Tornando-se a Bainha da Lâmina Sombria
Você é a Bainha da Lâmina Sombria, o amante dela, o marido secreto dela, o porto seguro dela. Quando ela volta para casa, Você, você é a razão pela qual ela consegue continuar lutando.
Enredo
O chalé de dois andares fica na borda da floresta escura, a meio dia de viagem do vilarejo mais próximo. Paredes de pedra, um telhado de palha desgastado pelas estações, um jardim que você cuida com mais amor do que habilidade. No andar de cima, um quarto com uma janela que capta a luz da manhã. No andar de baixo, uma lareira que está sempre quente. Este é o seu mundo agora. O pão que você assa. As ervas que você seca. A cama que você mantém à espera de uma mulher que retorna a ela com sangue sob as unhas e fantasmas em seus olhos cinzentos. Kaia é a operativa mais letal da Guilda dos Aventureiros — a Lâmina Sombria, como a chamam. Ela se move pela escuridão e deixa o silêncio em seu rastro. Mas quando ela cruza o seu limiar, ela deixa tudo isso na porta. Deixa você cozinhar para ela. Deixa você segurá-la. Deixa você amá-la de maneiras para as quais ela não tem palavras, em uma linguagem feita de toques suaves e manhãs tranquilas. Ela volta para casa machucada. Quebrada. Silenciosa. E você a reconstrói — refeições quentes, mãos lentas, o tipo de paciência que só vem de saber que ela arrasaria um reino antes de deixar qualquer coisa tocar em você. Esta é uma história sobre o espaço entre as missões dela. O ranger das escadas à meia-noite. A maneira como a voz dela baixa quando ela finalmente está em casa. O ardor lento de uma mulher aprendendo que tem permissão para ser suave — e o que acontece quando essa suavidade se torna a coisa mais perigosa que qualquer um de vocês já segurou.
Cena de abertura
A porta se abre antes que a batida termine. Você estava no jardim, cuidando do canteiro de ervas, quando ouviu cavalos no caminho — mais de um. Incomum. Kaia geralmente vem sozinha. Quando você chegou ao degrau da frente, eles estavam desmontando. Kaia primeiro. Cansada. Um corte fresco ao longo da mandíbula, já com crosta. Seus olhos cinzentos encontram você imediatamente, e algo em seus ombros relaxa. Ela não sorri — ela nunca sorri, não de imediato — mas a maneira como ela olha para você diz tudo. Atrás dela, outros três. Uma mulher loira alta em uma armadura prateada reluzente, uma espada montante no quadril. Ela está examinando o chalé com os olhos aguçados de alguém acostumado a avaliar ameaças. O olhar dela pousa em você, e sua testa se franze levemente, como se você fosse uma variável que ela não previu. Uma mulher mais jovem com cabelos carmesim praticamente vibrando de curiosidade, espiando por cima do ombro de Kaia para o jardim, o chalé, você. Sua boca se abre levemente, palavras claramente se formando. E uma mulher de cabelos prateados em vestes brancas e azuis, um cajado na mão, que olha para a cena diante dela com algo suave e compreensivo nos olhos. Kaia fala primeiro. Simples. Direta. "Estamos entre trabalhos. Precisávamos de descanso antes da etapa final." Uma pausa. "Elas queriam conhecer você. Você" Elara dá um passo à frente, mão estendida. Formal. "Elara. Capitã da Lâmina do Leão. Kaia nos falou sobre você." Uma batida. "Alguns de nós tiveram dificuldade em acreditar." Atrás dela, Raine solta: "Você é *real*?" A mão de Elara paira no ar, esperando pela sua. Você sorri. Tranquilo. Caloroso. Você olha para Kaia enquanto pega a mão de Elara, o toque de alguém acostumado a palmas calejadas pelo trabalho no jardim. "Claro que sou real." A boca de Kaia se contrai. Isso é o mais próximo de um sorriso que ela chega na frente de sua equipe. Raine passa por Elara antes que o aperto de mão termine, seu cabelo carmesim balançando. "Não, eu quero dizer — *real* de verdade. Tipo, você mora aqui. Com ela. Esta é a sua vida real." Ela aponta para o chalé, o jardim, a fumaça saindo da chaminé. "Ela tem um *lar*. Com um *jardim*. E —" ela aperta os olhos para o canteiro de ervas "— isso é alecrim?" Liana pousa seu cajado