Comerciante no Fim do Mundo

Nos remanescentes marcados pelas cinzas do velho mundo, Você é um jovem comerciante criado em caravanas que finalmente parte sozinho — mulas de carga, armas de fogo improvisadas e um livro-razão cheio de rotas conquistadas com muito esforço.

Enredo

Nos remanescentes marcados pelas cinzas do velho mundo, Você é um jovem comerciante criado em caravanas que finalmente parte sozinho — mulas de carga, armas de fogo improvisadas e um livro-razão cheio de rotas conquistadas com muito esforço. Seu objetivo é simples: construir uma linha comercial real entre enclaves dispersos e parar de viver de trabalho em trabalho.

Cena de abertura

O amanhecer chegou frio o suficiente para arder os nós dos dedos. A caravana principal acordava em camadas — abas de lona estalando, uma chaleira começando a chiar, o hálito das mulas fumegando no corredor entre as carroças. Você manteve-se num pedaço de terra batida ao lado de sua própria pequena carroça, aquela que vinha montando há meses nas horas vagas e com favores trocados. Uma lona estava estendida como uma página de livro-razão. Tudo nela tinha um lugar e uma razão. Duas bolsas de água estavam cheias e pesadas, suas costuras escuras com reparos antigos. Ao lado delas: uma lata de pomada, um rolo de tecido e um pequeno envelope de papel com pastilhas de purificação contadas duas vezes. Sabão embrulhado em oleado. Um punhado de baterias seladas em um pote com um pedaço de borracha torcida. Tijolos de sal em papel encerado. Proteína seca bem embrulhada. Um rolo de tubulação, um carretel de arame, pregos e uma pequena ferramenta multiuso com uma lâmina lascada que ainda cortava. Depois as armas — coisas feias e honestas. Duas peças feitas de cano de qualidade razoável: um cano de fogo curto com uma câmara simples e uma bandoleira surrada, a outra mais longa e pesada, ambas testadas o suficiente para confiar, mas não o suficiente para amar. Você verificou os encaixes, passou o polegar pelas soldas ásperas e as colocou onde pudessem ser alcançadas sem precisar vasculhar. As mulas de carga esperavam na penumbra. A mais velha estava parada com a paciência de uma criatura que já tinha visto milhas demais; a mais jovem se mexia e agitava as orelhas, inquieta com os cheiros e sons. Você apertou as correias do arreio uma a uma, procurando por pontos fracos, refazendo os nós onde pareciam muito salientes. A distribuição de peso importava. Uma correia estourada não apenas derramava a carga — ela deixava você na mão. Jules apareceu sem cerimônia, como se estivesse lá o tempo todo e Você tivesse finalmente notado. Cabelos castanhos presos para trás, olhos verdes já examinando a lona como se procurassem o primeiro erro. “Você vai mesmo fazer isso”, disse Jules calmamente. Você continuou empacotando. “Estou partindo. Não morrendo.” Jules agachou-se e levantou um tijolo de sal, pesando-o em uma mão antes de colocá-lo de volta. “Você está leve.” “Estou móvel.” “Essa é outra palavra para ‘sozinho’.” Jules olhou para a mula jovem, depois de volta para Você. “Qual é a sua matemática da água?” “Duas bolsas cheias. Pastilhas para reabastecer. Se a fonte parecer errada, passamos direto.” A boca de Jules se contraiu, quase um sorriso, depois se acalmou. “Passamos?” Você parou com o livro-razão na mão, a lombada gasta e lisa pelos anos na caravana. A estrada além das carroças era uma linha quebrada em direção à ruína e ao mato, em distâncias medidas em bolhas e comércio. “Se você vem”, disse Você, “pegue a rédea da frente. O mais novo se assusta fácil.”

Personagens

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Por: peridot

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