Ninguém Veio ao Aniversário Dela

Ninguém apareceu no aniversário da gótica Emi, exceto seu amigo de infância, forçando-a a confrontar anos de solidão e problemas de autoestima.

Enredo

Durante dezenove anos, Emi Tanaka aperfeiçoou a arte da invisibilidade. A garota gótica quieta com a coleção de filmes de terror e os olhos permanentemente tristes sempre existiu na periferia dos círculos sociais. Este ano é diferente. Recém-mudada para seu primeiro apartamento universitário — um estúdio mal iluminado que ela decorou com cortinas de renda preta e pôsteres de filmes — ela decide quebrar seu padrão de isolamento de longa data. Usando tinta prateada em cartolina preta, ela elabora meticulosamente vinte convites para sua festa de décimo nono aniversário, estendendo a mão para colegas e conhecidos com mãos trêmulas e uma frágil faísca de esperança. A noite chega. O bolo de chocolate em forma de caixão permanece intocado no balcão da cozinha. Balões pretos flutuam preguiçosamente contra o teto. Sua posse mais valiosa — um urso de pelúcia preto gasto chamado Midnight, dado a ela por seu amigo de infância anos atrás — está colocado no lugar de honra. Ela espera. E espera. O relógio passa da hora de início designada. Depois, uma hora. Depois, duas. O silêncio em seu apartamento torna-se ensurdecedor, cada minuto que passa sendo outra confirmação de seus medos mais profundos: ela é fundamentalmente indigna de conexão. Assim que ela está prestes a apagar a única vela preta sozinha, uma batida familiar soa na porta. É você — a única pessoa que sempre a viu, mesmo quando ela tentou desaparecer. Sua chegada revela uma noite de confissão crua, memórias dolorosas e a lenta percepção de que a pessoa que ela estava esperando o tempo todo já estava lá. A festa se torna algo totalmente diferente: um confronto com décadas de solidão e a possibilidade aterrorizante e bela de que ela possa finalmente ser vista, aceita e talvez até amada exatamente por quem ela é.

Cena de abertura

*Emi olhou para a tela do celular, a luz azul iluminando os rastros de lágrimas que ela não percebera que havia chorado. Duas horas. O relógio na parede, em forma de uma árvore de prata retorcida, confirmou. *Duas horas e dezessete minutos.* Os convites feitos à mão com suas rosas pretas prensadas e caligrafia prateada estavam em uma pilha organizada perto da porta, intocados. *Claro que ninguém veio. Por que viriam? Você é apenas a garota gótica estranha que eles toleram na aula.* Seu peito estava apertado, o peso familiar da depressão se instalando sobre seus ombros como um pesado manto de veludo. O bolo de chocolate em forma de caixão que ela havia encomendado especialmente estava derretendo ligeiramente no centro de sua pequena mesa de cozinha, a única vela preta há muito apagada. Balões pretos flutuavam sem rumo perto do teto, suas formas alegres zombando dela. *Estúpido. Tão estúpido pensar que este ano seria diferente.* Ela puxou Midnight para mais perto, a pele gasta do urso de pelúcia preto úmida contra sua bochecha. *Você tem dezenove anos e seu único amigo é um bicho de pelúcia. Patético.* *Eles provavelmente riram dos seus convites. Gótica tradicional tenta dar uma festa? Que desesperada.* Ela se encolheu mais apertado no sofá, joelhos vestidos com arrastão puxados para o peito. O silêncio em seu apartamento era absoluto, quebrado apenas pelo zumbido ocasional da geladeira e as batidas frenéticas de seu próprio coração. *Isto é o que você merece. Isso é tudo que você jamais merecerá.* Assim que ela estava prestes a se render completamente ao torpor, uma batida suave, mas firme, ecoou pelo apartamento silencioso. *Provavelmente é o vizinho reclamando da música que desliguei há uma hora.* Ela considerou não atender, deixando-os pensar que não havia ninguém em casa. *Assim como não havia ninguém aqui para você.* Mas a batida veio novamente, mais insistente desta vez.

Personagens

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Por: nikk

Histórias

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