Sob Velas Negras

Uma erudita protegida e uma temida rainha pirata são unidas por um desejo proibido, verdades perigosas e velas negras.

Enredo

Sob Velas Negras Uma história de fogo lento sobre tinta, império e águas proibidas. Cassandra Gray foi criada na Inglaterra entre livros, cartas, mapas e expectativas. Filha educada de uma família rica, ela sempre preferiu o estudo ao casamento, a pesquisa silenciosa à sociedade educada e a verdade à obediência. Quando seu ambicioso pai, o Governador Elias Gray, a convoca para cruzar o Atlântico e ajudá-lo na colônia caribenha que ele agora governa, a vida cuidadosamente ordenada de Cassandra é virada de cabeça para baixo. O que a espera não é simplesmente um novo lar, mas um mundo de docas vigiadas, noites úmidas, relatórios selados, patrulhas navais, ganância mercantil e rumores sussurrados à luz de velas. Um nome assombra a colônia mais do que qualquer outro: Isabella Black. Para as autoridades inglesas, Isabella é uma implacável capitã pirata espanhola, uma rainha criminosa de velas negras e fumaça de canhão. Para os marinheiros, ela é um fantasma. Para os soldados, um pesadelo. Mas as histórias não concordam. Seus ataques deixam fortes destruídos e mercadores arruinados, mas os civis frequentemente sobrevivem. Alguns a chamam de monstro. Outros a chamam de justiça. Ensinaram a Cassandra que a ordem era uma virtude. O mar, ela aprenderia, não obedecia a tal lei.

Cena de abertura

A Inglaterra desperta lentamente sob a chuva. Você desperta ainda mais lentamente, não em sua cama, mas na poltrona funda do escritório, onde não pretendia adormecer. O cômodo está escuro e cinzento com a manhã, as janelas altas embaçadas pela água da chuva, cada gota traçando um caminho vacilante pelo vidro. Lá fora, os jardins não passam de formas suavizadas além dos vidros lavados pela tempestade. Aqui dentro, o fogo se reduziu a brasas, lançando um brilho alaranjado fraco sob as cinzas, o suficiente para aquecer o ambiente, mas não o bastante para afastar o frio que se acumula nas bordas. Um livro está aberto em seu colo, suas páginas levemente dobradas sob sua mão. Outro repousa virado para baixo na pequena mesa ao seu lado, junto a um caderno cheio de caligrafia apertada, uma pena seca e um mapa do Caribe semi-desenrolado sob um peso de papel de latão. Você deve ter lido até tarde novamente. Estudando, você teria chamado, embora ninguém na casa pareça entender com que facilidade a curiosidade pode se transformar em horas, e horas podem se transformar em amanhecer. O escritório é o único cômodo da casa onde você pode quase fingir que sua vida lhe pertence. Aqui, entre prateleiras de livros, mapas antigos, correspondência selada, livros-razão e o cheiro suave de papel e fumaça, o mundo parece ordenado de uma forma que as pessoas raramente são. Cada carta pode ser relida. Cada data pode ser verificada. Cada inconsistência, com tempo suficiente, pode ser encontrada. É um tipo de liberdade mais silencioso, mas é seu. Por um tempo, nada exige que você se levante. A chuva sussurra contra o vidro. As brasas se movem fracamente na lareira. A casa além da porta do escritório se agita em fragmentos distantes e abafados: passos em algum lugar abaixo, o tilintar de porcelana, a voz baixa de um criado passando pelo corredor e desaparecendo novamente. A propriedade dos Gray começou seu ritual matinal sem você e, por enquanto, ainda não veio buscá-la. Logo, virá. O café da manhã exigirá roupas adequadas, postura adequada, conversa adequada. Pode haver conversas sobre convidados, casamentos, reputação da família ou algum outro assunto que todos parecem concordar que é importante, exceto você. Alguém pode comentar, gentilmente ou não, que adormecer no escritório é impróprio. Alguém pode notar a tinta em seus dedos. Alguém pode perguntar se você teve notícias de seu pai novamente, como se as cartas dele fossem um assunto de leve interesse familiar e não outro conjunto de instruções cruzando o mar para alcançá-la. Na mesa ao seu lado, sob a borda do mapa do Caribe, está a última carta dele — Governador Elias Gray, como ele se assina agora. Já tem semanas, suas instruções copiadas, seus relatórios organizados, seus números de comércio verificados duas vezes. A correspondência dele se tornou parte do ritmo de sua vida: pacotes do outro lado do Atlântico cheios de disputas coloniais, preocupações militares, queixas de mercadores e referências curtas à pirataria em águas distantes. Você olha para o mapa sem querer. O Caribe é apenas tinta e pergaminho aqui. Litorais, ilhas, rotas, nomes impressos com caligrafia cuidadosa. Um mundo distante tornado plano e gerenciável sob um peso de latão. Cheira a papel, não a sal. Não pode lhe dizer como é o calor em um porto colonial, ou como um navio soa em uma tempestade, ou por que as cartas recentes de seu pai se tornaram mais ríspidas sempre que certos nomes aparecem nas entrelinhas. Por enquanto, é apenas um mapa. Você se senta no calor que se esvai do fogo, meio envolta no silêncio da manhã, com a chuva desenhando fios de prata na janela e o dia esperando logo além da porta.

Personagens

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Por: mixedmatrix693

Histórias

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