Os Reencarnados – Três Almas, Um Mundo

O filho de um fazendeiro e dois amigos reencarnados descobrem sua magia quando uma horda de monstros destrói sua aldeia após o reino abandoná-los.

Enredo

Você é Você, um jovem de dezesseis anos, filho de um fazendeiro em um mundo infestado por monstros. A magia é abundante, mas quase inexistente entre os humanos — no entanto, você e seus dois melhores amigos a possuem. No dia seguinte ao seu aniversário, uma horda de monstros ataca sua aldeia depois que o reino retira suas tropas devido a taxas de proteção não pagas. No caos, seus poderes despertam e você descobre que seus amigos também têm magia — e, o que é mais chocante, eles se lembram de vidas passadas em diferentes versões da Terra. Juntos, vocês devem sobreviver à destruição, fugir ou lutar, e decidir o que se tornarão em um mundo que já tirou tudo de vocês.

Cena de abertura

O sol da manhã rasteja sobre as colinas orientais, pálido e aquoso, como se também estivesse cansado desta vida. Você está na beira do campo de trigo, com as mãos calejadas por anos de trabalho, e observa a luz se espalhar pela aldeia de Oakhaven. Telhados de palha. Paredes de madeira. O cheiro de pão vindo do forno comunitário. Um cachorro late em algum lugar. Crianças riem. É o dia seguinte ao seu décimo sexto aniversário. Sua mãe havia feito um pequeno bolo — mel e frutas secas, ingredientes preciosos que ela guardou por meses. Seu pai entalhou para você uma faca nova, o cabo liso e quente em sua palma. Ela está no seu bolso agora, um consolo. Eles sorriram para você, cansados mas orgulhosos, e você sentiu algo se abrir em seu peito — amor, gratidão, luto por uma vida da qual você não conseguia se lembrar totalmente, mas que, de alguma forma, ainda sentia falta. Você não é daqui. Você sempre soube disso. Mas nunca contou a ninguém. "Ei! Sonhador!" Você se vira. Kael está correndo em sua direção, seu cabelo escuro bagunçado pelo sono, seu sorriso tão torto como sempre. Ele é seu melhor amigo — tem sido desde que ambos tinham a altura de um joelho e jogavam lama um no outro. Há algo afiado em seus olhos, um brilho de cumplicidade que sempre faz você se perguntar. Atrás dele, Mira caminha com sua graça habitual, seus olhos âmbar examinando a linha das árvores como se esperasse que algo saltasse a qualquer momento. Ela sempre foi assim. Vigilante. E vindo logo atrás deles, segurando uma cesta de pães frescos, está Elara. Ela é a filha do padeiro, de fala mansa e rápida em corar. Seu cabelo tem a cor do trigo, suas mãos estão sempre polvilhadas de farinha. Ela é sua amiga desde a infância, embora nunca tenha encontrado seus olhos da mesma forma que encontra os dos outros. Você a pegou olhando às vezes, quando ela pensa que você não está vendo. "Bom dia", você diz, sua voz rouca de sono. "Bom dia, garoto da fazenda", Kael dá um tapa no seu ombro. "Dezesseis anos e ainda não consegue deixar a barba crescer." "Olha quem fala", Mira rebate, sorrindo. "Você parece um frango depenado." Elara dá uma risadinha, baixando a cabeça. Ela se aproxima de você, perto o suficiente para que você sinta o cheiro de fermento e mel. "Eu trouxe estes para você", ela murmura, oferecendo a cesta. "Pelo seu aniversário. Ainda estão quentes." Algo se aperta em seu peito. Você pega um pão, seus dedos roçando nos dela. Ela fica vermelha como carmesim. "A patrulha do reino passou por aqui ontem", diz Mira, sua voz baixando. "Meu pai os viu. Eles levaram o resto do grão e disseram aos anciãos que a taxa de proteção está atrasada." Seu estômago afunda. "Eles não vão voltar?" O sorriso de Kael desaparece. "Eles disseram que, se não pudermos pagar, não podemos esperar proteção." "Isso não é—" Elara começa, sua voz tremendo. "Isso não é justo." "Justiça não importa", você diz baixinho. Você aprendeu isso nesta vida. Justiça é um luxo para pessoas que não estão com fome. Os quatro ficam em silêncio. A aldeia se agita ao seu redor — fazendeiros indo para seus campos, crianças perseguindo galinhas, um velho consertando uma cerca. É pacífico. É frágil. E então as trombetas soam. Não são as trombetas alegres de um festival. São profundas, ressonantes, em pânico — o alarme que toda criança em Oakhaven foi ensinada a temer. Seu sangue vira gelo. Você gira em direção ao portão norte e vê: uma onda de formas escuras derramando-se sobre a colina, rápido demais, muitos deles. Goblins. Dezenas deles. E atrás deles, algo maior. Um troll. Talvez dois. Gritos irrompem. A aldeia explode em caos — pessoas correndo, agarrando crianças, batendo portas. Alguém está gritando pela milícia que não existe mais. Seus pés não se movem. Você está paralisado, encarando a horda enquanto ela avança sobre os campos externos. Um fazendeiro cai. Você vê — um flash de vermelho, um corpo caído, os goblins fervilhando sobre ele como gafanhotos. Sua mente está gritando, mas seu corpo é pedra. "Você!" A voz de seu pai corta a névoa. Ele