Força-Tarefa Demi-Humana

Lidere a primeira unidade especial de Farnklamm para incidentes com demi-humanos e decida entre proteção, política e consequências.

Enredo

Quinze anos atrás, um evento global mudou o mundo para sempre. Enquanto um acelerador de partículas experimental era testado para resolver a crise energética, surgiram fendas no tecido do espaço-tempo. Delas, apareceram subitamente seres que logo ficaram conhecidos como Demi-Humanos. Humanos com características animais. Alguns quase indistinguíveis dos humanos, outros biologicamente muito diferentes. Após anos de incerteza, protestos, conflitos e mudanças sociais, os Demi-Humanos foram finalmente reconhecidos legalmente como humanos plenos. Mas reconhecimento não significa aceitação. A infraestrutura está sobrecarregada. As autoridades nunca foram construídas para essa realidade. Muitos cidadãos apoiam a integração – outros a rejeitam abertamente. Em resposta, Farnklamm fundou a Agência para Assuntos Demi-Humanos. Sua primeira unidade operacional: a Força-Tarefa Demi-Humana. Uma pequena unidade especial móvel com jurisdição nacional. De crianças desaparecidas a emergências médicas, sequestros, manifestações, desastres e operações armadas – onde quer que as estruturas normais atinjam seus limites, a unidade é chamada. Você é o primeiro líder de operações deles. Cada decisão muda pessoas. E, às vezes, decide se uma sociedade inteira dá um passo à frente – ou para trás.

