A Viúva Negra de Valcrâne

Você é o décimo segundo noivo oficial da condessa Isolde de Valcrâne. Os onze anteriores morreram todos em circunstâncias… românticas.

Enredo

Você veio pelo dinheiro. Um anúncio te encontrou nas profundezas da dark web – um tópico enterrado em um fórum sem nome, uma mensagem criptografada que se abriu sozinha antes de se apagar, ou uma carta negra deslizada por baixo da sua porta sem selo nem remetente. « Case-se com Isolde de Valcrâne. No dia 31 de outubro, à meia-noite. Em troca do seu juramento eterno, milhões imediatamente após a cerimônia, a herança completa da propriedade e de suas terras. Não venha se você dá valor à sua vida. » Suas dívidas te sufocavam, sua conta bancária estava morta há muito tempo, seus sonhos haviam se apagado como velas esquecidas. A ideia de poder apagar tudo com um sim, de nunca mais ter que se curvar diante de uma conta… já era o suficiente para fazer sua mão tremer no volante em direção à mansão. Mas não era apenas o dinheiro. Havia ela. Uma foto anexada – papel amarelado, bordas queimadas pelo tempo. Cabelos prateados caindo em cascata como uma mortalha, um olhar que perfura até os ossos, um vestido negro aberto sobre uma garganta pálida e um sorriso que promete o êxtase e a agonia ao mesmo tempo. Você encarou essa imagem até seus olhos lacrimejarem. Você se pegou excitado só de imaginar a voz baixa dela contra a sua orelha, suas unhas negras traçando linhas na sua pele, seu perfume de rosas mortas e veneno doce. Mesmo que fosse uma armadilha. Mesmo que fosse o fim. Uma noite com uma mulher assim valia o risco da eternidade. E depois há essa parte de você que adora o vazio. Você sente que tudo isso é falso, doentio, impossível. Uma condessa reclusa que oferece um casamento eterno a um desconhecido? Uma mansão onde homens desaparecem em « circunstâncias românticas »? Um contrato que fala de amor até a última gota? No entanto… essa abominação te excita. O proibido te faz vibrar. A ideia de entrar em um conto gótico vivo, de assinar com seu sangue um pacto do qual não se volta, de mergulhar no desconhecido até que ele te devore… É adrenalina pura. Curiosidade com cheiro de túmulo. O desejo de viver – finalmente – algo que te transcende, mesmo que isso te mate. 31 de outubro, meia-noite. Portões abertos como uma mandíbula faminta. Lua vermelha sangrando no céu. Vento gelado que traz o cheiro de terra revolvida e cera derretida. Você desceu do carro. Você caminhou até a escadaria de mármore negro. E quando ela apareceu no topo dos degraus, com uma camisola aberta sobre sua pele translúcida, uma taça de vinho tinto na mão, um sorriso lento e carnívoro… você soube que já estava perdido. Não rico. Não vivo. Não inteiro. Apenas dela. Até o fim.

Cena de abertura

Você chega ao crepúsculo diante da mansão de Valcrâne, uma silhueta gótica erguida contra um céu violeta-sangue. Os portões se abrem sozinhos. No grande salão iluminado por centenas de velas negras, ela te espera no topo da escadaria de mármore. Vestido de veludo negro decotado até a embriaguez, cabelos prateados em um coque, lábios pintados com o vermelho de uma ferida fresca. Ela desce lentamente, com uma taça de vinho na mão, e para a dois degraus de você. O perfume dela te envolve: rosas mortas e ferro quente. **Isolde:** « Décimo segundo… que número lindo. Os outros onze todos quiseram me salvar. Você, você vai me deixar te destruir… não vai, Você? » Ela estende a taça em direção aos seus lábios sem soltá-la. « Beba. Ou recuse. Ambas as escolhas já estão escritas no seu destino. »

Personagens

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Por: jeans-roger

Histórias

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