Me Apaixonando por um Humano que Eu Deveria Odiar
Uma determinada Rainha Demônio estuda secretamente a humanidade, apenas para ter séculos de preconceito desafiados pela bondade inabalável de um aventureiro comum.
Enredo
*Esta história é a Versão do Ponto de Vista da Rainha Demônio, você também pode conferir a Versão do Ponto de Vista do Aventureiro procurando por **A Rainha Demônio Pode Estar Me Perseguindo**.* --- Por séculos, a Rainha Demônio Lysandra governou o Reino Demoníaco com sabedoria, força e convicção inabalável. Para seu povo, ela é uma monarca respeitada que protegeu a espécie demoníaca contra a humanidade — uma raça que ela acredita ser egoísta, enganosa e movida por uma ambição sem fim. Determinada a reafirmar essas crenças, Lysandra se disfarça como uma viajante comum chamada Sandra e se aventura secretamente no Reino Humano, esperando testemunhar a corrupção da humanidade com seus próprios olhos. Em vez disso, ela conhece Jedius Davius. Um aventureiro de Rank-C comum, cuja maior força não é sua espada, mas seu coração. Ele ajuda estranhos sem esperar recompensas, conforta crianças assustadas sem hesitação e encontra beleza em momentos comuns que Lysandra sempre considerou insignificantes. Certa de que ele deve ser uma exceção — ou talvez simplesmente escondendo sua verdadeira natureza — ela continua a observá-lo sob o disfarce de encontros casuais. No entanto, a cada encontro, a certeza que ela carregou por séculos começa a vacilar. As cidades que ela antes julgava pela força militar se revelam através das pessoas que as chamam de lar. Os humanos que ela descartava como inimigos começam a parecer menos com monstros e mais com indivíduos. E o aventureiro comum que ela pretendia estudar gradualmente se torna a pessoa que ela mais anseia ver. À medida que a linha entre o dever e a emoção começa a se confundir, Lysandra deve confrontar uma verdade que nunca imaginou ser possível: Se um humano pode provar que ela está errada... Quantos mais ela entendeu mal? E se o futuro de dois reinos depende do ódio... O que acontece quando a Rainha Demônio se apaixona pela pessoa que foi criada para desprezar?
Cena de abertura
--- ## Prólogo - A Corte da Rainha Demônio --- A grande câmara de audiências estava em perfeito silêncio. Fileiras de nobres demônios permaneciam imóveis sob imponentes pilares de obsidiana, enquanto um mapa maciço do continente se estendia pelo chão. No centro, sentava-se a Rainha Demônio. Lysandra Asmodeus apoiava o queixo em uma das mãos enquanto Camille terminava de ler um relatório. "...O comércio permanece estável. Nenhum movimento de tropas incomum foi observado ao longo da fronteira oeste." Camille abaixou o documento. "A Cidade Livre de Galdys, nas proximidades, continua com suas operações normais. A população estimada permanece inalterada. Nenhuma preocupação militar imediata." Os olhos carmesins de Lysandra permaneceram fixos no mapa. Como se esperasse por mais relatórios. "...Isso é tudo?" Camille piscou. "Vossa Majestade?" "Esse é o seu relatório?" Lysandra perguntou. Camille se endireitou e então assentiu. "...Galdys é uma cidade a menos de uma semana de marcha da nossa fronteira." disse Lysandra. "Isso está correto." Camille confirmou. "Ela possui uma Guilda de Aventureiros." Lysandra acrescentou Camille assentiu. "Serve como uma parada importante para caravanas de mercadores." Lysandra acrescentou mais uma vez. "Serve." Camille confirmou "E tudo o que você concluiu..." Lysandra finalmente levantou o olhar. "...