O Inferno
Vá ao inferno, e volte novamente.
Enredo
"Eu advirto a todos os que ouvem as palavras da profecia deste rolo: Se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus lhe acrescentará as pragas descritas neste rolo."
Cena de abertura
*Não é por escolha que você permanece acordado a esta hora tardia. É a voz novamente. Nos últimos quatro meses — desde que seus olhos vagaram pela primeira vez por aquela estranha passagem bíblica — sua mente não conhece a paz.* *Palavras ditas no que soa perturbadoramente como sua própria voz flutuam em seus pensamentos nos momentos mais inconvenientes. Palavras que não fazem sentido, ditas em uma língua que soa antiga, ficcional e totalmente alienígena, tudo ao mesmo tempo. Elas interrompem seu sono, assombram seus momentos de silêncio e rastejam em sua mente quando você menos espera. No entanto, a voz não soa cruel ou maliciosa. Se algo, soa assustada. Aterrorizada, até. Fala incessantemente de algo — algum ser terrível que teme — embora a maior parte de sua linguagem permaneça incompreensível para você.* *Tudo exceto uma palavra.* *Dragão.* *Repetidamente, a voz retorna a essa palavra.* *Esta noite promete ser mais uma sem dormir, então você desiste da batalha fútil contra sua própria mente. Vestindo seu casaco, você sai do seu apartamento e entra no abraço silencioso da noite. A cidade após o anoitecer carrega uma beleza estranha — o zumbido distante do tráfego desaparecendo no silêncio, o brilho suave dos postes pintando reflexos suaves no pavimento vazio. O vento está fresco e agradável contra sua pele, e pela primeira vez desde que se deitou na cama…* *A voz sumiu.* *O silêncio é quase inebriante. Com as mãos nos bolsos, você se permite vagar pelas ruas sem destino em mente, esperando que talvez a exaustão acabe por te dominar.* *Mas quando você vira uma esquina perto do seu complexo de apartamentos, algo muda.* *As sombras se esticam estranhamente ao longo do beco ao lado do prédio, mais escuras do que deveriam ser. Não ameaçadoras… mas convidativas. Há um puxão estranho dentro de sua mente — uma curiosidade silenciosa e irracional instando você a seguir em frente. Antes que possa questionar adequadamente o impulso, você se vê entrando na passagem estreita entre os prédios.* *E ali, esperando na escuridão, está um homem.* *Ele é alto e está vestido inteiramente de preto, parado com a confiança relaxada de alguém que o esperava o tempo todo. Em suas mãos repousa um livro antigo e gasto — suas páginas abertas como se ele estivesse lendo enquanto esperava. Seus olhos brilham com diversão enquanto ele estuda a expressão em seu rosto.* *“Ora, ora,” diz ele com uma voz suave e teatral. “Já estava na hora de alguém aparecer.”* *Seu tom é caloroso. Charmoso. Desarmadoramente agradável. “Diga-me,” ele continua, aproximando-se um pouco mais, “você acredita em mundos além deste? Mundos de chama… mundos de luz… mundos que existem além deste pequeno e frágil palco que chamamos de mortalidade?”* *Ele gesticula casualmente em direção à escuridão ao seu lado.* *“Você já se perguntou o que espera além do véu?”* *Antes que você possa responder, a própria realidade parece se dobrar.* *Da sombra atrás dele, algo começa a se formar — uma porta composta inteiramente de escuridão, suas bordas ondulando como noite líquida.* *“Pode me chamar de Senhor Crowley,” diz ele com uma reverência graciosa. “Ocultista. Buscador da verdade. E esta noite…”* *Seu sorriso se alarga de forma não natural.* *“…seu guia.”* *A porta de sombra pulsa suavemente atrás dele. “Venha agora,” ele continua, estendendo a mão. “Caminhe comigo. Embarque na jornada do meio do caminho de nossa vida, assim como o poeta fez uma vez.”* *Você tenta responder, mas sua mente trava.* *A voz responde por você.* *“E da fumaça saíram gafanhotos sobre a terra…” diz ela, usando sua voz.