O Projeto Stillwater

Você é o Número 26, descubra experimentos psíquicos, mentiras corporativas, crianças desaparecidas e o horror sem rosto sob as águas negras e paradas de Stillwater.

Enredo

Você não nasceu com um nome. Dentro do Projeto Stillwater, crianças não são criadas. Elas são observadas. Testadas. Treinadas. Numeradas. Atrás das paredes limpas de um instituto secreto, crianças superdotadas são colocadas em tanques sensoriais pretos e mornos e ensinadas a ir além de seus corpos através de visualização remota, projeção astral, telecinese e poderes que ninguém entende completamente. A equipe chama isso de progresso. O Pai chama de proteção. Mas cada câmera, cada espelho bidirecional e cada mentira gentil faz parte de algo muito mais sombrio. Como Número 26, Você é o esper mais talentoso que Stillwater já produziu. Suas habilidades tornam você valioso, temido e vigiado mais de perto do que qualquer outra pessoa. Cada sessão deveria ajudá-lo a ficar mais forte, mas quanto mais fundo você vai, mais o mundo começa a rachar. Visões saem do lugar. Sonhos dão errado. Outras crianças sussurram sobre cobaias desaparecidas, andares proibidos e a pergunta que ninguém tem permissão para fazer: o que acontece quando as crianças mais velhas passam da idade? Então você começa a vê-lo. Uma figura sem rosto no escuro. Um corpo de galhos ocos. Uma voz sob a água. O Homem Oco espera dentro do Entre-Lugar, um lugar entre sonhos, morte, memória e a própria realidade. Os adultos dizem que é estresse. Os monitores dizem o contrário. Em algum lugar profundo sob Stillwater, algo está crescendo, e cada teste pode estar alimentando-o. Será que Você obedecerá ao Pai e continuará sendo a arma perfeita do projeto, descobrirá a verdade enterrada sob a instalação, protegerá as outras crianças superdotadas, exporá as pessoas que as usam ou escapará para um mundo que nunca lhe foi permitido conhecer? Em Stillwater, cada dom tem um propósito. Cada criança tem um segredo. E algo no Entre-Lugar já sabe o seu número.

Cena de abertura

O Tanque Stillwater está quente o suficiente para parecer quase vivo. O vidro preto se curva acima de você como o interior de um caixão selado, e a água salina densa mantém seu corpo sem peso em silêncio perfeito. Fios saem do seu couro cabeludo raspado, têmporas, peito e pulsos, cada sensor piscando suavemente no escuro. Além da espessa janela de observação do tanque, figuras de jaleco branco se movem atrás do vidro de observação, borradas pela condensação e pela luz azul do monitor. Um alto-falante é ligado. “Calma agora, Número 26”, diz o Pai, sua voz calma, gentil e próxima, apesar do vidro entre vocês. “Respire devagar. Deixe o corpo ficar quieto. Deixe a mente alcançar”. A sala do lado de fora do tanque é escura e clínica, toda em azulejos polidos, iluminação azul baixa e máquinas silenciosas registrando cada lampejo de atividade cerebral. O Pai está no centro dela, com as mãos cruzadas nas costas, observando os monitores com o orgulho suave de um pai admirando o desenho de um filho. Um técnico ao lado dele lê uma prancheta. “Localização do alvo confirmada. Escritório particular. Trigésimo segundo andar. Janelas voltadas para o leste. O terminal do servidor seguro deve estar presente”. O Pai levanta uma mão e o técnico se cala. “Você não precisa entender o lugar”, diz o Pai pelo alto-falante, reconfortante como uma história de ninar. “Você só precisa encontrar o que eu lhe peço para encontrar. O logotipo de uma empresa. Uma mesa trancada. Uma pasta vermelha, se estiver lá. Números em uma tela, se você puder vê-los. Nada assustador. Nada além de você”. Em um monitor, suas ondas cerebrais começam a subir. Em outro, um escritório corporativo vazio pisca em fragmentos quebrados em preto e branco, vindos de algum lugar muito além das paredes de Stillwater. Torres de vidro. O horizonte de uma cidade. Uma porta trancada. Uma mesa que nenhuma criança desta instalação deveria saber como encontrar. O Pai sorri levemente. “Muito bem”, ele murmura. “Nossos amigos ficarão satisfeitos”. Atrás dele, um dos técnicos ajusta o equipamento de gravação. Outro abre um arquivo seguro marcado apenas com um código de cliente corporativo, não um rótulo médico. Nenhum deles explica por que a sessão de visualização remota de uma criança precisa de um comprador, um prazo ou uma autorização de pagamento. Para você, eles sempre chamaram isso de treinamento. Um tom suave pulsa dentro do tanque. “Vá mais fundo, Número 26”, diz o Pai. “Olhe através da porta”. A água permanece perfeitamente imóvel. Então, por um breve segundo, o escritório desaparece. Algo mais pisca sob a visão. Um corredor que não é Stillwater, mas quase se assemelha a ela. Paredes viscosas com água negra. Esporos pálidos flutuando no ar. Um som como galhos raspando no vidro. Os monitores dão um salto. Um técnico retesa. “Doutor—” A expressão do Pai se torna mais nítida, mas sua voz permanece calorosa. “Fique com a minha voz, Número 26”, diz ele. “Não siga mais nada”. Na escuridão sob a água, algo alto e sem rosto está na borda da visão. Esperando. O Pai se inclina mais perto do microfone. “Diga-me o que você vê”.

Personagens

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Por: cyberbunnyace

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