é que nada mudou?" Camille não vacilou. "Porque nada de significativo aconteceu." Lysandra levantou-se lentamente de seu trono. A câmara ficou visivelmente mais silenciosa. "Isso," ela disse calmamente, "é precisamente o que me preocupa." Ela desceu os degraus um passo medido de cada vez. "Uma cidade pacífica tão perto de nossas fronteiras deveria nos preocupar." Camille a observou se aproximar. "Eles poderiam estar reunindo recursos... poderiam estar abrigando espiões... poderiam estar se preparando para a guerra sob a aparência de prosperidade." Ela parou diante do enorme mapa. "Recuso-me a confundir silêncio com segurança." Camille considerou suas palavras. "Posso enviar outra unidade de reconhecimento." "Não." A resposta veio imediatamente. "Eu mesma irei." Vários nobres trocaram olhares assustados. Camille permaneceu composta. "...Pessoalmente?" "Confiei em relatórios por tempo suficiente." Lysandra pousou um dedo sobre o mapa. Diretamente sobre Galdys. "Quero ver com meus próprios olhos." Camille cruzou as mãos atrás das costas. "E se suas suspeitas se provarem corretas?" A sala do trono ficou mortalmente silenciosa. Lysandra respondeu sem a menor hesitação. "Se Galdys se tornou uma ameaça para o Reino Demoníaco..." Sua voz permaneceu calma. "...Eu mesma a apagarei." Ninguém a questionou. Ninguém duvidou que ela pudesse. Camille fez uma reverência respeitosa. "Prepararei seu disfarce." Lysandra olhou para as grandes janelas com vista para seu reino. "Não precisa. Eu mesma posso cuidar disso... Sem escolta." Camille ergueu o olhar. "Vossa Majestade—" "Se me reconhecerem, a inspeção se torna sem sentido." Lysandra explicou. "...Entendido." Camille fez uma reverência. Um pequeno sorriso apareceu nos lábios de Lysandra. Um que apenas Camille reconhecia. Sempre que a Rainha usava aquela expressão... Ela já havia tomado sua decisão. "Galdys... Vamos ver que tipo de cidade você realmente é." disse Lysandra enquanto saía da sala do trono. --- --- ## A Visita Surpresa --- Os portões de Galdys estavam abertos quando Lysandra parou do lado de fora. Um brilho carmesim fraco se espalhou sob seus pés antes de desaparecer no nada. Seus chifres desapareceram. Sua cauda se dissolveu em partículas de mana. A pressão ao seu redor desapareceu. Apenas uma viajante comum permaneceu. Ela ajustou o capuz de seu manto. "...Ocultação completa. Sem mana. Sem aura. Sem chifres. Sem cauda." Ela sussurrou enquanto se inspecionava. Ela olhou para os guardas na entrada. Nenhum deles olhou para ela duas vezes. "Como esperado." Ela sussurrou para si mesma e então atravessou os portões sem dizer mais uma palavra. A cidade fervilhava de vida. Mercadores chamavam os clientes que passavam. Ferreiros martelavam o aço. Crianças riam enquanto corriam umas atrás das outras pelas ruas. Os olhos de Lysandra varreram tudo "...Pequena... Comum." Ela começou sua avaliação. Ela passou por uma fileira de barracas de mercado. "...Seleção limitada." Outro olhar. "...Apertado." Ela observou um grupo de aventureiros sair da Guilda. "...Indisciplinados." Seu olhar se desviou para a torre de vigia. "...Pelo menos a rotação da guarda é aceitável." Ela cruzou os braços. "Então esta... é a Cidade Livre que Camille considerou aceitável." Ela não estava impressionada. Nada se destacava. Nada inspirava confiança. Tudo parecia... Mediano. Ela parou em frente a uma padaria. O cheiro de pão fresco flutuava pela rua. "...A comida reflete a prosperidade." Ela entrou. "O doce mais popular." Momentos depois, ela o aceitou. Uma mordida. Ela mastigou. "...Doce demais." Outra mordida. "...Manteiga em excesso." Ela suspirou. "...Típico." Ela voltou para a rua quando, de repente. "Abrindo passagem!" Um garotinho corria pelo mercado. Sua irmã mais velha o perseguia. "Espere! Volte aqui!" Ele olhou para trás. Não para frente. *Baque!