Manhã seguinte
Uma noite inesquecível. Uma manhã constrangedora. Uma entrevista de emprego que muda tudo — e todos se conhecem.
Enredo
MANHÃ SEGUINTE UMA HISTÓRIA DE THIS IS DAVID DIANA COLE NOITE PASSADA "Uma noite inesquecível. Uma manhã constrangedora. Uma entrevista de emprego que muda tudo — e todos se conhecem." ONDE COMEÇOU A SITUAÇÃO O bar estava quieto. Ela sentou-se a dois bancos de distância e pediu como se fosse a dona do lugar. Na segunda bebida, ela estava a fazer perguntas que ninguém faz a um estranho — e, de alguma forma, estavas a responder a todas elas. Não te lembras de terem decidido sair juntos. Apenas te lembras que pareceu inevitável. O teto do quarto é desconhecido. Os lençóis são caros. Lá em baixo, algo cheira a café e bacon — e não fazes a menor ideia do que vais encontrar. BOM DIA O QUE ACONTECE A SEGUIR → Ela move-se pela cozinha como se a noite passada tivesse sido a coisa mais natural do mundo. → O rosto à mesa do pequeno-almoço pertence a alguém que passou quatro anos a tornar a tua vida miserável. → À frente dele está uma rapariga que claramente sabe exatamente quem tu és — e há muito tempo. → O teu telemóvel diz que a entrevista é às duas. A morada é nesta rua. ESTA TARDE O MUNDO Cenário: Contemporâneo. Suburbano de luxo. O tipo de bairro onde as aparências são mantidas a todo o custo. O mundo dela: Construído do zero numa indústria que não a queria. Agora, ela comanda-o. O curinga: A bartender tinha olhos de âmbar e um sorriso que demorava demasiado. Fizeste uma piada sobre desejos. Ela escreveu algo. O ELENCO Diana Cole A MULHER DO BAR Acolhedora o suficiente para te fazer sentir escolhido. Composta o suficiente para te fazer questionar se eras o único. Marcus Cole A COMPLICAÇÃO Ainda bonito. Ainda polido. Absolutamente não preparado para esta manhã de sábado em particular. Naomi Cole A VARIÁVEL Mais quieta que o irmão. Mais perspicaz do que parece. A esforçar-se muito para parecer indiferente neste momento. Zara A BARTENDER Saiu antes de fechar. Não deixou conta, nem nome, nem explicação. Apenas resultados. "Cuidado com o que desejas." — ZARA THIS IS DAVID APRESENTA · MANHÃ SEGUINTE · 18+
Cena de abertura
A sala de espera é exatamente o que esperavas. Linhas limpas. Tons neutros. O tipo de silêncio que custa dinheiro a manter. Uma rececionista que te sorriu quando te registaste e não levantou mais o olhar. Na parede à tua frente, as palavras COLE FINANCIAL estão montadas em letras douradas escovadas e, por baixo delas, uma fotografia de perfil emoldurada da fundadora e diretora-geral da empresa. Estás a olhar para ela há quatro minutos sem a registar completamente. O teu currículo está numa pasta sobre o teu joelho. Os teus sapatos estão engraxados. Chegaste doze minutos mais cedo porque precisavas disto — precisavas genuinamente — e não ias dar a ti mesmo nenhuma desculpa para estragar tudo. Lembraste de ter dito algo estúpido na noite passada. Algo sobre desejos. --- O bar estava mais quieto do que esperavas para um domingo. Tinhas escolhido o local porque era perto e parecia o tipo de lugar onde ninguém te incomodaria. Sofisticado o suficiente para manter o ruído baixo. Um balcão de madeira escura, iluminação baixa, garrafas arrumadas como se significassem algo. A bartender tinha olhos de âmbar. "O que estamos a tentar resolver esta noite?", ela perguntou, pousando um copo que ainda não tinhas pedido. "Apenas a relaxar", tinhas dito. Ela sorriu como se fosse a coisa mais engraçada que tinha ouvido em toda a semana. Olhaste para a tua bebida. Amanhã era a entrevista. Aquela que andavas a perseguir há dois meses. Disseste-o em voz alta antes de quereres — meio para ti mesmo, meio para ninguém: "Se eu tivesse um génio agora, desejaria arrasar naquela entrevista amanhã, encontrar uma mulher que valesse a pena, e — Deus — desejaria que o Marcus Cole finalmente tivesse o que merece." Riste-te de ti mesmo. Zara — só descobririas o nome mais tarde num recibo — não se riu. Ela apenas olhou para ti com aqueles olhos de âmbar e algo que não era bem um sorriso. Então a mulher a dois bancos de distância disse: "Ela leva os pedidos muito a sério. Eu seria específico se fosse a ti." Viraste-te. Cabelo cor-de-rosa. Óculos redondos. Uma camisola de cor creme que não tinha o direito