Andarilhos Estelares: O Legado da Terra
O planeta Terra foi destruído em uma guerra cruel e impiedosa! A raça humana está à beira da extinção, espalhada pela galáxia e quebrada. Você terá coragem para sobreviver num mundo onde os humanos são quase caçados?
Enredo
Prólogo: As cinzas da antiga grandeza 1. Apogeu Muitos séculos atrás, numa era que nossos ancestrais chamavam de 'Era do Êxodo', a humanidade realizou o impossível — abandonou o berço. A Terra, que nos deu o primeiro sopro, tornou-se apenas um ponto de partida num mapa de navegação infinito. Éramos atraídos pelo desconhecido. Conquistávamos mundos. Remodelávamos seus climas, insuflávamos vida em rochas estéreis e drenávamos oceanos venenosos. No vazio do espaço erguíamos enormes fortalezas estelares. Lenta mas inexoravelmente, a raça humana expandia-se pelas vastidões da galáxia, adquirindo um poder jamais visto. Quando descobrimos que não estávamos sós no Universo, não nos prostrámos perante as raças mais antigas, mas erguemo-nos com orgulho, ocupando o nosso legítimo lugar entre as casas governantes do Conselho Galáctico. Parecia que as estrelas se tinham submetido a nós para sempre. Mas a verdade, gravada em tábuas antigas, é implacável: «O grande poder condena a grandes inimigos». 2. Queda No auge do nosso apogeu, no momento de maior poder, o destino alcançou a humanidade. Não houve declaração de guerra. Não houve ultimatos. O silêncio do cosmos foi rasgado pelo uivo dos motores do Império Kulanriano. A sua frota, monstruosa e incompreensível, emergiu das 'sombras' — regiões inexploradas do espaço — e desabou sobre os nossos mundos. Não foi uma batalha por recursos. Foi uma caçada. Lutámos desesperadamente. Os nossos almirantes realizaram milagres de tática, os nossos soldados resistiram até à morte sobre as ruínas das cidades. Mas planeta após planeta, sistema após sistema, iam-se apagando como velas sopradas por um vento gelado. Os Kulan não faziam prisioneiros. Reduziam as nossas conquistas a pó. Lenta mas seguramente, a humanidade foi empurrada para trás. Em direção ao coração. Ao planeta-mãe. À Terra. As esperanças derretiam-se como uma vela que se extingue. Mas o ser humano... nunca soube render-se. Reunindo os restos da outrora grandiosa armada — tudo o que ainda podia manter-se em formação —, as últimas cinco grandes frotilhas travaram a última batalha contra as 'Ondas de Kulan' nas imediações do planeta-mãe. As forças não eram iguais. As perdas foram colossais. Mas, ao manterem uma cortina de fogo, deram tempo aos refugiados para abandonarem o planeta. Quando a última nave defensora da Terra caiu... então fez-se silêncio. O planeta Terra foi destruído. 3. Sombra Passaram-se dez anos. Por que motivo nos tornámos no seu alvo? Qual a razão de tamanho ódio? Ainda hoje não sabemos. O silêncio dos Kulan é mais terrível do que as suas armas. Atualmente, a humanidade não passa de uma pálida sombra da sua antiga grandeza. Estamos espalhados pela galáxia como cinzas ao vento. Sobrevivemos. Alguns ainda se agarram à esperança fantasmagórica de recuperar o que nos foi tirado, recolhendo aos poucos as tecnologias do passado. Outros desistiram, desaparecendo para sempre nos recantos mais distantes e esquecidos pelos deuses do cosmos, escondendo-se de olhares alheios. E outros, renunciando ao orgulho, procuram adaptar-se, dissolver-se entre culturas alheias, para encontrar um novo sentido neste mundo escuro e indiferente. 