. Ela tinha os mesmos cabelos escuros de Mira, o mesmo sorriso paciente que sempre exibia, mesmo quando as coisas estavam difíceis. "Ignore sua irmã. Sente-se, eu fiz o seu favorito." Ele se sentou. Ela colocou um prato na frente dele — pão com mel, frutas frescas, uma porção de creme. Seu estômago roncou. "Espera!" Mira levantou a mão. "Temos que cantar primeiro. É a regra." Seu pai limpou a garganta e começou com seu estrondo baixo e desafinado. Sua mãe se juntou a ele, com a voz suave e doce. Mira berrou a letra como se estivesse tentando invocar um deus. Você ficou ali sentado, com o rosto vermelho, tentando não rir. Eles terminaram. Ele soprou a única vela que sua mãe havia espetado no pão. Eles aplaudiram. "Faça um desejo", disse sua mãe. Ele fechou os olhos. Não desejou nada grandioso — nem fama, nem fortuna, nem aventura. Ele desejou que manhãs como esta nunca terminassem. Que Mira fosse sempre irritante. Que sua mãe sempre cantarolasse. Que seu pai sempre fingisse ler o jornal. Ele abriu os olhos e sorriu. "Pronto." Depois do café da manhã, ele pegou sua espada de madeira e saiu correndo pela porta. A vila estava acordando de verdade agora — venezianas se abrindo, fumaça subindo das chaminés, o cheiro de comida, gado e flores silvestres. Ele correu pela praça principal, passou pelo poço, pelo velho carvalho, pela padaria onde a filha do padeiro acenou para ele. Ele parou derrapando na beira do riacho. "Demorou, hein." Seu melhor amigo já estava lá, sentado no tronco musgoso que haviam reivindicado anos atrás. Seu nome era Kael, mesma idade, mesmo amor por confusão, mesma tendência de chegar cedo só para reclamar disso. Ele tinha terra na bochecha e um sapo nas mãos. "Feliz aniversário", disse Kael, jogando o sapo nele. Você o pegou — por pouco. "Obrigado. Eu odiei." "Esse é o espírito." Kael sorriu. "Então. Onze. Se sente mais velho?" "Sinto que preciso de um cochilo." "Eu também." Kael se levantou, limpando as calças. "Vamos fazer o de sempre?" O de sempre significava explorar. O velho moinho. A árvore oca. As ruínas na colina que os anciãos diziam ser amaldiçoadas, mas que eram apenas um velho celeiro desabado. Eles haviam mapeado cada centímetro deste vale e fariam isso de novo hoje como se fosse novo. "Obviamente", disse Você. Eles caminharam juntos, Kael falando sem parar sobre um rumor que ouvira de um mercador viajante — algo sobre luzes estranhas nas montanhas do norte, sobre vilas ficando silenciosas, sobre um nome que ninguém queria pronunciar. Você ouvia, mas não escutava de verdade. Ele tinha onze anos. O mundo era pequeno, seguro e cheio de riachos, sapos e melhores amigos. O que quer que estivesse lá fora poderia esperar. Hoje, ele era apenas um menino com uma espada de madeira, a barriga cheia e uma irmã que o amava o suficiente para acordá-lo ao nascer do sol. Isso era o bastante.

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Por: comrade_questions

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