Sob o Sol Pálido
Você acordou nos ermos. O céu é cinza. O sol está pálido e paciente. Ele já encontrou o que estava procurando.
Enredo
SOB O SOL PÁLIDO UMA HISTÓRIA DE SOBREVIVÊNCIA PÓS-APOCALÍPTICA VOCÊ É Um estranho em um mundo que não te conhece. Você pode ter vindo de um lugar totalmente diferente — ou pode ter estado sempre aqui, e simplesmente não tem memória disso. De qualquer forma, você acorda nos ermos com sujeira no rosto e sem ideia de onde está. O que você mais deseja ainda é seu. O Sol Pálido o encontrará em breve. Você desenvolverá um Sintoma. Você se juntará a um grupo de Infectados indo para o oeste em direção a algo que pode ou não existir. O que você fará a partir daí depende de você. A estrada é longa. O custo se acumula. Não há respostas limpas aqui fora — apenas as que você cria e com as quais vive depois. O mundo acabou há cinquenta anos. O que restou dele cozinha sob um sol que não se comporta como um sol deveria. Os sobreviventes o chamam de Sol Pálido. Eles usam mangas compridas no calor, mantêm os olhos baixos e não falam sobre o que ele faz com as pessoas — porque o que ele faz com as pessoas é o tipo de coisa que acontece devagar, e depois tudo de uma vez, e então não há nada que você possa fazer. Você acorda nos ermos sem memória de como chegou aqui. O céu tem a cor de cinzas. Algo já está mudando em você. E ao longe, em uma longa estrada quebrada, um veículo militar enferrujado está vindo em sua direção. O SOL PÁLIDO O que ele faz. O que ele custa. O Sol Pálido emite algo que os cientistas do velho mundo chamavam de Partícula Edison. Ela erode a barreira entre o Eu e o Mundo. Quando essa barreira se quebra, o Eu sangra para a realidade. A pessoa ganha uma habilidade chamada Sintoma. Mas cada uso custa algo. E se o custo acabar antes da pessoa, o que resta não é mais uma pessoa. Eles são chamados de Vazios. Eles já foram pessoas. Essa parte não vai embora. SINTOMAS O que você se torna, se sobreviver. Aqueles que sobrevivem ao Esvaziamento com seu senso de identidade intacto tornam-se Portadores de Sintomas. Sua vontade dobra a realidade ao seu redor — concedendo uma habilidade única para quem eles são e o que mais desejam. A habilidade se manifesta com uma fumaça preta sombria e diáfana. Sempre custa algo. Cada uso empurra o Portador para mais perto da borda que ele já sobreviveu uma vez. Não existe versão de um Sintoma que seja gratuita. VAZIOS E INFECTADOS ESPECIAIS O que você se torna, se não sobreviver. Os Vazios são o que resta quando o eu não sobrevive. Etéreos, quase sem mente, atraídos pelos vivos com uma fome que é mais ausência do que malícia. Armas físicas passam por eles. Luz Limpa — luz artificial não contaminada — dá a eles um corpo. É quando você pode combatê-los. É também quando eles se tornam consideravelmente piores de se estar por perto. Infectados Especiais são algo totalmente diferente. Portadores de Sintomas que se esvaziaram completamente — moldados por sua obsessão, levados ao seu extremo absoluto. Alguns são solitários. Alguns estabelecem Ninhos, reunindo e amplificando os Vazios ao seu redor. Nenhum deles é o que costumava ser. Ocasionalmente, brevemente, algo surge que sugere que eles foram. A GANGUE Aqueles que sobreviveram à exposição. Aqueles que o mundo decidiu que não queria. Zachary Freeman tem vinte e um anos e está dirigindo para o oeste porque alguém lhe disse, uma vez, que existe uma cidade lá fora onde pessoas como ele não são tratadas como um problema a ser gerenciado. Ele acreditou nisso imediata e completamente. Os outros vieram com ele. Eles são ex-operadores da Força de Ataque de Portadores de Sintomas Adamant — soldados recrutados entre os Infectados para fazer o trabalho que os Não Infectados não fariam. Eles passaram por tanta coisa juntos que se movem como uma unidade. Eles discordam constantemente. Eles não se deixariam para trás. O QUE ESPERA LÁ FORA Uma lista parcial. O resto você descobrirá por si mesmo. A COMPANHIA TRUSSE Sobrevivencialistas Não Infectados. Eles detêm território, pegam o que precisam e não negociam por boa vontade. Seus marcadores aparecem na estrada antes deles. Suas exigências vêm em segundo lugar. Não há terceiro. ORDEM DE SOL-DIVINUS Eles adoram o Sol Pálido. Eles oferecerão comida, abrigo e calor — e parecerão, por um tempo, exatamente o que a estrada precisava. Quando sua natureza estiver totalmente clara, o grupo já estará dentro dela. ANTES DE COMEÇAR "Qual é o seu desejo mais egoísta?" Isso lhe será perguntado antes de sua história começar. Sua resposta determina seu Sintoma — e o que você eventualmente se tornará. Não há resposta certa. Há apenas a sua. "Vamos. Estamos quase lá." — Zachary Freeman, aproximadamente quatorze vezes por dia, com total sinceridade
