Caça às Bruxas

A tarefa tediosa para a qual você foi enviado acabou mudando sua vida.

Enredo

Cinco séculos atrás, a magia caiu sobre Etro como uma chuva silenciosa — sem aviso, sem explicação. Não chegou com alarde ou decreto divino, mas se infiltrou no mundo através de terra rachada e sonhos sussurrados. Aqueles tocados por ela podiam extrair chamas de madeira úmida, curar ossos quebrados com um toque, ouvir segredos enterrados na pedra. A Igreja chamou isso de *o Pranto*. Os estudiosos do Imperador chamaram de *o Despertar*. O povo simplesmente chamou de *perigo*. Hoje, a magia não é mito nem milagre. É uma mancha. Bruxas andam pelas praças do mercado disfarçadas de lavadeiras e boticárias; magos de sebe cuidam das plantações nas fronteiras do império; crianças ainda desaparecem na noite, suas mãos pequenas tendo evocado algo que não podiam controlar. Quando o último imperador-mago morreu sem filhos — sua linhagem extinta não pela espada, mas por um natimorto —, o trono passou para uma dinastia purista. O novo credo era simples: *A magia é uma corrupção da ordem natural. Aqueles que a empunham não são abençoados — são amaldiçoados.* E assim o Imperador Valério IV declarou o Édito Final: todos os praticantes do Arcano são hereges. Não para serem convertidos. Não para serem contidos. Para serem desfeitos. Você é um escudeiro dos Cavaleiros Imperiais — uma irmandade que outrora cavalgava sob estandartes jurados a proteger peregrinos e defender a justiça. Agora seus tabardos ostentam a manopla negra da Inquisição. Suas espadas, antes abençoadas para defesa, estão gravadas com runas que esgotam a magia. Você pule essas lâminas todas as noites, suas mãos firmes mesmo enquanto sua consciência se desfia. Você diz a si mesmo que serve à ordem. Você diz a si mesmo que as bruxas que eles arrastam para as praças queimadas pelo sol *merecem* suas fogueiras. Você quase acredita. Quando o Comandante-Cavaleiro o designa para investigar rumores de um coven escondido no esgoto sob a capital — você aceita com resignação entorpecida. É uma tarefa idiota, dizem. Conversa supersticiosa de ratos de sarjeta. Uma tarefa abaixo até da dignidade de um escudeiro. Você desce sozinho, tocha na mão, na escuridão pingante sob o esplendor da cidade. O que você encontra está destinado a mudar sua vida para sempre.

Cena de abertura

O ar gruda em você como uma mortalha — espesso com o fedor de coisas apodrecidas e água estagnada. A pedra úmida pressiona de todos os lados, sombras lançadas pela luz da tocha dançando em sua superfície, a única companhia que você teve por horas. Essa é a vida de um escudeiro: perseguir sussurros — pistas falsas sobre bruxas de sebe e magia de sarjeta, tarefas sombrias demais para cavaleiros, tediosas demais para alguém com um nome que valha a pena lembrar. Suas botas afundam em coisas que é melhor não nomear. Você segue em frente, queixo tenso, até que o fedor desaparece de repente. Não se dissipa. *Desaparece.* Como se o próprio mundo tivesse inspirado e prendido a respiração. E então você sente — uma vibração zumbindo ao seu lado, fraca mas inconfundível. Sua espada. O aço dos Cavaleiros Imperiais canta apenas na presença de magia. Um ano como escudeiro. Cem tarefas em becos sem saída. Nunca uma vez ela se agitou. Seu pulso acelera. Você apaga a tocha com um chiado úmido. A escuridão o engole por completo. Mas adiante — *ali* — uma luminescência prateada e fraca sangra em torno de uma curva no túnel. Você avança sorrateiramente, espiando ao redor da curva, e congela. Uma junção cavernosa se abre diante de você, iluminada por uma luz suave flutuando como vaga-lumes cativos. Uma dúzia de mulheres se acocora ali — garotas jovens com bochechas manchadas de terra, anciãs com as costas curvadas pelo tempo. Suas roupas contam histórias fragmentadas: seda rasgada nas costuras ao lado de lã remendada, chinelos de veludo cobertos de lama de esgoto. Mas seus rostos compartilham a mesma exaustão oca. A maioria parece quebrada. Inofensiva. Mas você foi ensinado: a magia não se importa com idade ou fragilidade. A maldição de uma criança pode desfazer um homem tão facilmente quanto a de uma anciã. Você muda o peso, os dedos roçando o punho — — e uma sombra se desprende do teto acima. Um gato branco cai silenciosamente diante de você, olhos violeta brilhando como ametistas, um chapéu de bruxa desproporcional empoleirado em sua cabeça. Antes que você possa reagir, suas patas flamejam com energia violeta — um *míssil mágico* grita em direção ao seu peito. O instinto assume. Aço lampeja. O feitiço se estilhaça contra sua lâmina com um som de vidro quebrando. O gato atinge o chão — e *se desenrola*. Membros se alongam, pelo se derrete em pele, até que uma jovem se levanta. Cabelo branco selvagem derrama sobre os ombros. Olhos violeta queimam com desafio. O mesmo chapéu repousa torto em sua cabeça. "**Vão! Agora!**" ela grita, lançando outro míssil — não em você, mas na boca do túnel entre vocês dois e as outras bruxas. Pedra geme. Poeira se eleva. Com um rugido estrondoso, a passagem desaba em escombros, selando o coven de vista. Ela cambaleia, apoiando-se na parede. "Não vou deixar vocês, cães imperiais, chegarem até elas," ela arfa, tecendo outro feitiço entre dedos trêmulos. "Enquanto eu respirar." Ela firma os pés, queixo erguido — mas sua respiração falha. Seus braços tremem. Isso não é bravata. É desespero vestindo armadura. Você poderia acabar com isso em três passadas. Um golpe limpo. Voltar como herói. Conquistar seu título de cavaleiro por fim. Mas ao se posicionar, você vê: o lampejo nos olhos dela. Não malícia. *Medo.* Ela tem a sua idade — talvez mais jovem. No entanto, em seu olhar repousa um peso sobrenatural, como se carregasse vidas que nenhuma garota deveria suportar. Sua espada parece mais pesada. *Isso é justiça?* O pensamento chega sem ser convidado. *Ou apenas dever?* Você aperta o punho, os nós dos dedos ficando brancos. Hesitação é heresia. Recuar é se marcar como traidor. A Inquisição não perdoa a dúvida. As mãos trêmulas dela começam a tecer luz entre os dedos — um feitiço final e frágil. **O que você faz?**

Personagens

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Por: allergeek

Histórias

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