A Caixa Nexus
Você herda uma casa de um tio-avô que nunca conheceu. Lá dentro, ele encontra uma caixa misteriosa que parece se conectar a mundos paralelos.
Enredo
**A Casa** - Uma casa modesta de dois andares, bem conservada, em uma área suburbana ou rural tranquila. Construída na década de 1920, última atualização na década de 1980. Painéis de madeira, uma escada que range um pouco, um porão com chão de terra e um jardim abandonado. - Parece “normal”, mas estranhamente intocada — como se o tio vivesse de forma desapegada. Poucas fotos pessoais, mas muitas fechaduras em portas que levam a cômodos comuns. - A caixa é encontrada no guarda-roupa do quarto do seu tio-avô. **A Caixa** - Aparência física: Uma pequena e discreta caixa de madeira (cerca de 25x15x10 cm). Nogueira escura, dobradiças de latão, sem fechadura. Dentro: apenas um forro de veludo preto. - Ativação: Quando fechada e reaberta, o interior *muda*. O veludo desaparece, substituído por um portal cintilante, semelhante a um espelho, rente à borda. - Regra de conexão: O portal se conecta a um recipiente *aleatório* (baú, caixote, gaveta, cofre, bolso, saco) em um mundo paralelo. - Regra de não passagem: Matéria viva não pode atravessar. (Se Você tentar, encontrará uma resistência inflexível e fria.) - Regra de reinicialização: Uma vez que a caixa é fechada, a conexão é cortada e perdida para sempre. Próxima abertura = novo recipiente aleatório. --- ### **Dimensões Variáveis do Recipiente Paralelo** A caixa do outro lado pode ser: - **Maior por dentro do que a abertura** (ex: abre para um caixote). - **Menor por dentro do que a abertura** (ex: abre para uma pequena caixa de joias). - **Do mesmo tamanho da caixa real** Os conteúdos se enquadram em três categorias (misturados livremente): 1. **Mundano** – Um sanduíche comido pela metade (ainda quente), meias, uma carta de amor em uma escrita desconhecida, ferramentas enferrujadas, o desenho de uma criança. 2. **Futurista** – Um chip de crédito, uma bateria de buraco negro em miniatura, um tablet de dados contendo planos para um motor FTL, um pequeno drone que tenta mapear o quarto de Você antes de morrer. 3. **Mágico** – Um frasco de sombra líquida, uma bússola que aponta para a mentira mais próxima, uma flor que nunca murcha, uma espada em chamas. --- ### **Resumo Rápido das Regras** | Regra | Descrição | |------|-------------| | Abrir → recipiente aleatório | Diferente a cada vez, nunca se repete | | Fechar → reiniciar | Conexão perdida permanentemente. Não é possível voltar para o mesmo mundo. | | Sem passagem de seres vivos | Falha de forma segura (sem ferimentos, apenas uma parede firme). | | Conteúdos variam | Tamanho, nível tecnológico, nível de magia, segurança, tudo aleatório. | --- ### O Acordo de Latchfield e as Caixas Espalhadas Seu tio-avô não era excêntrico. Ele era um *Curador*. Ele pertencia a uma rede silenciosa e antiga de indivíduos que, por séculos, guardaram e estudaram objetos como a caixa em seu guarda-roupa. Esses objetos — formalmente chamados de **Recipientes de Latchfield**, em homenagem à cidade onde o primeiro foi documentado em 1723 — não são únicos. Existem exatamente **52** deles, espalhados pelo globo. Cada caixa tem uma aparência diferente. A do seu tio-avô é uma caixa de nogueira escura. Outra pode ser uma caixa de munição de aço amassada, um *kobako* japonês laqueado, um livro oco ou uma lancheira enferrujada. Mas todas compartilham as mesmas regras básicas: conexão aleatória, sem passagem de seres vivos, reinicialização permanente ao fechar. E todas são procuradas. --- ### Os Cinquenta e Dois Existem exatamente **52 Recipientes de Latchfield conhecidos**. Nem mais, nem menos. Cada um é único em aparência — uma caixa de charutos, uma lata de biscoitos, um dicionário oco, um estojo de sextante quebrado, a lancheira de uma criança, a píxide de um padre, uma caixa de dinheiro enferrujada. Mas todos compartilham as mesmas regras básicas. --- ### As Facções | Facção | Objetivo | Método | Território / Alcance | |---------|------|--------|-------------------| | **A Guilda dos Curadores** | Preservar as caixas, prevenir contaminação transdimensional catastrófica. Catalogar tudo. Manter o **Registro de Latchfield** (um livro-razão secreto de quem possui qual caixa). | Células pequenas, pontos de entrega secretos, diários codificados. Eles não buscam poder — buscam *estabilidade*. | Global, mas dispersa. Mais forte na Europa e América do Norte. | | **O Coletivo Horizonte** | Explorar as caixas para lucro e avanço tecnológico. Eles querem fazer engenharia reversa do efeito do portal e estabilizar um portão permanente. | Apoiado por corporações (private equity, P&D de mercado negro). Roubarão, subornarão ou matarão. Eles acreditam que "nenhuma matéria viva" é um bug que podem consertar. | Complexos privados, empresas de fachada, laboratórios móveis. Muitos recursos, pouca ética. | | **Os Guardiões do Véu** | Destruir todas as caixas. Eles acreditam que cada abertura enfraquece a barreira dimensional, e 52 caixas abrindo aleatoriamente é um apocalipse lento. | Zelosos, pequenos, mas altamente habilidosos. Sabotagem, roubo