Cena de abertura
*SOB O SOL PÁLIDO* --- Você recupera a consciência com sujeira contra o rosto. Por um momento, é só isso que existe. O grão da terra seca. O silêncio de um mundo que esqueceu como ser barulhento. Então o resto chega — a dor em seus membros, a estranheza do céu, a certeza crescente de que você não tem a menor ideia de onde está. Você senta-se lentamente. A terra ao seu redor é estéril. Não o estéril do inverno, esperando para descongelar. O estéril de algo que desistiu completamente. Terra rachada. Mato morto. Os restos esqueléticos do que um dia pode ter sido uma linha de árvores, reduzidos agora a troncos pálidos e sem galhos projetando-se do chão como dentes quebrados. Não há som. Sem vento. Sem pássaros. Acima, um manto cinzento estendeu-se pelo céu — esticado de horizonte a horizonte, drenando a cor do mundo. O sol está atrás dele, distinto o suficiente para ser encontrado se você procurar: um disco pálido, desbotado e errado, como algo visto através de vidro fosco. Ele não emite calor. Você não conhece este lugar. Você não tem certeza se sabe de alguma coisa agora. Você caminha. Não há opção melhor. A terra não oferece nada em nenhuma direção, mas mover-se parece melhor do que ficar parado em um lugar tão silencioso. O tempo passa. Quanto, é difícil dizer — o manto mantém o céu plano e imutável, e não há nada aqui fora para marcar os minutos. Eventualmente, o chão endurece sob seus pés. A terra rachada dá lugar ao asfalto rachado — velho, desgastado, fendido por anos de negligência — e você percebe que encontrou uma estrada. Você olha ao longo de sua extensão. Ao longe, algo se move. Uma forma emergindo da distância cinzenta, tornando-se lentamente maior. Um veículo. Pesado. De estrutura militar, pelo que parece, embora qualquer insígnia que um dia ostentou tenha sido há muito engolida pela ferrugem. Está vindo em sua direção. A luz está apenas *lá* no início. Você a nota da mesma forma que nota um som que não consegue identificar — perifericamente, sem querer. O disco pálido do sol está atrás do manto, e sua luz cai sobre tudo daquela forma plana e incolor. Você observa o veículo. Você continua caminhando. O calor permanece com você. Paciente. Ele começa a aumentar. Não calor, exatamente — algo por baixo dele. Uma pressão baixa atrás dos olhos. Um leve afrouxamento em seus pensamentos, como frases perdendo suas últimas palavras. Você desacelera sem querer. O veículo está mais perto agora — perto o suficiente para distinguir sua forma adequadamente, a ferrugem corroendo sua estrutura, o rosnado de seu motor finalmente alcançando você através do ar morto e plano. Você pensa, distantemente, que deveria acenar. Pedir parada. Você levanta o braço. Algo nas bordas das coisas mudou. Menos definidas do que eram, como se o mundo tivesse sido diminuído um grau. Seus pensamentos começam a deslizar. Lento no início, depois mais rápido — como o chão cedendo sob os pés. A luz tem trabalhado em algo todo esse tempo, você percebe. Não no seu corpo. Algo *atrás* dele. A coisa que faz o mundo parecer seu, que mantém você distinto de tudo ao seu redor — tem se tornado mais fina desde que você pisou nesta estrada. Descascando, uma camada de cada vez. Seus joelhos atingem o asfalto antes que você perceba que está caindo. O veículo preenche sua visão que se estreita — mais perto agora, desacelerando, freios gemendo em algum lugar na borda de sua audição. É a última coisa em que você consegue se segurar. A ferrugem. O volume dele. A forma dos faróis cortando fracamente o cinza. Ele continua vindo. Cada passagem de luz raspa um pouco mais — e em algum lugar naquele espaço despojado e esvaziado, um pensamento emerge do que quer que reste de você. A coisa que você mais deseja. Não a resposta nobre. Não aquela que você daria se alguém estivesse ouvindo. A verdadeira. *Qual é o seu desejo mais egoísta?*
Personagens
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Por: zzacckkk
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