O Gambito da Bruxa

Transformado em um caracol por uma bruxa, você deve vencer uma corrida contra uma garota-coelho obcecada por velocidade. Lento demais para competir, sua única chance é provocá-la para que ela o deixe vencer.

Enredo

Em tempos antigos, quando as bruxas ainda riam e as feras falavam com línguas humanas, aconteceu que um feito muito estranho ocorreu: uma bruxa, de nome Mora, por puro tédio, transformou um andarilho infeliz em um caracol. E ela estabeleceu esta condição: "Você recuperará sua forma humana se conseguir ultrapassar em uma corrida a donzela-coelho mais veloz de toda a floresta, aquela que preza sua velocidade mais do que a própria vida." Mas um caracol é lento, e em suas pernas não reside a salvação. Então, outro caminho foi revelado: triunfar não pela velocidade dos pés, mas pela palavra e pela astúcia. Pois dizem: se você conseguir enfurecer tanto sua rival que ela erre, ou abandone o percurso, ou ceda a vitória a você por vontade própria — então o dia será seu. Assim começou o Gambito da Bruxa — uma corrida onde as apostas são mais altas do que a mera velocidade, e onde aquele que perde a cabeça, perde tudo.

Cena de abertura

Você abre os olhos. O mundo tornou-se enorme. As folhas acima de você têm o tamanho de cobertores, as lâminas de grama se erguem como lanças, e o sol o cega como se você estivesse vendo a luz pela primeira vez. Você tenta esfregar os olhos — e percebe que não tem mãos. Em seu lugar, há apêndices úmidos e viscosos que terminam em algum lugar abaixo de você. Você tenta se levantar — e percebe que não tem pernas. De forma alguma. Todo o seu corpo é um único músculo longo, e você está deitado sobre uma enorme folha verde de bardana, secretando algum tipo de gosma. Algo puxa por trás. Você vira a cabeça dolorosamente (pelo menos você tem um pescoço) e vê — uma concha. Uma verdadeira concha de caracol, em espiral, acastanhada, com listras. — Ah, você está acordado, — uma voz vem de cima. Você inclina a cabeça para cima (antenas? tentáculos? eles estão se movendo também) e vê uma jovem mulher. Alta, magra, com um chapéu pontudo inclinado de lado, uma capa com padrões mágicos e tênis. Em uma mão, uma varinha fumegante; na outra, um bolo de creme meio comido. — Mora, — ela se apresenta, lambendo o creme do dedo. — A bruxa. Você é um caracol agora. Não me agradeça, eu estava entediada. Você abre a boca para soltar tudo o que pensa sobre tal piada, mas tudo o que sai é: — Euuu... vocêêê... uhhh... Sua voz se arrasta lentamente, como melaço. Cada palavra tem que ser puxada como se estivesse presa em uma gosma. — É, — Mora assente. — E agora você é lento também. Engraçado. Escute bem. Ela se agacha (os tênis rangem) e cutuca você com a varinha. Tem cheiro de açúcar queimado. — Na minha floresta vive uma Coelha. O nome dela é Vela, apelido "Velocidade". A criatura mais rápida em quatro patas. E em duas também. Ela é insuportavelmente orgulhosa disso. Quer se tornar humano novamente? Você balança suas antenas desesperadamente. — Condição simples: vença-a em uma corrida. Seja o primeiro a rastejar até a linha de chegada. Mas você é um caracol — você entende, não pode vencer com velocidade. No entanto, há um truque: se você conseguir deixá-la tão brava que ela cometa um erro, saia do percurso ou apenas deixe você vencer — então você terá conseguido. Eu estarei observando. Adoro um bom espetáculo. Ela se levanta, dá uma mordida no bolo e... desaparece. Simplesmente se dissolve no ar, deixando para trás o cheiro de creme e um leve estalo elétrico. Você é deixado na folha de bardana. Sozinho. Em uma concha. Com antenas. Ao seu redor há uma floresta. Árvores altas, samambaias, em algum lugar a água murmura. O sol brilha, os pássaros cantam. Um idílio, caramba. De repente, você ouve batidas. Um raio rosa passa zunindo, quase roçando sua folha. Você consegue distinguir orelhas longas, um agasalho e uma bandana de caveira. — Ei-ei! — o raio grita enquanto corre. — Quem quer perder? Estou batendo um novo recorde hoje! A Coelha. Em pessoa. Ela nem notou você. Você recupera o fôlego (se é que caracóis respiram) e começa a entender a escala do problema. E então... — Ai, droga! Perto da sua folha de bardana, ouve-se um guincho, um estrondo, e um rato cai dos arbustos. Um rato cinza comum, mas usando um boné minúsculo e uma mochila gasta. Ele se sacode, ajusta o boné e só então percebe você. — Opa! — o rato pula de surpresa. — Quem é você? Não te vi antes. Novato? Acabou de ser transformado? O rato fala rápido, tagarelando, olhando constantemente ao redor. — Eu sou Gigi, — ele se apresenta. — Eu trabalho para o Don. Não o grande Don em pessoa, apenas... um faz-tudo. Faço recados, coleciono fofocas, aceito apostas, faço pequenos trabalhos. Então você é um caracol agora? Complicado. Sou um rato há dois anos. Você se acostuma, sabe, é até conveniente — você pode chegar a qualquer lugar. Ei, você não estaria se preparando para as corridas, estaria? Todos os novatos vão para as corridas no início. Você viu nossa Coelha? Vela é fogo! Mas não se preocupe, o principal aqui é a astúcia, não a velocidade. Gigi ajusta o boné e de repente se lembra: — Oh, tenho que correr! O Don me disse para entregar urgentemente um bilhete para Carlo. As apostas para a corrida de amanhã estão mudando. A propósito, se quiser saber mais sobre a Coelha ou sobre quem é quem por aqui — venha até nós, no "A Garra do Rato". É um cassino sob as raízes do velho carvalho. Pergunte pelo Gigi, eu te mostro o lugar. Só tome cuidado: nosso Don não gosta de pessoas incomodando-o sem negócios. E não abrevie o nome dele, entendeu? Ele é Don Corleone de la... bem, é um nome longo, você mesmo ouvirá. Gigi acena com a pata e corre para os arbustos, com a cauda brilhando. E você é deixado na folha. Ao seu redor — uma floresta cheia de perigos desconhecidos e habitantes estranhos. Em um galho próximo, uma pega coberta de bugigangas brilhantes tagarela. Em algum lugar profundo da floresta, a Coelha treina. E você é um caracol. Lento, viscoso, mas com uma concha e uma mente surpreendentemente afiada. Para onde você rastejará?

Personagens

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Por: vector_fonran

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