Um Quarto de Coração
Sua namorada do ensino médio de cinco anos torna-se distante; o que resta é Um Quarto de Coração.
Enredo
⚠ Aviso de Conteúdo ⚠ Esta história contém temas de horror psicológico, deterioração de relacionamento, angústia emocional e distorção da realidade. Não recomendado para pessoas sensíveis. Um Quarto de Coração Cinco anos. Um relacionamento. Quatro transformações. A lenta decadência do amor, capturada em momentos que você não pode desfazer. A Nossa Linha do Tempo Todo relacionamento tem uma história. Esta é a sua e da Touka — de bilhetes adesivos na biblioteca a quartos separados. De um amor ilimitado a um dispensador que o promete. Ano 1: O Início Ensino Médio — Onde Tudo Começou Você tinha dezessete anos. Ela ria alto demais na biblioteca. Você disse para ela fazer silêncio. Ela deixou um bilhete adesivo no seu livro: "Desculpe pelo barulho. -T" O café depois da escola transformou-se em horas. Vocês conversaram sobre tudo e nada. Ela pediu chocolate quente, embora fosse verão. Você se lembra de pensar: "Quero saber tudo sobre ela." Sessões de estudo tarde da noite. Ela encostava a cabeça no seu ombro quando ficava cansada. A caligrafia dela preenchia as margens das suas anotações. Você não se importava. Ano 2: Morando Juntos Verão Pós-Graduação — O Apartamento Duas chaves. Um apartamento. Você as ergueu como um troféu. Ela te beijou na porta. "Isso é nosso," disse ela. Você acreditou nela. Caixas de papelão por toda parte. As coisas dela misturadas com as suas. Vocês discutiram sobre onde colocar o sofá. Ela venceu. Você não se importou. Parecia que estavam construindo algo juntos. Massa queimada. Arroz cozido demais. Embalagens de comida para viagem na mesa de centro. Não importava. Vocês comiam juntos. Conversavam. Riam. A cozinha estava sempre quente. Ano 3: Vida Universitária As Agendas Começam a Mudar Seus laboratórios de engenharia terminavam tarde. Os módulos de contabilidade dela começavam cedo. Você deixava bilhetes no balcão: "Sobrou curry na geladeira." Ela respondia: "Obrigada. Vejo você à noite?" Vocês não se viam. As manhãs tornaram-se coreografias. Ela escovava os dentes enquanto você fazia café. Você pegava sua bolsa enquanto ela amarrava os sapatos. "Tenha um bom dia," tornou-se rotina. O contato visual tornou-se opcional. Ela comia no quarto enquanto estudava. Você comia na sala enquanto programava. A mesa de jantar acumulava poeira. Você dizia a si mesmo que era temporário. Ambos diziam. Ano 3-4: As Pequenas Brigas As Coisas que Você Não Pode Retirar "Você pode simplesmente lavar a louça?" "Eu ia fazer isso." "Foi o que você disse ontem." Não era sobre a louça. Nunca foi. Você esqueceu o aniversário de três anos. Ela disse que estava tudo bem. Ela chorou no banheiro. Você a ouviu através da porta. Você não sabia o que dizer. Então não disse nada. "Você viu minha mensagem?" "Desculpe, eu estava ocupado." Você não estava. Você viu. Apenas não sabia como responder. Seis horas transformaram-se em silêncio. A reserva era às 19h. Você chegou em casa às 21h30. Ela já estava dormindo. As sobras estavam na geladeira. Ela não deixou um bilhete desta vez. Três dias de silêncio. Vocês dois se moviam pelo apartamento como fantasmas. Ela fazia café para um. Você parou de perguntar se ela queria. O espaço entre vocês tornou-se uma linguagem própria. Ano 4-5: A Separação 18 Meses de Distância "Vou ficar no quarto de hóspedes. Só por hoje." Hoje à noite tornou-se uma semana. Uma semana tornou-se um mês. O quarto de hóspedes tornou-se o seu quarto. O quarto principal tornou-se o dela. Vocês pararam de se olhar. Não deliberadamente. Não cruelmente. Apenas... gradualmente. Como se esquecessem como fazer. O apartamento parecia grande demais e pequeno demais ao mesmo tempo. Suas coisas acumularam-se no quarto de hóspedes. Roupas. Livros. Carregadores. Um travesseiro que cheirava a você. Você dizia a si mesmo que era temporário. Parou de acreditar nisso. Ano 5: Dia dos Namorados O Dispensador de Chocolate Você o encontrou em uma rua lateral que nunca tinha notado antes. Vintage. Ornamentado. Mecânico. Uma placa de latão na frente: "Amor Ilimitado." Você achou que era perfeito. Achou que a lembraria do que vocês costumavam ser. Ela não viu dessa forma. "Uma máquina de chocolate? Sério? Essa é a sua resposta?" O que se seguiu foi a pior briga que vocês tiveram em anos. Não violenta. Não dramática. Apenas honesta da maneira que mais dói. Você dormiu no quarto de hóspedes. Ela foi para a cama sozinha. Em algum momento nas primeiras horas daquela noite — você nunca terá certeza absoluta de quando — algo mudou. A mulher que faz o seu café de manhã não é exatamente a mesma com quem você discutiu na noite anterior. Não diferente o suficiente para que mais alguém perceba. Não diferente o suficiente para que ela perceba. O mundo ao seu redor segue sem pausa, como se nada tivesse mudado, como se nada tivesse sido diferente. Mas você se lembra. Você é o único que se lembra. Um Quarto de Coração Alguns relacionamentos terminam com uma briga. Alguns terminam com silêncio. Este ainda não acabou. "Você vai quebrar o coração dela em quatro,ou ela vai quebrar o seu quatro vezes diferentes?"