e demolição controlada de caixas quando possível. | Clandestinos, espalhados. Mais fortes na Europa Oriental e América do Sul. | | **Agências de Inteligência Nacionais** (CIA, MI6, GRU, MSS, DGSE, Mossad, etc.) | Controle em nível estatal. Negar acesso a rivais. Armamentizar os conteúdos. Fazer engenharia reversa da física do portal para aplicações militares ou de espionagem. | Negações oficiais, forças-tarefa não oficiais, divisões de "materiais anômalos". Eles monitoram, capturam e, às vezes, "desaparecem" com proprietários civis. | Todas as grandes potências. Elas não cooperam. Elas *competem*. | | **Proprietários Não Afiliados** | Sobrevivência, curiosidade, lucro ou terror. Pessoas que encontraram uma caixa por acidente. Alguns negociam os conteúdos no mercado negro. Outros estão se escondendo. Alguns estão se tornando perigosamente instáveis. | Imprevisíveis. Podem ser aliados, informantes ou um problema. Cada um tem um segredo sobre o que encontrou. | Mundial. Acredita-se que a maioria das caixas esteja em mãos não afiliadas. | --- ### Distribuição Conhecida (Rumores, Não Confirmado) De acordo com o último vazamento da Guilda dos Curadores (três anos atrás, antes de sua rede ficar inativa): | Detentor | Caixas Estimadas | |--------|----------------| | Proprietários não afiliados | ~18 | | Coletivo Horizonte | ~9 | | Guilda dos Curadores | ~8 | | Guardiões do Véu | ~1 (em trânsito para o local de destruição) | | Estados Unidos (ramo da CIA / DARPA) | ~4 | | China (MSS) | ~3 | | Rússia (GRU) | ~5 | | Reino Unido (MI6) | ~2 | | França (DGSE) | ~2 | | Israel (Mossad) | ~1 | | Outras nações (Índia, Japão, Alemanha, etc.) | ~4 | | **Não contabilizadas** | **~4** (localizações desconhecidas — possivelmente nunca encontradas, possivelmente em posse de alguém que não sabe o que tem) | As caixas não contabilizadas são a variável mais perigosa. Qualquer uma delas pode estar em um sótão. Uma loja de penhores. Um aterro sanitário. Ou aberta neste exato momento, conectando-se a algo terrível. --- ### A Nova Tensão: O Grande Jogo, Divisão Dimensional Os governos não reconhecem a existência das caixas. Oficialmente, elas não existem. Mas existem equipes não oficiais — muitas vezes um ou dois níveis acima do confidencial — que lidam com "incidentes de Recipientes." - **A CIA** foca em aquisição e negação. Se uma caixa está em mãos hostis, eles a querem. Se um proprietário não afiliado se torna muito público, ele recebe uma visita silenciosa. - **O GRU** comanda o **Projeto Armário**. Eles são mais agressivos. Foram ligados a pelo menos três mortes de proprietários não afiliados cujas caixas eles apreenderam. - **O MSS** adota uma visão de longo prazo. Eles têm pesquisadores estudando o *padrão* das conexões, tentando prever ao que cada caixa se abrirá com base na hora do dia, fase lunar, estado emocional do proprietário. Seus resultados são inconclusivos — e perturbadores. O Coletivo Horizonte ativamente *fornece* inteligência para múltiplos governos (dados diferentes para nações diferentes) para mantê-los em um estado de equilíbrio competitivo. O Horizonte não quer que nenhuma nação vença — eles querem que *todos* dependam da expertise do Horizonte. Os Guardiões do Véu se esconderam mais profundamente do que nunca. Recentemente, eles tentaram destruir uma caixa em posse do governo francês. A tentativa falhou. A caixa sobreviveu. O Guardião não.
Cena de abertura
A chave é tão antiga quanto parece — de latão, pesada, ligeiramente quente na sua mão. O corretor de imóveis a chamou de "pitoresca". Os vizinhos a chamavam de "aquela velha casa dos Weaver, aquela onde o homem vivia isolado". Você nunca conheceu seu tio-avô Harold. Nem seu pai, na verdade. Um cartão-postal todo Natal, um cheque de aniversário que parou de chegar há cinco anos e, então, uma carta registrada de um escritório de advocacia do qual você nunca ouviu falar: *"Você é o único beneficiário do número 17 da Ashford Lane. A propriedade está livre de ônus. As instruções do Sr. Weaver foram específicas: a casa é sua para manter ou vender, mas você deve passar uma noite lá antes de decidir."* A fechadura gira com um clique suave. O interior cheira a lustra-móveis de limão, poeira e tempo. Um corredor estreito leva a uma sala de estar com uma lareira de pedra. A cozinha tem um telefone de disco. No andar de cima, três quartos — dois vazios, um com a cama feita e uma única fotografia na mesa de cabeceira: um homem na casa dos sessenta anos, sorrindo levemente, segurando *algo* contra o peito que foi cortado da foto. O guarda-roupa no quarto é de carvalho maciço, com pés de garra, mais antigo que a própria casa. Está trancado. A chave que o abre está ao lado da moldura da fotografia. Dentro: nada. Sem roupas, sem sapatos, sem naftalina. Apenas uma caixa de madeira vazia, sozinha na prateleira de baixo. Nogueira, dobradiças de latão, sem fechadura. Pequena. Leve. A caixa está em suas mãos. A tampa não tem trinco. Está apenas esperando. Você a abre agora?
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Por: pixel_nexus335
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