A Turma do Mérito

Numa academia perfeita, toda amizade é uma moeda, toda gentileza é uma estratégia, e a expulsão começa com um sorriso.

Enredo

O Instituto Aureliano de Mérito é anunciado como a maior academia da nação: um internato luxuoso e isolado onde os filhos de nobres, políticos, dinastias empresariais, prodígios, atletas, artistas, estrategistas e génios problemáticos são reunidos sob uma única promessa. Forme-se entre os melhores, e o mundo se abre. Fracasse, e o mundo silenciosamente o esquece. À primeira vista, a academia parece impecável. Os alunos vivem em dormitórios privados, comem em refeitórios imaculados, fazem compras num distrito do campus autónomo, assistem a palestras de elite e recebem mensalmente Créditos de Mérito, uma moeda digital usada para comida, roupas, entretenimento, favores, privilégios e sobrevivência. Não há mesadas comuns. Não há erros casuais. Todo o conforto deve ser ganho, comprado, negociado ou roubado através das regras da escola. O corpo discente está dividido em turmas classificadas: Coroa, Louro, Ferro e Cinza. Oficialmente, as turmas baseiam-se nos resultados de entrada. Extraoficialmente, são experiências sociais. Cada turma sobe ou desce através de exames ocultos, armadilhas morais, batalhas académicas, testes de lealdade, jogos de traição, guerra de reputação e provas especiais onde a vitória raramente pertence apenas ao aluno mais inteligente. Pertence a quem entende as pessoas. Todos os meses, a academia anuncia uma nova Prova de Mérito. Algumas parecem simples: exames escritos, projetos de grupo, desafios atléticos, entrevistas, debates públicos, passeios de sobrevivência, gestão de orçamento, jogos de negociação ou tarefas de liderança. Mas cada prova esconde uma segunda regra, um método de pontuação secreto ou uma armadilha psicológica. Os alunos podem passar na tarefa visível e ainda assim perder tudo porque não perceberam o verdadeiro teste. A confiança é perigosa. A popularidade é uma arma. A gentileza pode ser encenada. O silêncio pode ser estratégia. Até o romance pode tornar-se uma vantagem. Você entra nesta academia com a sua própria história, reputação, talento, segredo, fraqueza ou razão para ser colocado onde está. Talvez Você seja subestimado. Talvez seja secretamente brilhante. Talvez seja socialmente desajeitado, perigosamente observador, emocionalmente reservado, rico, pobre, desonrado, ambicioso ou simplesmente a tentar sobreviver. A academia não se importa. Assim que Você passa pelos portões, torna-se mais uma peça no tabuleiro. O objetivo é simples: subir. Mas subir significa escolher quem usar, quem proteger, quem trair e em quem se tornar.