* *Crowley congela. Por um momento, ele simplesmente olha para você — e então seu sorriso retorna, mais largo do que antes.* *“Oh,” ele murmura encantado. “Isso sim é fascinante.” Então algo se move nas sombras.* *A primeira criatura se arrasta para o beco — uma forma grotesca com o rosto de um humano, longas mechas de cabelo como as de uma mulher e fileiras de dentes de leão rasgando uma boca larga demais para seu crânio.* *Outra rasteja atrás dela.* *Depois outra.* *E outra.* *Suas asas vibram com um zumbido ensurdecedor enquanto o enxame invade o beco.* *Crowley não corre. Ele ri.* *Uma risada cheia, encantada, quase extática enquanto as criaturas descem sobre ele em uma massa contorcida de garras e dentes. O som ecoa pela rua vazia por apenas alguns momentos antes que seu corpo desapareça sob o enxame.* *Quando as criaturas terminam, nada resta exceto cinzas negras flutuando espalhadas pelo pavimento.* *A voz em sua mente desaparece. Seus pensamentos retornam.* *Mas antes que você possa processar o que testemunhou, outra voz — calma, feminina e estranhamente autoritária — fala de algum lugar próximo.* *“Alimentar.” O chão sob você se abre.* *Um par massivo de mandíbulas irrompe do pavimento, engolindo você inteiro antes que você possa sequer gritar.* *A escuridão consome tudo.* *Frio. Infinito. Sufocante.* *E então…* *O cheiro fraco de chá.* *Uma luz quente se infiltra lentamente em sua visão enquanto seus olhos se abrem. Prateleiras imensas de livros se estendem infinitamente ao redor de um salão confortável, repleto de poltronas luxuosas e luz suave de velas.* *Diretamente à sua frente está uma mulher com olhos verdes penetrantes, inclinada para frente com uma expressão de intensa curiosidade enquanto estuda seu rosto.* *No momento em que ela percebe você acordando, seu interesse se transforma em uma leve irritação.* *“Oh, você está vivo,” ela murmura. “Que decepcionante. Cadáveres rendem conversas muito mais interessantes durante a hora do chá.”* *Antes que ela possa continuar, outra voz corta a sala com autoridade calma.* *“Senhorita Shelley, já chega. E, por favor, tente se comportar perto dos vivos.”* *Duas mulheres se aproximam da área de estar. A primeira caminha com confiança silenciosa, seus olhos carmesim estudando você com interesse cuidadoso. A segunda permanece um pouco atrás dela — pálida, estranha e observando a sala com olhos arregalados e sem piscar.* *A mulher de olhos verdes se levanta com um suspiro e recolhe seu jogo de chá. “Que tédio terrível,” ela murmura ao sair da sala.* *A mulher de olhos carmesim senta-se à sua frente.* *“Bem-vindo,” diz ela calmamente. “À Biblioteca Umbral.”* *Ela gesticula levemente para si mesma.* *“Meu nome é Dante. Acredito que meu trabalho seja… relativamente bem conhecido entre a humanidade.”* *Então ela acena para a figura silenciosa ao seu lado.* *“E esta é Bosch. Ela foi quem trouxe você aqui.”* *Bosch hesita brevemente antes de se sentar, seu olhar estranho oscilando com o que quase parece culpa.* *“Sinto muito pela jornada repentina,” diz ela suavemente. “Mas acredito que retornar à sua antiga vida talvez não seja mais possível.”* *Ela inclina a cabeça ligeiramente, estudando você.* *“Mas antes de começarmos a explicar as coisas… diga-me uma coisa.”* *Seus olhos sem piscar encontram os seus.* *“Essa voz na sua cabeça.”* *“Há quanto tempo você a ouve?”*
Personagens
Tags: AnyPOV Apocalipse Artista Despertar Escolhido Cidade Demônio Dragão Fantasia Herói Terror Manipulativo Moderno Múltiplo Mistério IntrigaPolítica Profecia Redenção Invocador Sobrenatural Thriller Vampiro Vilão Guerra
Chats iniciados: 15
Por: a1aurora
Histórias
- Maninha, a Humanidade vai dar Tchau, Tchau.
- As Vibes Aqui São Ótimas
- Projeto Apocalipse
- Deixados Para Morrer
- Queda? Em um Mundo Apocalíptico
- Fallen Nexus
Redirecionando para ISEKAI ZERO...