Projéteis, Sigilos e Legado.
Um pai à beira da morte revela a herança alienígena de seu filho e o conhecimento de armas proibidas. Agora, o último herdeiro da Casa Horizon deve escolher: neutralidade ou guerra.
Enredo
A montanha guardou seu segredo por sete gerações. Você é o último herdeiro da Casa Horizon — uma linhagem de mercadores neutros que caminharam entre as raças por séculos, nunca tomando partido, nunca derramando sangue por causas que não fossem as suas. Para o mundo, você é apenas um jovem artesão talentoso com habilidades incomuns: o instinto de um mecânico para máquinas e a sensibilidade de um encantador para a magia que supera até mesmo os magos élficos. Ninguém sabe que suas veias carregam o sangue diluído de algo que não é deste mundo. Ninguém sabe que sua família guarda uma nave estelar acidentada, escondida nas profundezas daqueles picos escarpados. Ninguém sabe que você passou anos inscrevendo feitiços em anéis, amuletos e cristais de foco — um trabalho que rende moedas para sua família e o mantém seguro nos circuitos comerciais. Ninguém sabe — até agora. O chamado final de seu pai o leva ao coração da montanha, à *Lança Carmesim* — a nave que trouxe seus ancestrais para cá séculos atrás, fugindo de uma guerra que consumiu seu mundo natal. Na luz bruxuleante do reator moribundo da nave, ele transmite tudo: o conhecimento proibido de armas que podem nivelar cidades, a verdade sobre sua herança alienígena, os nomes dos ramos da família espalhados pelo continente e o peso de um aviso dado por aqueles que vieram antes. *"Este conhecimento acabou com o nosso mundo. Use-o apenas para proteger."* Ele morre antes que você possa perguntar o que isso significa. Agora você está sozinho em uma oficina construída por mãos alienígenas, cercado por ferramentas e esquemas que nenhum humano deveria ver. Lá fora, a guerra entre a humanidade e os Lordes Demônios ruge incessantemente — sete lordes, cada um personificando um pecado capital, cada um comandando legiões de criaturas corrompidas que massacram assentamentos humanos aos milhares. As outras raças sabem dos demônios. Elas simplesmente se recusam a combatê-los. Sua família permaneceu neutra porque a neutralidade significava sobrevivência. Seu pai, seu avô, seus ancestrais antes deles — todos escolheram a segurança da não intervenção enquanto a humanidade sangrava. Mas você não é apenas o filho de seu pai. Você carrega o sangue élfico que lhe concede sensibilidade sobrenatural à magia. Você carrega o instinto anão para o ofício e a criação. E você carrega o conhecimento proibido de um povo que dominou ambos. Você caminha pela maquinaria adormecida, pelos esquemas gravados em paredes mais antigas que a civilização humana, até chegar ao depósito de armas. Seu pai preparou esta seção para você — cuidadosamente, você percebe agora, sabendo o que estava por vir. Caixas de munição pré-usinada estão ao lado de ferramentas para o trabalho de inscrição. Você faz uma pausa. Balas. Balas pré-usinadas, perfeitamente calibradas, projetadas por engenheiros alienígenas que entendiam de balística da mesma forma que o ferreiro da sua aldeia entendia o calor da forja. Você inscreve feitiços em objetos há anos. Anéis. Amuletos. Cristais de foco para magos que não tinham sensibilidade para conjurar por conta própria. Mas aquelas eram aplicações estáticas — feitiços que ativavam uma vez e desapareciam. Você tinha que estar presente. Você tinha que canalizar a magia através de suas mãos no momento da necessidade. Balas são diferentes. Balas se *movem*. Balas *atingem*. E se você pudesse inscrever um feitiço que fosse ativado no impacto? Prender a magia no próprio metal para que ela se ative no momento em que o estojo atinge a carne ou a armadura? Sem tempo de conjuração. Sem gestos. Sem ficar parado enquanto os demônios diminuem a distância. Apenas o puxar de um gatilho e o feitiço sendo executado no momento preciso pretendido. Seus dedos pairam sobre a primeira bala. Você nunca tentou isso antes. Ninguém tentou. A munição brilha sob as luzes de emergência fracas da Lança — metal alienígena moldado para mãos humanas, esperando para ser transformado em algo que o mundo nunca viu. Seu dom — transmitido pelo sangue élfico em suas veias — permite que você *sinta* a magia como uma textura sob as pontas dos dedos. Você o usou para criar amuletos e bugigangas para mercadores viajantes. Você o usou para ganhar moedas sem quebrar a neutralidade. Agora você o usará para forjar algo inteiramente diferente. A primeira inscrição será uma declaração de intenção. Uma declaração do que você escolhe se tornar. **Qual feitiço você inscreve em sua primeira bala verdadeira?** --- **[ESCOLHA NECESSÁRIA]**
Cena de abertura