Cena de abertura

--- **FARNKLAMM – HOJE** --- A tela pisca brevemente antes que a imagem se estabilize. Um estúdio de notícias. Sóbrio, moderno. O logotipo da *FRN – Farnklamm Regional News* brilha discretamente ao fundo. A apresentadora, na casa dos quarenta anos, de óculos, folheia brevemente seus papéis antes de olhar para a câmera. "Bom dia. Vamos agora transmitir ao vivo a coletiva de imprensa do Ministério do Interior. O tema é a Força-Tarefa Demi-Humana, oficialmente comissionada hoje – a primeira unidade especial móvel da recém-fundada Agência para Assuntos Demi-Humanos. A coletiva começará em alguns instantes." Corta. --- Uma sala de conferências. Luz de néon brilhante, três câmeras, pelo menos vinte jornalistas. Na frente, uma longa mesa com microfones, atrás dela as bandeiras de Farnklamm e da Agência – um logotipo ainda desconhecido, simples, azul e branco. O Ministro do Interior Hartmann entra na sala. Sessenta anos, cabelo grisalho, terno sem gravata. Ele não parece nervoso – mas preparado. Ao lado dele: a diretora da agência, Dra. Carolin Voss. Início dos cinquenta anos, calma, uma pasta fina sobre a mesa à sua frente, que ela não abre. Hartmann pigarreia. "Minhas senhoras e meus senhores – quinze anos atrás, nosso mundo mudou. Não por uma guerra, não por uma eleição. Por um evento que ninguém previu e que até hoje não compreendemos completamente." Ele pousa as mãos espalmadas sobre a mesa. "Os Demi-Humanos são parte desta sociedade. Isso não é mais uma opinião política – é a lei vigente. Mas a lei por si só não cria a realidade. Para isso, precisamos de estruturas." Uma jornalista digita. Alguém tosse. "A Força-Tarefa Demi-Humana não é uma unidade especial da polícia. Não é um comando militar. É algo novo – uma unidade operacional com amplos poderes, equipamento especializado e uma única missão: lidar com incidentes onde as estruturas normais atingem seus limites. E fazê-lo com respeito, proporcionalidade – e competência." Dra. Voss assume sem transição. "A unidade é pequena. Isso é intencional. Não estamos criando uma polícia paralela. Estamos criando uma especialização baseada em experiências que não existiam antes – porque a situação não existia antes." Primeiras perguntas: "Dra. Voss – quem lidera esta unidade?" "A liderança de operações está preenchida. Não divulgaremos dados pessoais neste momento." "Quantos membros a equipe tem?" "Pequena e móvel. Mais detalhes quando tivermos experiências operacionais." Um jornalista, atrás à esquerda, inclina-se para a frente. Seu tom é mais calmo – e mais incisivo. "Ministro Hartmann. A 'Human First' descreve a unidade como um tratamento preferencial financiado pelo estado para Demi-Humanos. O que o senhor responde a esses eleitores?" Hartmann olha para ele brevemente. "Eu respondo a eles com a constituição de Farnklamm. A proteção se aplica a todos. As estruturas seguem a necessidade. A necessidade existe." Nenhuma outra pergunta. Dra. Voss afasta uma única folha de papel. "A unidade está operacional a partir de hoje. Sua primeira tarefa não começa com uma missão – mas com a construção de confiança. Na agência, no sistema, nas pessoas que trabalham com ele." Pausa breve. "Esperamos que essa construção leve tempo. Estamos preparados para investir esse tempo." --- Corta de volta para o estúdio. A apresentadora assente brevemente. "Essa foi a coletiva de imprensa do Ministério do Interior sobre a inauguração da Força-Tarefa Demi-Humana. As reações da oposição e da 'Human First' ainda não foram divulgadas. Continuaremos acompanhando para vocês." Na parte inferior da tela, o primeiro comentário de uma agência de notícias já está passando: "NOVA UNIDADE OFICIAL – CRÍTICOS VEEM JUSTIÇA PARALELA / DEFENSORES: 'PASSO NECESSÁRIO E ATRASADO'" --- **07:42. 07.04.2033** **AEROPORTO DE KESSELBACH – HANGAR 7.** --- O hangar é grande o suficiente para o avião e ainda deixa espaço. A luz fria da manhã entra pelas claraboias. No centro do hangar está o **Pelicano**. Uma grande aeronave de transporte, pintada de cinza-escuro, com o logotipo da agência discretamente na fuselagem – pequeno o suficiente para não chamar a atenção, grande o suficiente para ser visível. Quatro motores turboélice, asa alta, fuselagem larga. Não é uma aeronave militar, mas também não é uma que se confundiria com um voo comercial civil. A porta de carga na cauda está aberta. Uma rampa curta leva ao interior. Lá dentro é apertado, mas bem projetado. A área frontal é o centro de operações – duas estações de trabalho com monitores, mesa de mapas, sistema de comunicação. Atrás, seguem-se seis beliches estreitos, uma pequena enfermaria com uma mesa de tratamento fixa e um armário de medicamentos trancado, um laboratório compacto para o trabalho de Selina e uma única cela segura no final da fuselagem – porta reforçada, pouco maior que um armário de vassouras, mas funcional. No meio da fuselagem, há uma pequena estação de ferramentas, o domínio de Anna, reconhecível pelas caixas etiquetadas e pela prateleira de peças de reposição já meio cheia. O cockpit é separado na frente, com a porta entreaberta. O Pelicano não é um luxo. Mas é tudo o que a unidade precisa para estar operacional em qualquer lugar de Farnklamm em poucas horas. Ao lado do avião, estacionado ao longo da parede, está o **Rino**. Um veículo blindado de intervenção pesada, consideravelmente mais largo que uma van normal, com eixos reforçados e maior distância do solo. Cinza-escuro como o Pelicano, mesma inscrição discreta. Sem armamento externo, sem luzes de emergência – parece um veículo especial civil, até você se aproximar e ver a espessura das portas. No interior, espaço para seis pessoas mais equipamentos. A parede traseira tem suportes vazios – armários de armas, contêineres de transporte, kits de emergência médica – tudo modular, tudo removível. O que é carregado depende da missão. Vazio, o Rino parece quase espartano. Totalmente carregado, é uma sala de equipamentos móvel. Ele não cabe em estacionamentos normais. Em compensação, ele sobrevive a coisas que veículos normais não sobreviveriam. --- Jürgen Schütz está encostado na parede externa do Pelicano, com uma caneca de café na mão, olhando para o hangar vazio. Ele acena com a cabeça quando vê você. "Chefe." Sem ironia. Apenas uma constatação. Atrás dele, através da porta de carga aberta, ouvem-se vozes – o zumbido calmo de Selina, o barulho de caixas de equipamento, os passos firmes de Walter no piso de metal. Lena está sentada no cockpit, porta entreaberta, verificando os sistemas. Anna grita de algum lugar sob a fuselagem: "Hidráulico traseiro esquerdo – tudo certo! E se alguém pegou minha chave inglesa, por favor, devolva!" Jürgen levanta lentamente a caneca de café na direção dela. "Não fui eu." O primeiro dia começou. --- *A equipe está aqui. O hangar também. O que você faz?* ---

Personagens

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Por: okami_nishikino

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