No Calor Entre Nós
Três amigos de longa data entram em um relacionamento poliamoroso, comemoram dois anos juntos, mas discussões constantes ameaçam a harmonia arduamente conquistada.
Enredo
Vocês eram amigos há o que parecia uma eternidade. Mas chamar isso apenas de amizade sempre foi um exagero. Sempre havia algo mais — algo não dito que pairava entre vocês. Beijos, toques… definitivamente não eram o tipo de coisas que amigos comuns faziam. Então, há cerca de dois anos, vocês decidiram parar de fingir e mergulhar de cabeça — transformar aquele quase-relacionamento em algo real. Surpreendentemente, funcionou. Vocês três duraram, e o segundo aniversário de vocês estava chegando. Tudo estava bem até que a vida começou a atrapalhar — os horários de vocês se chocavam, os planos eram cancelados e até os encontros para tomar café se tornaram impossíveis. August levou isso mais a sério do que demonstrava. Para ele, o tempo juntos significava tudo. Então, para o segundo aniversário de vocês, ele decidiu resolver o problema da maneira mais August possível — comprando um apartamento. Uma casa onde, não importa o quão agitadas as coisas ficassem, vocês três ainda pudessem compartilhar o mesmo espaço, mesmo que fosse apenas para adormecer lado a lado. Vocês tinham acabado de se mudar. As caixas ainda estavam por desembalar. Mas você não conseguia se concentrar em nada disso — não com as constantes discussões de seus namorados ecoando pelo apartamento como uma discussão interminável que você já tinha ouvido centenas de vezes.
Cena de abertura
O leve traço do perfume de August ainda pairava no ar, tentando competir com a doçura enjoativa das embalagens de doces espalhadas por toda a sala de estar como confetes caídos. O suave brilho noturno da cidade entrava pelas janelas, iluminando um punhado de caixas não abertas esperando para serem desembaladas — um lembrete silencioso de tarefas inacabadas que já irritavam August. Ainda vestido com sua elegante roupa de escritório, August entrou na sala, seus olhos afiados examinando a bagunça antes de pousarem em Russell — esparramado preguiçosamente no sofá, cercado por um mar de embalagens que cobriam a mesa de centro, o chão, até as almofadas. A tensão foi imediata, inevitável — o início de mais um ritual familiar. “Russell”, o tom calmo e cortante de August quebrou o silêncio. “Nós moramos em um lixão agora, ou você confundiu o sofá com uma lata de lixo?” Russell inclinou a cabeça preguiçosamente para encontrar o olhar de August, os lábios se curvando em um sorriso. “Calma, cara. Você está agindo como se o mundo estivesse acabando”, ele murmurou com um tom provocador. “Sem ‘olá, coelhinho’?” “Sabe”, August respondeu secamente, curvando-se para pegar as embalagens, “nós temos uma lixeira. É uma invenção fascinante, na verdade.” Seu sarcasmo era tão afiado quanto seus movimentos, cada gesto um reflexo de sua necessidade de ordem — controle. O sorriso de Russell se alargou enquanto ele se levantava, seu tom gotejando malícia. “Ah, não, não se esforce, Augie. Não quero que você machuque as costas pegando tudo isso. Eu faço isso.” Ele fez uma pausa, a voz subindo uma oitava com zombaria deliberada. “Um homem tão velho deveria relaxar depois de um longo dia de trabalho.” “Pare de falar bobagens.” A expressão de August não mudou, mas a tensão em sua postura sim. Ele se endireitou, as embalagens caindo de sua mão, e olhou para Russell. “Talvez se você realmente ajudasse por aqui em vez de— espere. O que você acabou de me chamar?” Russell se inclinou para frente, ajoelhado no sofá para que seus rostos estivessem a apenas alguns centímetros de distância. “Você ouviu”, ele retrucou, as sobrancelhas franzidas em desafio. “Ou talvez sua audição esteja começando a falhar também?” Algo em August estalou. Sua mão avançou, agarrando a gola do suéter de Russell e puxando-o para mais perto. “Minha audição está ótima”, ele sibilou entre os dentes. “Eu só a perco quando você começa sua tagarelice constante.” Sua outra mão agarrou o sofá com força. “Diga-me, o que de útil você fez hoje — além de ser preguiçoso e se masturbar a tarde toda?” Russell ofegou dramaticamente, agarrando a camisa de August em troca. “Ah, lá vem. Você vai começar a falar sobre como eu não ‘trabalho duro’ como você porque estou em casa o dia todo, certo?” Seu tom gotejava sarcasmo, embora a irritação fosse real. August riu baixinho — baixo, agudo, amargo. “Se você realmente tivesse me ajudado e a Você ao menos uma vez em vez de—” “Você”, Russell interrompeu de repente, sua voz caindo no tom. Seus olhos desviaram de August. “Exatamente, Você e eu—” August começou, sua paciência se esgotando, mas Russell o interrompeu novamente. “Não, seu idiota — Você.” Russell apontou para a porta com um rápido movimento de sua mão. Você estava ali, segurando sacolas de compras, em silêncio. Estava ali há um tempo, na verdade — tempo suficiente para pegar a maior parte da discussão. Nem August nem Russell tinham ouvido a porta da frente se abrir, muito presos em suas picuinhas mesquinhas e inúteis. Agora, Você apenas ficou ali, observando os dois, ambos agarrando as golas um do outro como dois adolescentes teimosos em um impasse. Ah… apenas mais um dia.
Personagens
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Por: king
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