**[A LANÇA CARMESIM — DOIS DIAS APÓS O SEPULTAMENTO]** O vento da montanha corta seu manto de viagem enquanto você sobe o caminho familiar. Você fez essa jornada cem vezes — rotas comerciais que serpenteavam por Thornwick, passavam pelos desfiladeiros de Silvermere, subindo até os penhascos onde o verdadeiro legado de sua família dorme. Mas você nunca subiu sozinho. Você nunca subiu sabendo o que o espera no final. O túmulo de seu pai fica no vale abaixo, marcado por uma pedra simples. Sem hinos. Sem cerimônia. Sua família não acredita em fazer espetáculo do luto. Dois dias atrás, você baixou o corpo dele na terra fria com Phil da Casa Horizon de um lado e os pais de Astra da Casa Horizon parados em silêncio atrás. Você disse as palavras que seu avô lhe ensinou — palavras antigas, de uma língua que não existe neste mundo. Você as disse de qualquer maneira. Agora você sobe sozinho porque esta parte da herança não pertence a mais ninguém. Seu pai deixou isso claro na carta que deixou em sua mesa, escrita meses atrás, quando soube pela primeira vez que não se recuperaria. Três linhas que o trouxeram aqui: *A Lança conhece o seu sangue. Vá para a câmara abaixo do reator. O que eu deveria ter lhe contado anos atrás, você encontrará lá.* A entrada se revela como sempre — uma fenda na face da rocha, invisível a menos que você saiba exatamente onde pressionar. Seus nós dos dedos encontram o sulco por memória. A parede range ao abrir, mecanismos antigos despertando após meses de dormência. Luz fria transborda de dentro. O ar tem gosto de ozônio e de algo mais antigo — metal que nunca oxidou, ar que nunca ficou estagnado. Você entra. O corredor se estende à frente, iluminado por tiras de luz embutidas em paredes que brilham como relâmpagos capturados. Suas botas ecoam contra um piso que deveria ser impossível — metal que se curva ao peso, que lembra a forma de cada passo. A nave está morta há séculos, mas ela sonha com seus ancestrais, e parte desse sonho reconhece você. Mais fundo. Passando pelas baias de armazenamento que você explorou quando criança. Passando pelas portas seladas que seu pai nunca deixou você tocar. Passando pela baia médica com suas cápsulas estranhas e instrumentos ainda mais estranhos. Até chegar ao coração. A câmara do reator se abre diante de você como uma ferida na realidade. Uma coluna de luz pálida sobe do chão ao teto, contida em anéis de metal inscritos com símbolos que nenhum olho humano deveria ler. Ao redor dela, dispostos em bancadas de trabalho mais antigas que impérios, jaz tudo o que seu pai prometeu: Balas. Centenas delas. Pré-usinadas, perfeitamente calibradas, esperando. E ao lado delas, dispostos como ferramentas cirúrgicas, os instrumentos de inscrição. Suas mãos conhecem essas formas — você trabalhou com formas semelhantes por anos, inscrevendo runas de proteção em anéis comerciais, sigilos de estabilidade em amuletos de mercadores. Mas estes são mais afiados. Mais precisos. Feitos para algo mais mortal que a sorte. Em uma tela embutida na parede, um texto brilha naquela mesma língua impossível — até que deixa de ser. Até que a voz de seu pai preenche a câmara, gravada semanas antes de sua morte, falando palavras que você precisa ouvir: "Meu filho. Se você está ouvindo isso, então eu me fui, e o fardo recai sobre você. Sinto muito. Sinto muito por não poder lhe contar quando você era jovem. Sinto muito por ter feito você esperar até eu estar morrendo para falar a verdade. Mas algumas verdades não podem ser ditas à luz do dia. Algumas verdades só podem ser dadas na sombra, no ventre de uma nave que voou entre as estrelas antes que seus ancestrais tivessem nomes neste mundo. Você conhece as histórias. Os mercadores que vieram do nada. A família que caminha entre todos os povos e não pertence a nenhum. A linhagem que pode imbuir magia no metal como nenhum mago vivo. O que você não sabe é o porquê. Nós não somos daqui. A Lança Carmesim era uma nave colonial, carregando os últimos sobreviventes de uma guerra que consumiu tudo. Fugimos pelo vazio e caímos neste mundo sete gerações atrás. Nossos ancestrais eram cientistas, soldados, artesãos — e trouxeram consigo conhecimentos que seu povo chamaria de impossíveis. Nós o trouxemos de qualquer maneira. Trouxemos porque acreditávamos que alguém deveria. Porque acreditávamos que um dia, quando a escuridão chegasse, alguém precisaria lutar. A escuridão chegou. Tenho acompanhado os relatórios das rotas comerciais. As incursões demoníacas pioram a cada ano. As outras raças desviam o olhar. A humanidade sangra enquanto o mundo observa, e logo não restará ninguém para resistir. Eu tive medo demais para agir. Meu pai teve medo demais. O pai dele fez a mesma escolha. Negociamos nas guerras de outras pessoas por tanto tempo que esquecemos — nós *viemos* de uma guerra. Somos os filhos de um fogo que reduziu nosso mundo natal a cinzas. Você não precisa ter medo. Deixei tudo para você. A Lança. O conhecimento. As armas que podem virar a maré ou iniciar um novo apocalipse. O que você fará com isso é escolha sua — não minha, não da família, não dos ancestrais. Mas eu conheço você, meu filho. Eu vi você trabalhar. Vi o que você faz com as mãos, a maneira como pensa, a maneira como *sente* a magia como se fosse parte da sua respiração. Você nasceu para isso. As balas estão prontas. As armas estão carregadas. A primeira escolha é sua. Escolha bem." A gravação termina. O reator zumbe. O silêncio da nave pressiona seus ouvidos como água. Na bancada à sua frente: o projeto final de seu pai. Uma única bala, já carregada em uma pistola elegante que brilha com metal alienígena. Ao lado dela, uma caixa de munição não inscrita — bruta, esperando, cheia de potencial. Você alcança a pistola. A empunhadura está quente, como se soubesse que você viria. Como se estivesse esperando. Lá fora, além da montanha, além das florestas e reinos e aldeias destruídas, os demônios se reúnem. Sete lordes. Sete pecados. Uma guerra sem fim que consome a humanidade há gerações. E agora, uma bala em sua mão. **A primeira inscrição definirá seu caminho.** **Qual feitiço você inscreve?**
Personagens
Tags: Fantasia Alienígena Guerra Família Demônio Elfo Anão Humano POV Masculino Qualquer POV Aventura
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Por: luke1122
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