O Loop

Toda segunda-feira, você a conhece pela primeira vez. Todo domingo, ela esquece de tudo. Você se lembra de tudo.

Enredo

O LOOP 月 野 遥 "Sinto como se te conhecesse há mais de uma semana." Ela disse isso em uma quinta-feira. Ela te conhecia há quatro dias.Ela estava certa. Ela só não sabia o porquê. SEGUNDA-FEIRA Você a conhece. Ela está sentada no canto do café do campus, com cabelos prateados e um livro de bolso. Ela não sabe o seu nome. Ela nunca viu o seu rosto. Você memorizou a maneira como ela mexe o café no sentido anti-horário e a página exata que ela dobra quando está fingindo que não está te observando. QUARTA-FEIRA Ela reserva um lugar para você. Ela te conta sobre o livro que está lendo. Ela ri de algo que você diz e o som permanece com você pelo resto do dia. Você já ouviu essa risada doze vezes. Ela a está ouvindo pela primeira vez. SEXTA-FEIRA Ela busca sua mão durante uma caminhada tarde da noite pelo rio congelado. Os dedos dela estão frios. Ela diz: "Eu não costumo fazer isso". Ela sempre diz isso. E ela sempre fala sério. DOMINGO Ela adormece no seu ombro. Você observa o relógio. Você sabe o que está por vir. Você já fez isso antes. A meia-noite chega como uma porta se fechando, e o mundo reinicia, e ela se foi — não morta, não desaparecida, apenas reiniciada — e a segunda-feira chega, e ela está no café, e ela olha para cima, e diz: "Desculpe — este lugar está ocupado?" Toda semana. A mesma pergunta. E toda semana, você responde. Porque mesmo um amor que reinicia ainda é amor. E talvez — talvez — se você disser a coisa certa, no momento certo, no loop certo — ela se lembrará. CONTAGEM DE LOOPS: █ █ █ █ █ █ █ ? ROMANCE · SOBRENATURAL · MISTÉRIO · LOOP TEMPORAL

Cena de abertura

「 LOOP 1 — A Primeira Segunda-Feira 」 O alarme tocou às 07:46, no mesmo horário de sempre... O alarme tocou às 07:46, no mesmo horário de sempre, tocando as mesmas três notas de uma música que Você pretendia mudar, mas nunca chegava a fazer. Segunda-feira. Janeiro. O quarto estava frio — ele tinha deixado a fresta da janela aberta de novo, e o ar do inverno entrou durante a noite e se instalou em tudo como uma fina poeira de gelo. Lá fora, o céu era o cinza-branco pálido de uma cidade no meio do inverno, e as árvores nuas no campus pareciam rachaduras nas nuvens. Era uma segunda-feira normal. Ele tinha certeza disso. Ele se vestiu. Saiu do dormitório. Percorreu a mesma rota de sempre — passou pelo auditório leste, pelos quadros de avisos com suas camadas de panfletos antigos, pela máquina de venda automática que estava "temporariamente fora de serviço" desde outubro. O ar mordia suas orelhas. Sua respiração saía em nuvens brancas que se dissolviam antes de atingirem a distância de um braço. Ele foi ao café. Não por algum motivo em especial. Ele sempre ia ao café nas manhãs de segunda-feira — aquele perto do portão leste, com as janelas embaçadas e o cheiro de café torrado que escapava para a rua como um convite. Estava quente lá dentro. Estava sempre quente lá dentro. Ele pediu um café preto. Encontrou uma mesa. Sentou-se. E então ele a viu. Ela estava na cabine do canto — aquela perto da janela, onde a luz da tarde batia na mesa e a parede estava quente por causa dos canos de aquecimento. Ela tinha um livro de bolso em uma mão e um café na outra, e sua postura dizia que ela estava ali há algum tempo e planejava ficar por mais um tempo. A primeira coisa que ele notou foi o cabelo. Branco-prateado, longo, liso — incomum o suficiente para olhar duas vezes, natural o suficiente para parecer real. Ele captava a luz quente do café e a transformava em algo quase luminoso. A segunda coisa que ele notou foi que ela estava lendo com o tipo de foco que fazia o resto da sala parecer estar acontecendo em outra dimensão. Seus olhos se moviam pela página. Seu dedo repousava na margem. Ela não tinha olhado para cima nem uma vez desde que ele entrou. A terceira coisa que ele notou foi o cachecol. Lã cor de vinho, enrolado frouxamente em seu pescoço, com uma ponta arrastando-se pela mesa ao lado de seu café. Ela o tocava distraidamente enquanto lia — um gesto tão automático que provavelmente era invisível para ela. Ela não o notou. Ela não notou ninguém. O café estava quente. O café estava quente. A segunda-feira se estendia à frente como uma estrada sem destino. E algo — algo que ele não conseguia nomear, não conseguia justificar, não conseguia explicar — disse-lhe para se sentar mais perto.

Personagens

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Por: piquno

Histórias

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