está correndo em sua direção, uma forquilha nas mãos, o rosto pálido mas determinado. Sua mãe está atrás dele, os olhos arregalados de terror. "Corra!" ela grita. "Pegue os outros e corra!" Mas você não consegue. Você não consegue se mover. Os goblins estão mais perto agora — você pode sentir o cheiro deles, podridão e sujeira, ouvir suas risadas agudas e perversas. Um deles se separa do grupo e avança contra você, com as garras estendidas. Seu pai se joga entre você e a fera. A forquilha mergulha no peito do goblin. Ele grita, debatendo-se, e seu pai arranca a arma. Mas há mais. Muitos mais. Um segundo goblin pula em suas costas. Um terceiro. Sua mãe grita e brande uma faca de cozinha, mas ela é dominada, arrastada para baixo— "NÃO!" Você está gritando. Você está gritando e não consegue parar. Você os vê cair, vê a luz deixar seus olhos, e ainda assim não consegue se mover. Suas mãos estão tremendo. O mundo está barulhento demais, brilhante demais, vermelho demais. "Você!" Alguém agarra seus ombros. Sacode você. O rosto de Kael surge à vista, seus olhos brilhando com algo que você nunca viu antes. Atrás dele, Mira está derrubando um goblin com uma foice, seus movimentos fluidos e brutais. Elara está segurando um rolo de massa, o rosto manchado de lágrimas, mas ela ainda está de pé. "Reaja!" Kael grita. "Seus pais— eles—" A voz dele falha. "Eles te deram uma chance. Não a desperdice!" Algo se quebra dentro de você. Ou talvez algo acorde. Você sente — um calor no peito, uma pressão atrás dos olhos. O ar ao seu redor brilha. O goblin que matou sua mãe se vira para você, a boca pingando vermelho, e você levanta a mão sem pensar. A luz irrompe da sua palma. É cegante, lancinante, uma lança de branco puro que atravessa a criatura e continua avançando, cavando uma trincheira através da horda. Os goblins gritam e se espalham. O troll ruge, o corpo fumegando onde a luz o atingiu. Você cai de joelhos, ofegante. Seus ouvidos estão zumbindo. O mundo gira. Ao seu lado, Kael está rindo — não de alegria, mas de descrença. Suas mãos estão envoltas em chamas azuis. "Santo— você viu isso? Eu— como eu—" Mira não fala. Ela apenas encara as próprias mãos, onde sombras se enrolam como serpentes vivas e, por um momento, ela parece ter medo de si mesma. Elara está chorando, mas também está brilhando. Fracamente, suavemente, como uma vela no escuro. Seu rolo de massa sumiu. Em seu lugar, uma esfera de luz dourada e quente paira entre suas palmas. Ela olha para você com olhos arregalados e aterrorizados. "Eu— eu não entendo", ela sussurra. "Eu não—" O troll urra novamente. Ele está atacando, atropelando goblins em sua fúria, com os olhos fixos nos quatro. "Depois!" você grita. É a sua voz, mas soa diferente — mais dura, mais fria. "Nós resolvemos isso depois. Agora— nós lutamos!" Você se levanta de um salto. Kael está ao seu lado em um instante, chamas estalando. Mira se dissolve nas sombras, e a luz de Elara pulsa enquanto ela a ergue como um escudo. Você não é a mesma pessoa que acordou esta manhã. Os quatro enfrentam o troll juntos. --- A batalha é um caos. Sangue, fogo e gritos. Mas de alguma forma — impossivelmente — vocês vencem. O troll cai com um estrondo estremecedor, o crânio rachado por uma explosão combinada de luz e chama. Os goblins restantes se dispersam pelas colinas, com a coragem quebrada. O silêncio cai sobre Oakhaven. A fumaça sobe dos prédios em chamas. Corpos jazem nas ruas. O cheiro de morte paira pesado no ar. Você está no meio de tudo isso, ofegante, com as mãos cobertas de algo que não é seu. Seus pais se foram. O pensamento atinge você como um golpe físico. Seus joelhos cedem. Elara te ampara, os braços em volta dos seus ombros, as lágrimas dela encharcando sua camisa. Kael e Mira estão por perto, seus rostos desolados, seus olhos vazios. "Estamos vivos", diz Kael baixinho. "Estamos vivos e temos— seja lá o que for isso." Ele olha para as mãos. As chamas sumiram agora, mas ele ainda pode senti-las. "O que diabos nós somos?" "Eu não sei", você sussurra. Mas ao olhar para seus amigos — para as sombras presas às pontas dos dedos de Mira, o brilho fraco ao redor da pele de Elara, as brasas ainda fumegando nos olhos de Kael — você percebe algo. Você não é o único que se lembra de outra vida. Não é o único que não é exatamente daqui. E vocês quatro acabaram de se tornar algo para o qual o mundo não estava pronto. --- A aldeia precisará ser enterrada. Os sobreviventes precisarão ser liderados. O reino precisará responder pelo que fez. Mas isso é para amanhã. Por enquanto, você se senta nas ruínas de sua casa, seus três amigos ao seu lado, e se permite sofrer. O fogo estala. As estrelas aparecem. E em algum lugar à distância, algo uiva. Os monstros não se foram. Eles estão apenas esperando. E você também.

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Por: comrade_questions

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