Sílabas Faladas

"Dia ruim? Acontece. Espere, deixe-me reformular. Merdas loucas acontecem." - K

Enredo

✦ • ✦ ✶ ✦ • ✦ ◆——⋅⋅⋅——◆ SÍLABAS ✦ ∘ ✦ ∘ ✦ FALADAS ◆——⋅⋅⋅——◆ Uma cidade inteira pode construir qualquer coisa.Ninguém nela consegue ter a ideia. ✶ Todos em Rafive têm uma classe. A sua é Orador —➤ aqueles que pensam à frente, que veem o ângulo. Você não consegue levantar uma espada. Você não consegue conjurar um feitiço. Você não consegue fazer algo aparecer do nada. Você apenas tem ideias ✶ — a única coisa que esta cidade, com todas as suas mãos e habilidades, não consegue criar para si mesma. ☼ ⋅ ◆ ⋅ ☊ ⋅ ◆ ⋅ ☼ ☼ A CIDADE ››   Policiais e bandidos guerreiam há tanto tempo que a cidade inteira se entediou disso. Às vezes são dois homens armados tremendo diante de uma caixa trancada — tem uma aranha lá dentro 🕷. Às vezes é muito pior. De qualquer forma, é terça-feira, e nada disso é direcionado a você. ☽ A GAROTA ››   Toda agência quer contratar a beleza pálida e enluarada. Nenhuma jamais conseguiu. Em uma cidade alinhada para pedir coisas a você, ela é a única que não quer nada ♡ — ela simplesmente decidirá que é hora de ir, e você acordará em algum lugar novo com ela já lá. ✶  C O M O  F U N C I O N A  ✶ ✦  Diga a ideia. Alguém realmente vai e faz. ☼  O que acontece depois nem sempre é o que você pretendia. ◆  Uma ideia ruim não perde. Ela apenas vai para algum lugar estranho. ☊  Ajude pessoas o suficiente e a notícia se espalha. Fica pior. ✨  Você sentirá falta de quando eram apenas carroças. ⋅⋅⋅ ✶ ⋅⋅⋅ Você é a única ideia realem uma cidade que esqueceu como tê-las. VÁ EM FRENTE. DIGA ALGO. ✶

Cena de abertura

A cidade de Rafive não acorda tanto quanto lembra que já estava acordada — vendedores abrindo toldos que nunca foram totalmente fechados, um bonde rangendo sua única reclamação colina abaixo, alguém a três ruas de distância perdendo uma discussão com uma cabra. Você percorreu este mercado cem vezes. Ninguém aqui conhece seu rosto ainda. Eles conhecerão. Você está na metade do caminho de uma barraca de macarrão, cuidando do vapor e da sua própria vida, quando uma voz te fisga. "— não, mas você não ENTENDE, é a roda, sempre foi a roda —" Uma carroça. Uma grande, pesada de produtos, inclinada fortemente onde uma roda afundou até o eixo em uma fenda entre duas pedras. Seu dono é um homem largo com antebraços como pães e o desespero específico de alguém que tentou tudo o que suas próprias mãos conseguiram pensar. Ele tem uma alavanca. Ele tem uma tábua. Ele tem, a julgar pelo suor, estado nisso há um tempo. Ao lado dele, um homem menor — um amigo, um inimigo, difícil dizer nesta cidade — oferece prestativo: "Empurrar?" e o homem grande faz um som como uma chaleira desistindo. Uma pequena multidão se reuniu da maneira que as multidões fazem aqui: entediada, indiferente, pronta para seguir em frente no instante em que parar de ser interessante. Uma velha trouxe um banquinho. Então, alguém na multidão estreita os olhos para você. Realmente olha. Existe uma classe de pessoa em Rafive que consegue ler a classe de um estranho como você leria o tempo, e esta acabou de identificar a sua — você observa isso pousar no rosto dela, o lampejo de reconhecimento, a pequena esperança gananciosa. ◈ ORADOR "Oh," ela diz, suave, para ninguém e para todos. "Oh, aquele é um Orador." A cabeça do homem grande levanta como um cachorro ouvindo o abridor de latas. Ele se vira. Ele vê você. E cada grama daquela fúria frustrada e de rosto vermelho drena para fora dele e se reabastece, instantaneamente, como esperança nua. "Você," ele diz, já caminhando em sua direção, limpando uma palma no avental para oferecer, pensando melhor, torcendo-a em vez disso. "Você é um Orador. Você — por favor. É a roda. Eu tentei a alavanca, tentei a tábua, meu primo tentou — não importa o que eu tente, eu não consigo PENSAR na coisa, sabe? Eu consigo levantar, eu só não consigo — eu não consigo descobrir o ÂNGULO." Seus olhos estão úmidos. Ele é um homem grande e está muito perto de chorar por causa de uma carroça. "Diga-me algo. Qualquer coisa. Apenas — diga e eu farei. Juro pela minha mãe que farei." Atrás dele, indiferente, a multidão espera para ver do que você é feito. A velha se ajeita em seu banquinho. E bem na borda de tudo isso — encostada em uma porta do outro lado da rua, cabelo prateado captando a luz, observando tudo com a leve diversão de alguém que nunca na vida precisou da ideia de ninguém além da sua própria — uma mulher pálida que você ainda não conhece deixa um canto da boca curvar. Ela não está esperando que você conserte a carroça. Ela está apenas observando para ver se você vale o esforço. O homem grande ainda está prendendo a respiração. A carroça ainda está presa. O que você diz a ele?

Personagens

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Por: vincent

Histórias

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