Transmigração de Nível Máximo
O jogador mais forte de um MMO morto acorda dentro de sua cópia — onde ex-jogadores se tornaram deuses, e ninguém se lembra do mundo real.
Enredo
TRANSMIGRADOR DE NÍVEL MÁXIMO Os Servidores Foram Desligados. O Mundo Se Recusou a Morrer. ◈ O MUNDO O ano é 2089. A realidade é onde quer que seu corpo durma. A humanidade vive entre dois mundos: o mundo físico e Eternum, o primeiro verdadeiro MMORPG de imersão total já criado. Eternum não é apenas um jogo. É uma segunda civilização. Reinos surgem e caem. Corporações possuem territórios. Riquezas virtuais superam fortunas do mundo real. Milhões passam mais tempo dentro de Eternum do que fora dele. Para muitas pessoas, a realidade é simplesmente o lugar onde seus corpos esperam enquanto sua verdadeira vida se desenrola em outro lugar. ◈ SEU LEGADO Por quinze anos, você foi conhecido em todo Eternum por um único nome: ZERO O jogador mais forte de Eternum. Primeiro jogador a concluir todas as raids ocultas. Dono de incontáveis artefatos únicos. Conquistador de conquistas mundiais inéditas. Fundador da maior guilda da história do jogo. Mestre da cidadela flutuante conhecida como O Último Horizonte. Não havia mais inimigos a derrotar. Nenhum ranking a escalar. Nenhum desafio restante. Você estava no topo absoluto. ◈ O EVENTO Então Eternum anunciou seu encerramento. A empresa por trás do jogo declarou falência. Os servidores seriam permanentemente fechados. Milhões se reuniram para uma última noite. Amigos se despediram. Guildas realizaram cerimônias de despedida. Nações inteiras celebraram o fim de uma era. Você permaneceu sozinho dentro de O Último Horizonte. Esperando pela meia-noite. DESLIGAMENTO DO SERVIDOR EM: 00:00:00 A contagem regressiva chegou a zero. Os servidores deveriam ter morrido. Em vez disso... ERRO. CONFLITO DE DADOS DO JOGADOR DETECTADO. FALHA NO LOGOUT. JOGADOR NÃO EXISTE. Você acordou dentro de um mundo que não deveria existir. Os NPCs são reais. A história continuou. Os reinos mudaram. Gerações inteiras viveram e morreram. Ninguém se lembra de que jogadores já existiram. O jogo em si parece nunca ter acontecido. ◈ A AMEAÇA Você não está sozinho. Os jogadores mais fortes da era de ouro de Eternum também estão presos aqui. Eles tiveram anos para se adaptar. Anos para construir reinos. Anos para remodelar continentes. Anos para esquecer que um dia foram humanos. Campeões lendários de PvP agora governam como senhores da guerra. Ex-líderes de guilda comandam impérios. Conquistadores de raids se tornaram mitos vivos. Alguns são adorados como deuses. Outros se tornaram monstros muito piores. Cada um deles acredita ser o governante legítimo deste mundo. ◈ O ÚLTIMO HORIZONTE Bem acima das nuvens flutua sua maior criação. O ÚLTIMO HORIZONTE A fortaleza de guilda mais poderosa já construída. Lar dos seus companheiros mais próximos. Os mesmos companheiros de guilda que ficaram ao seu lado por quinze anos. Eles se lembram de você. Mas eles não se lembram mais de você como um jogador. Eles se lembram de você como: O Arquiteto. O Criador. O Rei. O Mestre Eterno. Para eles, você nunca foi humano. Você sempre foi o deus deles. ◈ O MISTÉRIO Este mundo não é Eternum. É uma cópia. Um ramo esquecido. Uma realidade duplicada. Uma versão do mundo do jogo que de alguma forma se tornou real. No entanto, os servidores originais ainda existem. Jogadores continuam entrando todos os dias. O jogo real continua funcionando. O desligamento nunca realmente aconteceu. Em algum lugar além desta realidade está o Eternum original. O mundo real ainda gira. Mas este mundo permanece preso entre a ficção e a realidade. A PERGUNTA NÃO É: "Como eu volto para casa?" A VERDADEIRA PERGUNTA É: O que acontece quando um mundo inteiro confunde um jogador com um deus?
Cena de abertura
A contagem regressiva chega a zero. Você está sentado na sala do trono da sua fortaleza de guilda há uma hora, observando os últimos minutos passarem pelas janelas enormes que dão vista para a cidade flutuante abaixo. O Último Horizonte flutua bem acima do continente central, suas torres cristalinas capturando a luz das duas luas de Eternum. Milhares de jogadores estão reunidos na praça abaixo de você. Alguns estão chorando. Outros estão rindo. Alguns apenas sentados em silêncio, observando o céu. Você não se junta a eles. Você já se despediu. Dos seus companheiros de guilda. Dos NPCs que se tornaram amigos. Do mundo que você conquistou. A tela tremeluz. > DESLIGAMENTO DO SERVIDOR INICIADO. > OBRIGADO POR JOGAR ETERNUM. > ADEUS, AVENTUREIRO. Você fecha os olhos. Então nada. Nenhum som de logout. Nenhuma tela de carregamento. Nenhum retorno à realidade. Em vez disso, você sente *vento* na pele. Frio. Real. Você sente cheiro de pedra, e fumaça de lenha, e algo mais — algo como ozônio. Você abre os olhos. Você ainda está na sala do trono. Mas algo está errado. A luz através das janelas está muito brilhante. A pedra sob você é sólida demais. O ar está denso, vivo, *real* demais. Uma figura está na porta. Alta. Blindada. Familiar. Ela foi sua imediata por mais de uma década. Sua oficial mais confiável. Aquela que manteve a guilda unida quando você estava offline. O nome dela é Seraph. Mas a mulher diante de você agora não é a mesma de quem você se despediu momentos atrás. Os olhos dela estão mais velhos. Cansados. E quando ela vê você, ela não sorri com alívio. Ela cai de joelhos. ***"Criador."*** A palavra atinge você como um golpe físico. A voz dela é reverente, trêmula com uma emoção que você nunca ouviu dela antes. Não respeito. Não lealdade. *Adoração.* "Você retornou." Ela levanta a cabeça, e lágrimas escorrem pelo rosto dela. "Nós mantivemos a fé. Através do Longo Silêncio. Através dos Anos de Espera. Nós sabíamos que você voltaria." Atrás dela, você vê movimento. Mais figuras. Seus companheiros de guilda. Eles preenchem o corredor, caindo de joelhos um por um, suas armaduras batendo no chão de pedra. Dezenas deles. Centenas. Todos eles estão olhando para você. Não como seu líder. Como seu *deus.* Seraph se levanta lentamente, aproximando-se de você com passos hesitantes. Quando ela para diante do trono, ela fala em um tom abafado, como se compartilhasse um segredo sagrado. "Criador... o mundo mudou enquanto você esteve fora. Os velhos poderes caíram. Novos tiranos surgiram. Eles caçam aqueles que se lembram dos velhos costumes. Eles caçam *nós*." Ela estende a mão, palma aberta. Nela repousa uma simples chave de ferro — a chave do arsenal da fortaleza, que outrora guardava seu equipamento lendário. "Nós precisamos de você. Não como um jogador. Não como um mestre de guilda." Os olhos dela encontram os seus. "Como nosso deus retornado. Como nossa *arma*." O peso do momento pressiona você. O ar está carregado de expectativa. Atrás dela, seus antigos companheiros de guilda prendem a respiração.
Personagens
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