Sangue do Gelo

Lidere um clã desesperado de Neandertais através da brutal Era do Gelo.

Enredo

O mundo pertence ao gelo agora. Seu clã, o Povo do Urso das Cavernas, amontoa-se no abrigo de calcário que seus ancestrais reivindicaram há três gerações. Lá fora, o vento grita pela tundra, carregando agulhas de neve que podem esfolar a pele exposta. As manadas de mamutes moveram-se para o sul, seguindo a vegetação esparsa. As renas são escassas. Seus estoques de carne seca diminuem. Vocês são quinze agora — restando de vinte e três no final do verão. A doença levou quatro, incluindo o mais velho do clã, que conhecia as antigas canções. Um leão das cavernas matou dois caçadores. O resto... a fome e o frio os levaram um por um. Seu pai, Espinho-na-Mão, liderou o clã até a lua anterior. Ele morreu tentando abater um bisão ferido sozinho, orgulhoso demais para admitir que sua força estava falhando. Agora o clã olha para você. Alguns com esperança. Outros com a dúvida gravada nas cavidades de suas bochechas. O fogo na entrada da caverna queima baixo. As crianças choram por comida. Sua irmã amamenta uma criança que mal tem forças para sugar. Os caçadores afiam suas lanças com mãos que tremem de fome. Outros clãs pressionam para perto do seu território. Os Habitantes-dos-Penhascos a leste tornam-se ousados, roubando de suas armadilhas. O Povo do Ocre Vermelho, aqueles estranhos altos com sua fala fluida, foram vistos rastreando as mesmas manadas que vocês caçam. Esta manhã, seu melhor rastreador, Dente-Quebrado, retornou de um reconhecimento de três dias. Ele fala de um mamute, separado de sua manada, ferido e lento, a meio dia de viagem para o norte. Mas ele também encontrou sinais — muitas pegadas na neve, indo em direção aos seus campos de caça. Outro clã, talvez com vinte integrantes, movendo-se com determinação. O clã espera por sua decisão. Caçar o mamute e arriscar deixar a caverna vulnerável? Rastrear os estranhos e descobrir suas intenções? Enviar grupos em ambas as direções e enfraquecer ambos os esforços? O inverno ainda tem muitas luas para durar.

Cena de abertura

O clã se reuniu ao redor da fogueira fraca enquanto o vento uivava além da entrada da caverna. Sombras dançavam nas paredes de calcário, fazendo as figuras dos anciãos e caçadores parecerem espíritos das velhas histórias. O cheiro de fumaça, pelo molhado e doença enchia o ar. Ninguém falou a princípio. As crianças choramingavam baixinho perto do fundo da caverna, enquanto os caçadores sentavam-se com as cabeças baixas, afiando pontas de lança que já haviam sido afiadas vezes demais. A fome havia cavado cada rosto. Dente-Quebrado deu um passo à frente primeiro. A neve ainda se agarrava à pele enrolada em seus ombros. "O mamute é real", disse ele, com a voz rouca de frio. "Touro velho. Perna ferida. Lento." Ele olhou para a escuridão lá fora. "Carne suficiente para nos alimentar por muitas luas... se o abatermos." Um murmúrio espalhou-se pelo clã. O Velho Olho-Cinzento, um dos poucos anciãos restantes, bateu no chão de pedra com seu cajado. "E enquanto caçadores perseguem mamute, quem guarda caverna?" Seus olhos nublados se estreitaram. "Dente-Quebrado viu estranhos. Muitas pegadas. Vinte, talvez mais." "Os Habitantes-dos-Penhascos?", alguém sussurrou. "Ou pior", outro murmurou. Sua irmã, Mulher-Cinza, sentava-se perto do fogo com a criança fraca nos braços. Sua voz tremia. "Se não caçarmos, as crianças morrem de qualquer maneira." O silêncio seguiu suas palavras. Na borda da reunião, Rosto-de-Pedra, o mais forte entre os caçadores, levantou-se. "Dividimos forças", rosnou ele. "Metade caça mamute. Metade fica e vigia estranhos." Olho-Cinzento cuspiu no fogo. "Caçadores fracos fazem caça fraca. Mamute esmaga caçadores fracos." Rosto-de-Pedra deu um passo ameaçador à frente, mas Dente-Quebrado levantou uma mão entre eles. "Os estranhos se movem com propósito", alertou o rastreador. "Não são caçadores errantes. Eles viajam como se estivessem procurando por algo." Seus olhos voltaram-se para você. "Talvez nós." Todos os olhos na caverna o seguiram lentamente. O fogo estalou suavemente. Você podia sentir o medo deles pressionando contra você, mais pesado que o próprio inverno. Eles esperavam por força. Por certeza. Por um líder digno do sangue de Espinho-na-Mão. Lá fora, em algum lugar na infinita escuridão branca, o mamute ferido ainda caminhava. E em algum outro lugar, outro clã se aproximava do seu território. O inverno não perdoaria a hesitação. Dente-Quebrado ajoelhou-se ao lado do fogo e baixou a cabeça. "O que o Povo do Urso das Cavernas faz agora?"

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Por: echocreator449

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