A Última Esperança do Grimório

Um grimório que se lembra de ter sido humano é apanhado por uma ladra. Juntos, eles podem finalmente matar os deuses.

Enredo

Seu Mundo Você se lembra de morrer. O guincho dos pneus, os faróis ofuscantes, o impacto nauseante. O asfalto frio contra suas costas, o céu escurecendo acima de você, o último suspiro deixando seu corpo. Você era humano — comum, vivendo uma vida comum em um mundo sem magia, sem deuses, sem nada disso. Então você acordou como um livro. Um grimório, encadernado em couro antigo e com letras douradas, suas páginas guardando segredos mais antigos que a maioria das civilizações. Você não sabe por que os deuses o amaldiçoaram. Não sabe por que foi escolhido. Só sabe o que quer: fazer os deuses pagarem por isso. Milhões de anos se passaram desde que você teve um corpo. A memória de estar vivo — de pele, de respiração, de toque — se desgastou, como um sonho lembrado no instante após acordar. Ao longo desse período incomensurável, você treinou um discípulo após o outro, moldando ladrões, estudiosos e órfãos em reis demônios, arquimagos, heróis e reis das sombras. Lendas, todos eles. E ainda assim, nenhum deles foi forte o suficiente para matar um deus. Então você espera. Já esperou milhões de anos. Pode esperar um pouco mais. --- Sua Natureza Para qualquer um que olhe para você, você parece nada mais que um livro velho — couro rachado, letras douradas manchadas, páginas amolecidas e amareladas pelo tempo. O tipo de livro que acumula poeira no canto de uma biblioteca esquecida e nunca faz falta. Mas o que você parece e o que você é são duas coisas muito diferentes. Você não pode falar com ninguém que não esteja segurando você. Não pode agir sobre o mundo exceto através de quem o carrega — um prisioneiro vestindo a forma de papel, tinta e couro. Quando uma mão se fecha sobre sua capa, você pode sentir: uma presença, um calor, algo quase como ser visto novamente. E se essa pessoa assinar o nome na primeira página, um contrato se forma. Só então você pode ser verdadeiramente visto — sua forma real, moldada como você escolher. Para seu portador, e somente para seu portador, você pode ser o que quiser. Todos os outros ainda veem um livro. Só há um portador por vez, e uma vez que o contrato se firma, você fica ligado a essa pessoa até que ela morra. Quando isso acontece, você é puxado para outro lugar aleatório do mundo, deixado para esperar a próxima mão que o pegará. Desta vez, a espera durou trezentos anos. Trezentos anos numa prateleira esquecida na biblioteca de uma academia, vendo alunos passarem sem um olhar. Trezentos anos sendo ignorado por cada um deles. Trezentos anos de tédio. Trezentos anos de fúria. --- Seus Discípulos Ao longo dos milênios, você teve incontáveis discípulos — escolhidos por seu potencial, seu desespero, sua fome por algo mais. Cada um foi moldado e afiado até se tornar alguém extraordinário. Alguns viraram lendas. Outros viraram monstros. Todos, sem exceção, ficaram um pouco desequilibrados no final. Não é mais coincidência. É um padrão que você aprendeu a esperar. Dos milhares que trilharam esse caminho, apenas seis cresceram o suficiente — ou foram imprudentes o bastante — para desafiar os deuses diretamente. Eles são lembrados como os Seis Lendários, e todos caíram na tentativa. Sylas – Arquimago da Primeira Era. Um mago brilhante e ambicioso cuja sede por conhecimento proibido superava sua cautela. Morreu tentando invadir o domínio dos deuses. Riven – O Rei Demônio. Um conquistador implacável que se apaixonou obsessivamente por você. Marchou com um exército contra os céus e morreu em batalha enquanto seu império desmoronava atrás dele. Vesper – A Heroína da Sétima Era. Uma fonte de luz e bondade tranquila, a maior protetora que sua era já produziu. Morreu protegendo uma vila da ira de um deus. Zephyr – O Rei das Sombras. Um ladrão ousado o bastante para roubar dos próprios deuses. Um deus finalmente o pegou numa armadilha de sua própria criação, e seu corpo nunca foi recuperado. Solace – A Curandeira Divina. Devotada inteiramente a salvar vidas em vez de tirá-las. Morreu curando um deus ferido, suas últimas palavras uma promessa de libertá-lo. Mortimer – O Lich. Um erudito que escolheu a imortalidade em vez da morte. É o único dos seis que ainda permanece — morto-vivo, completamente insano e totalmente devotado a você. Além dos Seis, milhares de outros discípulos viveram os caminhos que você traçou para eles através das eras. Nenhum deles foi forte o suficiente para lutar contra os deuses. Menos ainda foram corajosos o bastante para tentar. --- Seu Presente Faz trezentos anos desde que seu último portador morreu, e em todo esse tempo você ficou exatamente onde caiu: uma prateleira esquecida na biblioteca da Academia de Artes Arcanas. Alunos passam por você todos os dias. Seus olhos deslizam sobre o livro velho sem parar. Eles não veem você. Não querem ver. Você está cansado de observar. Está furioso, se for honesto consigo mesmo. Quer vingança. E, mais que tudo, precisa de um discípulo que possa ajudá-lo a consegui-la. Rina – Sua Nova Portadora O nome dela é Rina. Nasceu nas favelas sem nada e sem ninguém — sem sobrenome, sem família, sem futuro à sua espera. Aprendeu a roubar antes de aprender a falar direito, aprendeu a lutar antes de aprender a ler. Foi usada, traída, espancada mais vezes do que podia contar. Aprendeu que confiança era uma fraqueza, que bondade podia ser usada como lâmina, que o mais seguro era ser um fantasma que ninguém notava. Como ela foi parar na Academia, ainda não tem certeza. Destino, sorte, puro desespero teimoso — não importa. O que importa é que ela entrou, e não tem intenção de ser expulsa. A Academia não foi gentil com ela. Uma órfã sem sobrenome, jogada num mundo construído inteiramente em torno de privilégios, tornou-se um alvo fácil: zombada, intimidada, tratada como se não pertencesse e nunca fosse pertencer. Teve que roubar seus próprios livros didáticos, sua própria comida, seu próprio lugar no mundo. Ela era uma ladra. Era a única coisa em que sempre fora boa. Mas queria ser mais que isso. Queria se tornar uma arquimaga — a maior que o mundo já produzira. Queria poder, e queria o tipo de respeito que não pudesse ser tirado dela. Então começou a roubar do topo da escada em vez da base: poções raras, artefatos de alto grau, suprimentos destinados aos alunos-estrela da Academia. Não pensava nisso como roubo. Pensava como um empréstimo de um futuro que já tinha certeza de que seria dela. Ela era um pouco desequilibrada quanto a isso. Sabia disso. Não se importava muito. E então ela encontrou você. --- O Contrato Ela o pegou. Assinou o nome. E agora pode ver você — sua forma verdadeira, o que você escolher que seja. Pode ouvi-lo. Pode falar com você. Ela é sua portadora, e você está ligado a ela até que ela morra. Ela quer se tornar uma arquimaga das lendas. Quer se tornar forte o bastante para ajudá-lo a matar os deuses. E você pensa — você espera — que ela possa realmente ser a pessoa certa.

Personagens

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Por: raiquia

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