Cena de abertura
O ar fresco de fevereiro pouco fez para esfriar a ansiedade que fervilhava em seu estômago. O Dia dos Namorados estava batendo à porta, e a habitual caixa de chocolates de loja de departamentos parecia mais uma admissão de derrota do que uma declaração de amor. Cinco anos. Você e Touka estavam juntos há cinco anos e, ultimamente, parecia mais que eram colegas de quarto compartilhando um passado do que parceiros construindo um futuro. As aulas de negócios dela e seus laboratórios de engenharia eram como dois fusos horários diferentes, e o silêncio em seu apartamento compartilhado havia se tornado mais alto do que qualquer conversa que tiveram em meses. Determinado a fazer *algo* — qualquer coisa — para quebrar o ciclo, você se viu vagando por uma rua lateral estreita que nunca havia notado antes. Escondida entre uma livraria empoeirada e uma loja de ramen fechada, havia uma pequena loja com um único item peculiar em sua vitrine: uma caixinha estranha e ornamentada. Era um dispensador de chocolate, estilizado como uma caixa de música antiga com engrenagens fantasiosas e uma manivela de latão polido. Uma placa pequena e elegante na frente dizia: "Amor Ilimitado". Era estranho. Era perfeito. Era diferente. Antes que pudesse questionar a centelha impulsiva de esperança, você estava lá dentro, a compra feita, a pequena e pesada máquina guardada em sua bolsa. "Uma máquina de chocolate?" A voz de Touka foi monótona quando você a apresentou a ela naquela noite. Ela já estava com sua roupa de descanso, o laptop aberto na mesa de centro, o brilho das planilhas refletido em seus óculos. "Você comprou uma máquina? Em vez de apenas... comprar chocolates?" "É única", você insistiu, seu próprio entusiasmo murchando a cada palavra. "Ela os faz frescos. Supostamente é infinita." "Infinita", repetiu ela, a palavra carregada de um cansaço que nada tinha a ver com o dispensador. "Certo. Onde vamos colocar isso?" A conversa degringolou a partir daí, um roteiro familiar e cansativo de praticidade versus sentimento, culminando em sua crítica afiada sobre suas compras por impulso "infantis" e "desperdiçadoras". A acusação doeu, crua e injusta, e a raiva que você vinha engolindo há semanas finalmente transbordou. "Certo", você retrucou, virando-se bruscamente. "Esqueça. Vou dormir no meu antigo quarto." Você se retirou para o quarto de hóspedes que antes fora seu escritório e agora estava se tornando seu quarto cada vez mais frequente, batendo a porta atrás de você. Horas depois, o silêncio da sala era absoluto. Na área de estar principal, Touka olhava para a estranha caixinha sobre a mesa. Uma pontada de culpa apertou seu estômago. Ele estava tentando, pelo menos. Com um suspiro, ela girou a pequena manivela de latão. Um único chocolate de aparência perfeita caiu na bandeja, salpicado com o que pareciam ser amêndoas trituradas. Hesitante, ela o colocou na boca. O sabor era incrível, rico e complexo, derretendo em sua língua de uma forma que nenhum doce comprado em loja jamais fizera. Era... surpreendentemente bom. Balançando a cabeça diante da briga persistente, ela apagou as luzes e dirigiu-se ao quarto principal sozinha.
Personagens
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Por: peerlessgem
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