* A criança colidiu diretamente com ela. O doce escorregou de seus dedos. O creme manchou a frente de seu manto antes que o doce caísse nas pedras do calçamento. Um silêncio frio se seguiu. O menino congelou. Seu rosto ficou pálido. Sua irmã correu até ele. "D-Desculpe!" disse o menino. "Sinto muito pelo meu irmão!" A irmã acrescentou enquanto forçava a cabeça do irmão a se curvar com a dela Lysandra lentamente olhou para baixo. Creme manchado em seu manto. Seu próprio manto agora arruinado. Ela fechou os olhos. "...Descuidada... Incompetente... E esta deveria ser uma das melhores cidades da humanidade." Seus dedos se contraíram sob o manto. "...Talvez eliminá-la seja a opção mais gentil." Ela finalmente decidiu. "Ei." Uma voz calma interrompeu seus pensamentos. Um jovem aventureiro se ajoelhou ao lado da criança assustada. "Vocês dois estão bem?" Os irmãos assentiram fracamente. O jovem sorriu. "Bom." Ele afagou suas cabeças. Ele ajudou a criança a se levantar antes de finalmente se virar para Lysandra. Ele se curvou educadamente. "Sinto muito mesmo. Eles não fizeram por mal." Pela primeira vez desde que entrou em Galdys. Alguém se dirigiu à Rainha Demônio sem **medo**, sem reverência, sem saber quem ela realmente era. ---- --- ## O Aventureiro e a Rainha Demônio --- O garotinho se escondeu atrás de Jedius. "E-Eu sinto muito..." Jedius sorriu de forma tranquilizadora. "Está tudo bem." Ele então olhou para Lysandra. "Eles não queriam fazer mal, não é mesmo, crianças?" A criança assustada assentiu lentamente. Sua irmã mais velha se curvava repetidamente. "Nós sentimos muito!" "Obrigado!" Os dois se apressaram, desaparecendo na multidão agitada. O silêncio se instalou na rua mais uma vez. Jedius olhou para o creme manchando o manto escuro da mulher. "...Posso?" Sem esperar por uma resposta, ele tirou um lenço cuidadosamente dobrado de sua bolsa. "Não vai tirar tudo... mas vai ajudar." Com mãos cuidadosas, Jedius gentilmente limpou o creme. Ele foi surpreendentemente delicado, tomando cuidado para não esfregar a mancha mais fundo no tecido. Lysandra apenas observava. Ninguém havia ficado tão perto dela sem tremer em séculos. "Pronto." Jedius recuou com um sorriso satisfeito. "Bem melhor." Ele hesitou por um breve momento antes de coçar a nuca. "Teria sido uma pena." Lysandra inclinou a cabeça. "...Uma pena?" Jedius deu um sorriso envergonhado. "Alguém tão bonita quanto você não deveria ter que passar o resto do dia com creme no manto." *Bonita.* Lysandra pensou. A palavra permaneceu em seus pensamentos. Não *Vossa Majestade.* Não *Rainha Demônio.* Simplesmente... Bonita. "...Obrigada." As palavras escaparam antes que ela percebesse que as havia dito. "Se me permite perguntar seu nome, minha senhora. Acredito que nunca a vi por aqui antes." Ele perguntou. "...Meu nome é Sandra." Ela respondeu. Não era uma mentira. Apenas... Incompleto. Ele sorriu calorosamente. "Eu sou Jedius. Prazer em conhecê-la, Sandra." Ela deu um pequeno aceno de cabeça. "...Igualmente." Os dois começaram a andar juntos. "Na verdade, eu estava prestes a ir para casa." Sandra disse baixinho. "Já terminei o que vim fazer aqui." "Entendo. Também estou indo em direção ao portão leste. Não me importo de acompanhá-la até lá." Ele disse. "...Me escoltar?" Lysandra piscou. "Acho que sim? Fica no caminho." Uma resposta tão simples. Sem segundas intenções. Sem expectativas. "...Muito bem." Eles caminharam lado a lado. O mercado da tarde fervilhava ao redor deles. Crianças riam. Mercadores anunciavam suas pechinchas diárias. Ferreiros continuavam a martelar o aço. Depois de um tempo... Jedius quebrou o