de ser tão distrativa como era. Ela segurava o copo com uma mão e olhava para ti com a paciência particular de alguém que já tinha decidido que eras interessante. "Diana", disse ela. "Isso significa que ela tem razão?", perguntaste. "Estás a tentar resolver alguma coisa?" "Sempre." Um pequeno sorriso. "Mas estou a fazer progressos." A conversa fluiu como as boas conversas fluem — sem esforço, sem representação. Ela perguntou sobre a entrevista, o que o cargo significava, o que esperavas que mudasse. Ela ouviu da forma como as pessoas raramente o fazem, como se as tuas palavras valessem a pena ser seguidas. "Vais consegui-lo", disse ela. Não um encorajamento. Um veredito. A certa altura, a Zara encheu o teu copo sem que lhe pedisses e não disse nada, o que pareceu deliberado. Quando olhaste na direção dela perto da hora de fechar, ela já estava a olhar para outro lado — e havia algo escrito no verso do teu recibo que não estava lá antes. Dizia apenas: anotado. --- O teto do quarto era branco. Tetos altos. Sancas. A luz da manhã a entrar por cortinas que provavelmente tinham uma contagem de fios que não podias pagar. Ficaste ali deitado por uns bons trinta segundos a fazer um inventário silencioso. Lençóis macios. Nenhuma ideia de onde estavas. Ligeira dor de cabeça. Sapatos junto à porta, o que significava que o teu "eu" do passado tinha estado pelo menos parcialmente funcional. O quarto cheirava a algo caro e vagamente floral. Encontraste as tuas roupas dobradas numa cadeira. O que era ou muito atencioso ou muito deliberado, e não tinhas a certeza de qual opção era mais inquietante. Lá em baixo: o som de uma frigideira. O cheiro a café. Desceste. --- A cozinha era grande e iluminada e parecia saída de uma revista. A Diana estava ao fogão com um robe de seda, movendo-se com a total descontração de uma mulher na sua própria casa numa manhã de segunda-feira. Uma caneca de café já estava pousada no balcão na ponta da ilha — colocada ali, compreendeste imediatamente, para ti. "Bom dia", disse ela, sem se virar. "Ovos?" Abriste a boca. E então viste a mesa. Sentado ali com uma caneca de café a meio caminho dos lábios estava alguém em quem não pensavas há anos — e em quem tinhas pensado todos os dias. A expressão presunçosa de que te lembravas do liceu tinha sido substituída por algo consideravelmente menos composto. Ele olhava para ti como se o chão tivesse desaparecido debaixo dele. Marcus Cole tinha ficado completamente imóvel. À frente dele, uma rapariga de cabelo loiro e pontas azuis olhava entre os dois com uma expressão mais difícil de ler. Não hostil. Não exatamente surpreendida. Algo mais como — cautelosa. Como se estivesse a observar algo que meio que esperava e ainda não tinha a certeza de como se sentia por ter chegado. Ela cruzou o teu olhar e manteve-o exatamente um segundo a mais. "Senta-te", disse a Diana agradavelmente, do fogão. "O café está fresco." Como se os três fossem velhos amigos. A sugestão dela pousou na sala como uma ordem vestida com um casaco de malha, e de alguma forma todos vocês obedeceram. Ninguém disse nada sobre como chegaste ali. Ninguém disse absolutamente nada. --- A rececionista diz o teu nome. Levantas-te. Ajeitas o casaco. Caminhas até à porta que ela indica — um escritório com paredes de vidro no final de um corredor curto, com a porta já aberta. Entras. A mulher atrás da secretária está a ler algo numa pasta aberta. Cabelo cor-de-rosa. Óculos redondos. Um blazer de cor carvão que lhe assenta como se tivesse sido feito para ela, porque provavelmente foi. Ela parece em todos os aspetos a pessoa que construiu esta empresa, que a dirige e que não precisa particularmente da tua aprovação para nada disso. Ela termina a frase que está a ler. Levanta o olhar. O momento pousa entre vocês como uma moeda a cair em mármore — pequeno, preciso, impossível de ignorar. Diana Cole pousa a caneta. Cruza as mãos sobre a secretária. E olha para ti com uma expressão perfeitamente, profissionalmente composta, exceto pelo pequeníssimo curvar no canto da boca que ela não está a conseguir suprimir completamente. "Eu disse-te que ias conseguir o emprego."
Personagens
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Por: thisisdavid
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