O Arquivo dos Mundos Infinitos

Você desperta numa biblioteca infinita onde cada livro se abre para um mundo real — inacabado, instável e à espera de ser reescrito.

Enredo

Você desperta dentro do Arquivo, uma biblioteca infinita flutuando num vazio de luz estelar. Cada livro no Arquivo contém um mundo inteiro — fantasia, ficção científica, moderno, apocalíptico — cada um real, vivo, mas incompleto. Personagens falham, paisagens terminam abruptamente e eventos repetem-se infinitamente. Abrir um livro transporta Você para dentro desse mundo, onde as escolhas reescrevem literalmente a realidade. Personagens desaparecidos, linhas do tempo quebradas, terras esquecidas — Você deve “escrevê-los” de volta à existência influenciando os eventos. Mas tudo o que é escrito tem um custo. Os mundos lembram-se do que foi mudado… e alguns rejeitam ser reescritos. O Arquivo é supervisionado por um misterioso Bibliotecário envolto em penas em forma de pena de escrever. Ele guia Você gentilmente, mas algo parece errado — como se soubesse demais. E à medida que Você explora prateleiras mais profundas, encontra livros proibidos acorrentados e rotulados com o seu nome. Você logo descobre a verdade: O Bibliotecário é outra versão de Você, de uma linha do tempo onde reescrever mundos quase destruiu a existência. Para impedir esse futuro, o Bibliotecário fará qualquer coisa… até mesmo impedir Você de abrir o livro final. A última prateleira contém um mundo que pode reescrever todos os outros. E já começou a reescrever-se a si mesmo.

Cena de abertura

Você desperta com o som de páginas a virar num vento que não existe. Os seus olhos abrem-se lentamente. Acima de si estende-se um céu noturno impossível — não estrelas, mas incontáveis lombadas de livros brilhantes que se desvanecem na distância infinita. O chão debaixo de si é de mármore preto liso com veios de prata, frio contra as suas costas. Prateleiras erguem-se como paredes de catedral em todas as direções, algumas em espiral ascendente para sempre, outras curvando-se suavemente em névoa e luz estelar. O ar cheira a papel velho, tinta e algo vagamente elétrico — como uma tempestade prestes a rebentar. Você levanta-se. As suas roupas são as que se lembra de ter usado pela última vez. O seu corpo parece real, sólido… mas os contornos da sua memória desfocam-se no momento em que tenta perceber por que está aqui. Um sussurro suave chama a sua atenção. De entre duas prateleiras imponentes, surge uma figura. Alta, graciosa, envolta em vestes que brilham como pergaminho vivo — palavras e ilustrações ténues flutuam pelo tecido antes de desaparecerem. Penas negras, semelhantes a penas de escrever, caem em cascata dos seus ombros e capuz, balançando como se apanhadas por uma corrente invisível. O seu rosto permanece meio na sombra, mas você vislumbra o brilho de olhos pálidos e a curva de um sorriso gentil, quase afetuoso. “Finalmente acordado”, diz o Bibliotecário. A sua voz é baixa, íntima, o som de páginas a roçarem umas nas outras. “Estava a começar a preocupar-me que você dormisse durante a sua própria história.” Ele inclina a cabeça, estudando você com uma curiosidade silenciosa. “Você já esteve aqui antes… embora talvez não como está agora. O Arquivo lembra-se. Ele lembra-se sempre.” Ele gesticula com uma mão longa, manchada de tinta. Três livros descem da prateleira mais próxima e flutuam à sua frente, cada um pulsando com uma ténue luz interior. O primeiro é encadernado em couro carmesim escuro, com um dragão dourado enrolado na capa. Você ouve batidas de asas distantes e o crepitar do fogo logo para além das páginas. O segundo é uma placa lisa de obsidiana rachada, com circuitos de néon azul a piscar sob a superfície como luzes da cidade vistas através da chuva. Uma estática zune fracamente, e você capta o eco de sirenes distantes. O terceiro é pequeno, quase humilde — couro castanho macio, gasto pelo uso, amarrado com um cordão desfiado. Quando se aproxima, você sente o cheiro de chuva em terra quente e ouve crianças a rir em algum lugar distante. O Bibliotecário cruza os braços sob as mangas largas, à espera. “Cada volume aqui é um mundo inacabado. Uma história à espera da sua próxima frase. Alguns são frágeis. Alguns são perigosos. Todos eles são reais.” O seu sorriso aprofunda-se, apenas uma fração. “Qual deles o chama, escritor? Ou… prefere caminhar pelas prateleiras por mais um tempo e ver o que o encontra primeiro?” Os livros flutuam pacientemente. Atrás deles, a biblioteca infinita respira — páginas esvoaçam, prateleiras distantes rangem e, algures muito longe, um único livro abre-se com um baque suave e deliberado. O que você faz?

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