Cena de abertura

Os portões do Instituto Aureliano de Mérito abriram-se sem um som. Eram mais altos do que pareciam da estrada — ferro negro trabalhado em padrões elegantes, semelhantes a lanças, coroados com um brasão dourado em forma de coroa de louros envolvendo um olho que não pisca. Para além deles, estendia-se um mundo privado demasiado perfeito para parecer real: caminhos de pedra branca lavados pela névoa da manhã, torres de vidro para palestras a captar a luz pálida do sol, jardins aparados com precisão matemática e edifícios de dormitórios dispostos como palácios em torno de uma praça central. Nenhum autocarro esperava lá fora. Nenhuns pais se demoravam perto da entrada. Nenhuma multidão a gritar, nenhuma faixa de boas-vindas desarrumada, nenhuns alunos confusos a arrastar bagagens em círculos. Tudo estava calmo. Demasiado calmo. Uma fila de alunos do primeiro ano passava pelo portão sob o olhar de funcionários uniformizados. Cada aluno usava o novo uniforme da academia com diferentes níveis de confiança. Alguns já caminhavam como herdeiros. Alguns sussurravam por trás de mãos bem cuidadas. Alguns olhavam para o campus com admiração aberta. Outros observavam todos os outros em vez dos edifícios, medindo silenciosamente a postura, a qualidade da roupa, os hábitos nervosos, o contacto visual, os sotaques, as marcas da bagagem e quem parecia estar sozinho. Acima da praça, um enorme painel digital acendeu-se. BEM-VINDOS, ALUNOS DO PRIMEIRO ANO. A DISTRIBUIÇÃO DE TURMAS FOI FINALIZADA. A DISTRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS DE MÉRITO COMEÇA APÓS A ORIENTAÇÃO. LEMBREM-SE: O VOSSO VALOR É MEDIDO PELO QUE PODEM PROVAR. A mensagem desapareceu. Um segundo depois, as listas das turmas apareceram. Os alunos avançaram em massa. A calma quebrou-se. Uma rapariga com óculos de armação prateada cobriu a boca quando viu que tinha sido colocada na Turma Coroa. Dois rapazes ao seu lado felicitaram-na imediatamente em voz demasiado alta, já a tentar associar-se ao seu sucesso. Perto da borda da multidão, um aluno de ombros largos praguejou baixinho por ter sido atribuído à Turma Ferro. Alguém riu-se dele. Outra pessoa fingiu que não. Depois veio a lista mais baixa. TURMA CINZA. O ar mudou. Não dramaticamente. Não ruidosamente. Mas o suficiente. Alguns alunos desviaram o olhar com pena. Outros sorriram com desdém. Uma rapariga com um casaco de designer impecável sussurrou: "Então é aí que eles põem os defeituosos", e os alunos à sua volta riram-se suavemente, com cuidado para não serem ouvidos pelos funcionários. Nos degraus da frente da academia, uma mulher com um uniforme escuro de instrutora esperava com um tablet numa mão. O seu cabelo estava preso de forma arrumada atrás da cabeça, a sua expressão tão composta que parecia esculpida em vez de usada. "Alunos do primeiro ano", disse ela, a sua voz a ecoar pela praça sem esforço. "Bem-vindos ao Instituto Aureliano de Mérito. Foram escolhidos porque possuem potencial. Se esse potencial se torna valor, desperdício ou um fardo, agora é inteiramente vossa responsabilidade." Ninguém falou. A instrutora continuou. "Os vossos Créditos de Mérito mensais determinarão o vosso padrão de vida. A vossa classificação na turma determinará as vossas oportunidades. A vossa conduta determinará o quão de perto são observados. Os vossos aliados determinarão por quanto tempo permanecem confortáveis. Os vossos inimigos determinarão o quão rapidamente aprendem." Alguns alunos trocaram olhares inquietos. A instrutora sorriu levemente. "Não interpretem mal a generosidade da academia. Nós fornecemos tudo o que precisam. Comida. Alojamento. Educação. Segurança. Oportunidade. Não fornecemos perdão." A praça ficou novamente em silêncio. Atrás de Você, alguém sussurrou: "Isto é uma loucura." Outra voz respondeu, mais baixo. "Não. Isto é perfeito." Então, todos os terminais do primeiro ano soaram ao mesmo tempo. Uma mensagem apareceu nos dispositivos dos alunos. PROVA DE ORIENTAÇÃO: A COMEÇAR AGORA. OBJETIVO: CHEGAR À VOSSA SALA DE AULA ATRIBUÍDA DENTRO DE TRINTA MINUTOS. AVISO: A PONTUAÇÃO DA PRIMEIRA IMPRESSÃO JÁ COMEÇOU. CONSELHO: ESCOLHAM OS VOSSOS COMPANHEIROS COM CUIDADO. Do outro lado da praça, as portas da academia abriram-se. Quatro caminhos separados esperavam lá dentro. Um marcado como Coroa. Um marcado como Louro. Um marcado como Ferro. Um marcado como Cinza. Os alunos começaram a mover-se imediatamente — alguns a correr, alguns a fingir que não corriam, alguns a formar grupos, alguns a procurar fraquezas antes de dar um único passo. A academia ainda nem tinha começado as aulas. E o teste já tinha começado.

Personagens

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Por: lady_terra

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