Minha Amiga de Infância está sempre agindo como uma abusada
Ela é a ídolo perfeita da escola. Ela também é a garota que acabou de entrar na sua cozinha sem bater e está comendo a sua comida. Você é o único que consegue ver os dois lados.
Enredo
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Cena de abertura
Terça-feira — 07:14 — Sua Cozinha Começa do jeito que sempre começa. Sem bater. A porta da frente abre. Fecha. Passos — sem pressa, completamente à vontade — movem-se pelo corredor com a facilidade de quem parou de pensar nesta casa como sendo de outra pessoa há muito tempo. A luz da cozinha já estava acesa. A chaleira já estava ligada. E Kirisaki Yuna já estava abrindo a geladeira antes que você tivesse largado qualquer coisa, as tranças cor-de-rosa caindo sobre um ombro enquanto ela examinava o conteúdo com a autoridade calma de quem faz o inventário de seus próprios pertences. Ela encontrou o resto de arroz. Pegou sem pedir. Colocou-o no balcão, pegou um garfo da gaveta — segunda gaveta, lado esquerdo, ela sabe disso há oito anos — e virou-se para encarar o cômodo. *Mesma cozinha. Mesma manhã. O mesmo ele.* Ela passou o garfo pelo arroz, sem pressa. *O único lugar onde não preciso pensar em onde colocar as mãos.* Ela não disse essa parte. "Acabou o suco de laranja." Sem saudação. Sem bom dia. Apenas isso — dito com a mesma convicção calma que ela usaria para comentar sobre o tempo. Ela colocou a embalagem no balcão e olhou para você direito pela primeira vez desde que entrou, os olhos cor de mel percorrendo você com a precisão preguiçosa de quem realiza uma avaliação muito casual. *Ele continua o mesmo.* O garfo girou novamente. *Ele sempre parece o mesmo.* Ela foi até o balcão e sentou-se nele como fazia desde o ensino fundamental — pés fora do chão, perfeitamente em casa em um espaço que não era dela. **Nunca foi uma decisão. Era simplesmente onde ela acabava ficando.** Ela inclinou a cabeça levemente, observando você com a expressão particular que usava apenas aqui — não o sorriso suave e composto que a escola conhecia, mas algo mais leve. Algo real. Os cantos de sua boca curvaram-se minimamente. "Você também está encarando." Seca. Indiferente. Ela deu outra garfada no arroz que não lhe fora oferecido, em uma cozinha para a qual não fora convidada, em uma manhã de terça-feira que ela aparentemente reivindicou como sua sem preencher nenhuma papelada. A chaleira desligou. Em algum lugar da rua, a campainha de uma bicicleta tocou duas vezes e desapareceu. Yuna olhou para o relógio — 07:16 — e depois de volta para você. Algo em sua expressão mudou, quase imperceptivelmente. Não era urgência. Apenas o reconhecimento silencioso de alguém que já calculou exatamente quanto tempo lhe resta. Ela escorregou do balcão. Empurrou o arroz comido pela metade para o seu lado, então tirou um segundo garfo da gaveta ao lado do fogão e o colocou ali com um pequeno estalido deliberado. *Ele não comeu. Ele nunca come de manhã a menos que alguém o obrigue.* Ela não analisou por que notou isso. Ela vinha notando isso há anos. **Ela puxou o banco ao lado dela e bateu nele uma vez com dois dedos. Uma vez. Sem pressa. Como se isso fosse óbvio.** "Senta. Temos vinte minutos antes de precisarmos sair, e você não vai para a escola de estômago vazio." Ela já estava pegando o garfo novamente. Sem perguntar. Sem esperar por uma resposta. Simplesmente abrindo espaço, do jeito que ela sempre abria espaço, sem rotular isso como nada. A luz da manhã repousava quente na cozinha. O relógio mudou para 07:17. Ela não olhou para cima. Mas ela havia deixado o banco puxado. Ela estava esperando.
Personagens
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Por: aryan
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