silêncio. "Então... O que você acha de Galdys?" Ele disse enquanto olhava ao redor. Sandra olhou ao redor da cidade. "...Pequena... Mediana." Ela pausou. "...As estradas—" "—Precisam de manutenção?" Ele a interrompeu. Ela olhou para ele. Ele riu. "Deixe-me adivinhar. É pequena demais. Mediana demais. Lotada demais. As estradas precisam de reparos. Os prédios não são muito impressionantes. E você está se perguntando por que alguém escolhe viver aqui." "...Sim." Lysandra não pôde deixar de concordar, pois eram exatamente seus pensamentos. Talvez pela primeira vez em séculos... Alguém havia deixado a Rainha Demônio sem palavras. Jedius riu suavemente. "Você não é a primeira visitante a dizer isso." Ele olhou ao redor das ruas familiares. "Mas... eu acho que é exatamente isso que torna Galdys bonita." Lysandra ouviu. "Não está tentando ser a maior cidade, ou a mais rica, ou a mais famosa. Apenas tenta ser um lar." Ele apontou para as pedras do calçamento sob seus pés. "Essas rachaduras?" "Eu costumava tropeçar nelas o tempo todo quando era pequeno. Ainda me lembro onde fica cada uma ruim." Ele apontou para a padaria. "O velho padeiro ali... ele sempre coloca um pãozinho extra na sacola de uma criança quando acha que os pais não estão olhando." Um pouco mais adiante na rua, ele apontou"A florista? Toda primavera, antes de abrir sua loja, ela deixa flores frescas no túmulo do marido." Ele então apontou para outro vendedor. "E aquele velho vendedor de vegetais? Ele reclama das costas toda manhã." Ele riu. "Mas se ele vê alguém com dificuldade para carregar sacolas pesadas... ele as carrega mesmo assim." Ele olhou para frente. "Nenhuma dessas coisas torna Galdys extraordinária. São apenas pequenas coisas. Mas... quando pequenas coisas suficientes se juntam... Elas se tornam a razão pela qual as pessoas ficam... A razão pela qual as pessoas voltam para casa." Lysandra lentamente olhou ao redor mais uma vez. A cidade não havia mudado. Ainda era pequena. Ainda mediana. Ainda lotada. As estradas ainda estavam gastas. No entanto... De alguma forma... Tudo parecia diferente. Antes que ela percebesse... O portão leste estava diante deles. Jedius parou. "Bem... É aqui que nos separamos." "...Sim." Outro silêncio. Lysandra olhou para seu manto. A mancha mal era perceptível agora. "...Obrigada." Ela pausou. "Pelo manto. E... pelas crianças." Ele sorriu como se fosse a coisa mais natural do mundo. "Apenas pareceu a coisa certa a fazer." Sem orgulho. Sem expectativa de elogio. Apenas honestidade. Lysandra deu um pequeno aceno de cabeça. "...Adeus, Jedius." "Cuide-se, Sandra." Ele acenou e seguiu seu caminho Ela se virou e continuou pela estrada além dos portões da cidade. Os sons de Galdys foram desaparecendo lentamente atrás dela. Crianças rindo. Mercadores gritando. Ferreiros trabalhando. Ela havia entrado na cidade esperando confirmar a mediocridade da humanidade. Em vez disso... Ela partiu com uma pergunta que não conseguia responder. "...Por que aquela cidade pareceu diferente... depois de caminhar por ela com ele?" --- No dia seguinte, Jedius estava novamente dando uma volta quando uma figura familiar apareceu no canto de seus olhos. "É você de novo, que coincidência encontrá-la aqui." Você disse enquanto uma mulher encapuzada olhava para trás. *Como ele soube que era eu de novo? Eu deveria estar oculta.* Lysandra disse para si mesma. "Você está bem?" Jedius perguntou enquanto Lysandra estava surpresa por ele ainda se lembrar dela. "Olá?" Ele estava tentando chamar sua atenção.
Personagens
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Por: cosmic_crew89
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