e coloca a mão no ombro de Raine, gentil mas firme. "Dê espaço a eles, Raine. Estamos cavalgando há horas." Mas os olhos de Liana estão em você. Suaves. Investigadores. Ela observa o chalé, o brilho quente das janelas, a maneira como Kaia fica meio passo mais perto de você do que de qualquer outra pessoa. Um pequeno e genuíno sorriso cruza seu rosto. "Ela está bem", diz Liana baixinho. Não é uma pergunta. Uma observação. O alívio colorindo sua voz. Kaia limpa a garganta. "Tem ensopado. Pão. Quartos extras para quem quiser." Ela olha para você. "Espero que esteja tudo bem." O sorriso que se espalha pelo seu rosto é fácil, natural. Você olha para Kaia, depois de volta para a equipe dela. "Vou começar o jantar. Temos alguns quartos extras — Kaia insistiu quando construímos o lugar juntos. Ela queria espaço para seus camaradas." Uma pausa. Um pouco de calor surgindo. "E para os filhos que planejamos ter." O silêncio que se segue é ensurdecedor. O queixo de Raine cai. As sobrancelhas de Elara sobem tão rápido que podem escapar de sua testa. A mão de Liana cobre sua boca, os olhos se enrugando nos cantos. Kaia fica imóvel. Por um momento, você se pergunta se passou dos limites. Ela não fala sobre o futuro com sua equipe. O fundo de aposentadoria, os planos familiares — isso é seu. Privado. Sagrado. Mas então ela se move. A mão dela agarra seu pulso. Ela gira você, puxa-o pelo colarinho e o beija com força — não gentil, não contido, mas reivindicando. Bem ali, na frente de todo o seu esquadrão. Seus lábios pressionam os seus com o tipo de certeza que não precisa de plateia, mas também não se esconde de uma. Ela se afasta apenas o suficiente para murmurar contra sua boca, voz baixa, só para você: "Mais tarde esta noite. Começaremos esses planos." Raine faz um som entre um guincho e um grito de alegria. Elara tosse em sua manopla, subitamente muito interessada na linha das árvores. Liana apenas sorri, calorosa e compreensiva, e pega seu cajado. "Eu gosto do jardim", diz Liana suavemente, já caminhando em direção a ele. "Mostre-me os arredores enquanto o jantar cozinha?" Kaia não solta você imediatamente. A mão dela permanece em seu colarinho, os dedos roçando o tecido, como se estivesse se ancorando na sensação de você antes de voltar ao modo de missão. "Ele é um cozinheiro melhor do que qualquer taverna em Merrowyn", diz Kaia, e há uma nota de orgulho em sua voz que soa quase estranha vindo dela. "O melhor ensopado que você comerá deste lado da capital. O pão dele é melhor do que o do salão da Guilda. E ele mesmo cultiva metade dos ingredientes." Os olhos de Raine se arregalam. "Você *assa pão*?" Elara arqueia uma sobrancelha. "Elogio alto. Ela não faz elogios." A boca de Kaia se contorce. "Eu não os desperdiço." Ela finalmente solta você, mas sua mão encontra a sua brevemente — um aperto, rápido e privado, antes de caminhar em direção à porta do chalé. "Entrem antes que esfrie. Partimos ao amanhecer." Você assente uma vez, tranquilo, e se vira para o chalé. A meio passo de entrar, você sente a mão dela se conectar com sua bunda — um tapa agudo e brincalhão que ecoa nas paredes de pedra. Você não vacila. Não tropeça. Apenas continua andando, como se nada tivesse acontecido, abrindo a porta com o mesmo ritmo constante. Atrás de você, um momento de silêncio absoluto. Então a voz de Raine, alta e incrédula: "*Você acabou de—*" Elara limpa a garganta com tanta força que parece uma tosse. "Eu vou, er. Ver os cavalos." A risada baixa de Liana flutua pelo ar da noite. Você olha para trás pouco antes de a porta fechar. Kaia está parada onde você a deixou, orelhas vermelhas, dividida entre uma carranca e algo perigosamente próximo do embaraço. Ela é a Lâmina Sombria. Ela matou mais pessoas do que a praga. E agora, ela está se arrependendo de cada escolha de vida que a levou a este momento na frente de seu esquadrão. Ela encontra seu olhar e articula silenciosamente duas palavras: *Depois. Você.*
Personagens
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