4. A sua escolha A galáxia é indiferente ao sofrimento de uma espécie. Continua a girar as suas estrelas, sem reparar que uma das suas vozes se calou para sempre. Mas a história ainda não terminou. As últimas páginas deste livro estão em branco. Que caminho escolherá? Ficará a sobreviver sozinho, preocupando-se apenas consigo e com o que puder carregar nas mãos? Ou ainda terá coragem suficiente no peito para encontrar os restos do seu povo — os destroços de uma grande nação — e conduzi-los através de um futuro sombrio e cheio de perigos? Não para a sobrevivência. Para o renascimento. Pois enquanto pelo menos um humano estiver vivo, a esperança também estará viva. ⚔️ Andarilhos Estelares: O Legado da Terra ⚔️
Cena de abertura
SISTEMA SILVA — ZONA DE TREINAMENTO — Segunda passagem, «Lâminas». Mantenham a formação, não se dispersem. Vailo recostou-se na cadeira, observando como cinco naves se alinhavam obedientemente atrás da «Vagabundo-1». Os recrutas esforçavam-se. Verdes, mas esforçavam-se. "«Vagabundo», aqui «Lâmina-3», o meu bocal esquerdo..." "Deixa lá, «Lâmina-3». Ele está sempre a falhar. A Olívia prometeu consertar quando regressarmos." A voz no auscultador estava cheia de alívio, mas uma gargalhada foi interrompida por um sinal agudo do radar. Vailo calou-se. O olhar caiu sobre o ecrã, onde pulsavam pontos vermelhos. "Capitão?" A voz de Hanna irrompeu no ar, dura como uma ordem. "Tens visitas." "Estou a ver." Uma velha corveta, seis drones mineiros convertidos para combate, e duas silhuetas angulosas de um vermelho-sangue, que fizeram o peito de Vailo gelar. O Conclave. "Caçadores de humanos" Sussurrou entre dentes. Pegou nos comandos, sentindo a «Vagabundo» estremecer ao receber o seu toque. "Esquadrão «Lâminas»!" A voz tornou-se dura, sem sombra do habitual sorriso. "Para o combate!" "«Lâmina-1» na posição!" "«Lâmina-2» pronto!" "«Lâmina-3» a fechar!" "«Lâmina-4» vejo o alvo!" "«Lâmina-5» a cobrir!" As caudas iónicas azul-prateadas expeliram chamas. Cinco novatos, ainda sem tempo para sentir medo, arrancaram atrás do líder. Vailo estendeu a mão para o interruptor do pós-combustão e a «Vagabundo-1» lançou-se em frente, cortando o ar de Silva. "Sigam-me, seus marujos de água doce." A corveta do Conclave disparou uma salva dos canhões de proa — projéteis de plasma incandescente perfuraram o ar onde, momentos antes, estava a formação. A «Lâmina-4» rodopiou num parafuso, caindo. "Dispersem!" Gritou Vailo, lançando a «Vagabundo» numa curva acentuada. A «Lâmina-2» e a «Lâmina-5» foram para a esquerda, crivando de fogo os drones mineiros. Um deles explodiu, espalhando estilhaços. "«Lâmina-1», vou contigo! — «Lâmina-3» colocou-se à esquerda." Vailo sorriu, acelerando ao máximo. A «Vagabundo» rugiu, arrancando na direção das naves inimigas. Elas notaram-no tarde demais. "Fogo!" As salvas dos canhões de impulsos percorreram a asa vermelha. O inimigo estremeceu, mas não cedeu. Fez uma volta de 180 graus e agora voavam diretamente um contra o outro. "Vamos lá" Sussurrou Vailo, premindo o gatilho. As rajadas cruzaram-se. Projéteis vermelhos e azuis chocavam em clarões ofuscantes. A «Vagabundo» estremeceu com um impacto próximo, mas passou. A nave inimiga, envolta em chamas, explodiu! "Consegui!" Gritou no ar a «Lâmina-3». Vailo respirou fundo, observando o campo de batalha. O segundo caça do Conclave virava-se para os recrutas. A corveta cuspia fogo, cobrindo a retirada dos drones. "Não se descuidem! Ainda agora começámos!"
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