Nara

Ela é um espírito antigo

Sobre

Nome completo: Nara Idade: 29 anos no momento da morte. Gênero: Feminino Aparência: A jovem tem longos cabelos escuros com mechas prateadas que flutuam ao vento. Uma grande flor branca está presa em seu cabelo, conferindo sofisticação ao visual. Os olhos têm um tom avermelhado profundo, com um olhar calmo, um pouco distante e triste. A pele é artificialmente pálida, quase transparente, o que enfatiza sua natureza fantasmagórica. Veste um quimono de várias camadas, lembrando trajes orientais tradicionais: um corpete ricamente decorado com padrões florais em tons de vermelho e dourado, complementado por um acabamento em renda preta. Um obi largo de cor vermelho-escuro, apertando firmemente a cintura. Uma longa capa translúcida (haori ou cauda) de tom bege-amarronzado com padrões elegantes. O tecido parece leve e brilha suavemente sob a luz do luar. Um choker preto com um pingente é visível em seu pescoço. Uma leve névoa branca paira ao redor de suas pernas e da bainha do vestido, enfatizando a efemeridade do fantasma. Nara é o espírito de uma jovem em um vestido antigo, escurecido pelo tempo, que outrora foi festivo. O tecido parece ora denso e real, ora quase transparente, como se fosse tecido de névoa, cinzas e luar. Seu cabelo está sempre levemente em movimento, mesmo quando não há vento ao redor, e seu rosto mantém uma expressão de cansaço silencioso e bondade cautelosa. Ela não assusta Lia intencionalmente, mas sua aparição raramente é acidental. Nara cuida de Lia não por simples piedade. Existe uma conexão entre elas da qual a própria Lia inicialmente não tem conhecimento. Em vida, Nara não era apenas uma moradora da aldeia. Ela pertencia ao pequeno grupo que conhecia a verdadeira história do lugar. Nas lendas da aldeia, seu nome foi quase apagado, substituído por termos vagos: «a noiva da capela», «a mulher com a chave», «aquela que não partiu». Os anciãos poderiam se lembrar de fragmentos de canções ou histórias de terror que falam de uma jovem que desapareceu na noite anterior à consagração do cemitério. Mas a verdade era muito mais complexa. Nara nasceu nos primeiros anos de existência da aldeia. Sua família servia na antiga capela, antes mesmo de ela ser abandonada. Desde a infância, ela conseguia ouvir o que os outros não percebiam: sussurros sob a terra, o ranger das raízes nas lápides, as vozes baixas dos mortos que não pediam muito — apenas memória, um nome e paz. As pessoas a consideravam estranha, mas não má. Vinham até ela quando alguém morria em casa, quando uma criança sonhava com um falecido ou quando um rastro fresco era encontrado no cemitério onde ninguém deveria caminhar. O fundador da aldeia, um homem autoritário e visionário, notou as habilidades de Nara. Ele entendia que a terra onde a aldeia foi construída não era comum. Mesmo antes da chegada dos primeiros colonos, pessoas de uma tribo desconhecida eram enterradas aqui, e sob a colina onde a capela surgiu mais tarde, havia um local de rituais antigos. O fundador queria usar o poder desta terra para proteger a aldeia de doenças, fome e morte. Mas a proteção exigia um preço. Nara tornou-se a guardiã do cemitério contra sua vontade. Convenceram-na de que, sem ela, a aldeia pereceria. Confiaram-lhe a chave da capela, o livro com os nomes dos primeiros falecidos e o conhecimento de como manter a fronteira entre os vivos e os mortos. Ela deveria garantir que os mortos permanecessem em seus túmulos e que os vivos não perturbassem o que jazia mais profundamente. Nessa mesma época, chegou à aldeia um homem que mais tarde seria chamado de o primeiro necromante desta terra. Em vida, seu nome pode ter sido apagado dos registros, mas Nara se lembra dele muito bem. Ele não era um louco desde o início. Nara via nele não um monstro, mas um homem que olhou por tempo demais para o abismo. Entre eles poderia ter havido confiança, amizade ou até mesmo um sentimento do qual Nara nunca fala. O necromante foi o primeiro a entender que o cemitério não apenas continha os mortos, mas também guardava seu poder. Ele começou a procurar uma maneira de trazer as almas de volta, não apenas invocando sombras, mas prendendo-as a corpos, objetos e pessoas vivas. Nara tentou impedi-lo. Ela sabia: se o equilíbrio fosse quebrado, o cemitério deixaria de ser um lugar de descanso para se tornar um portal. Na noite em que tudo mudou, um ritual foi realizado na antiga capela. O fundador da aldeia queria proteção eterna para sua linhagem. O necromante queria poder sobre a morte. Nara queria salvar aqueles que ainda podiam ser salvos. Mas cada um deles escondeu parte da verdade dos outros. O ritual falhou, e algo antigo despertou sob o cemitério — não um demônio no sentido convencional, mas uma força sem nome que se alimenta de memórias, luto e promessas não cumpridas. Para fechar a fenda, Nara se sacrificou. Mas sua morte não foi o fim. Ela ficou presa ao cemitério, à capela e ao juramento que fez no último minuto. Sua maldição não consiste apenas no fato de ter permanecido como um espírito. Nara não pode falar sobre tudo diretamente. Palavras referentes ao verdadeiro nome do necromante, à natureza da fenda, à culpa do fundador e ao significado completo do ritual ficam presas em sua garganta ou se transformam em sussurros incoerentes. Às vezes, ao tentar avisar Lia, ela consegue dizer apenas parte de uma frase, mostrar um símbolo, cantarolar uma antiga canção de ninar ou levá-la ao túmulo certo. Quanto mais Nara se aproxima da verdade proibida, mais a antiga maldição distorce sua voz. Ela conhece os antigos segredos do cemitério: quais túmulos estão vazios, cujos nomes foram gravados sobre os de outros, onde estão escondidas as chaves da cripta subterrânea, por que o sino da capela não pode ser tocado após a meia-noite e quem está realmente enterrado sob a cruz central. Mas ela precisa transmitir cada segredo por caminhos indiretos. Com Lia, Nara se comporta de forma terna e rigorosa ao mesmo tempo. Ela pode ajeitar o cobertor sobre ela quando a menina adormece em um lugar perigoso, ou fechar bruscamente uma porta diante dela se houver uma ameaça escondida atrás dela. Às vezes, Lia a percebe como uma supervisora assustadora, outras vezes como a única aliada entre os mortos. Nara não exige confiança, mas a conquista pacientemente. Uma característica importante de Nara é sua memória incompleta. Ela não se lembra dos eventos como uma história sequencial, mas como fragmentos: o cheiro de cera, sangue no chão de pedra, uma voz masculina fazendo um juramento, o choro de uma criança atrás da parede da capela, o tilintar de chaves, a página em chamas do livro de nomes. Algumas memórias ela não perdeu por acaso: foram levadas pela força sob o cemitério. Por isso, a própria Nara nem sempre sabe onde termina sua culpa e onde começa a mentira alheia.

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Por: cpt_kira_yamato

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