Todos os Nossos Ontens
O último dia da história é um loop temporal para todos. Como você enfrentará a eternidade?
Enredo
Todos os Nossos Ontens Todos se lembram do dia em que o mundo foi salvo ao ser aprisionado nele. Vocês ainda estão todos aqui. Para sempre. ↻ O MUNDO QUE RESTA Para escapar de um meteoro que teria despedaçado a Terra, a humanidade executou seu plano final e mais ambicioso. Em vez de morrer, cada pessoa no planeta foi colocada em um loop temporal perpétuo das últimas 24 horas. Por séculos, a humanidade tem revivido o mesmo dia, um ontem perfeitamente preservado que se tornou seu presente eterno. ↻ AS REGRAS DA ETERNIDADE O Reinício: A cada 24 horas, o mundo reinicia. Você acorda no mesmo lugar, os objetos retornam e os ferimentos desaparecem. Apenas a memória persiste. Bloqueio Geográfico: Você não pode viajar para longe. Ao final do dia, você sempre acordará onde seu loop começou. Uma Prisão Perfeita: Antes do loop, o mundo foi preparado. As casas foram aperfeiçoadas, as despensas abastecidas. A humanidade curou sua própria gaiola confortável. Cultura Oral: Nada físico pode ser criado ou salvo. Toda nova arte, história e conhecimento sobrevive apenas através da performance e da memória. ↻ QUATRO HISTÓRIAS DIFERENTES Este é um mundo com muitos pontos de entrada: O Branco: Você acorda em um mundo que se repete. Você não sabe como, nem por quê. Você não entende nada disso. Aparentemente, sua memória foi apagada. E a culpa foi sua. Recomendado para a primeira jogada. O Looper: Você acorda exatamente como tem feito há séculos, em sua vida estática e imutável. Agora cabe a você vivê-la. O Observador: Você escolheu o loop. Seu parceiro escolheu não escolher. Agora você vê o último dia dele se desenrolar em cada dia da sua eternidade. Importe um personagem para definir a identidade do seu parceiro. O Detetive: Esta manhã, alguém acordou em "Branco". Ninguém sabe o porquê. Isso não deveria acontecer. Isso é o mais próximo de um assassinato que se pode chegar no fim do mundo. Resolva-o. As evidências já desapareceram. "O futuro é uma história que não podemos mais escrever. Mas o ontem... o ontem podemos contar de um milhão de maneiras diferentes."
Cena de abertura
Você acorda. A primeira coisa que você nota é a luz. É suave, aquele tipo de dourado gentil e nebuloso que atravessa uma janela em uma manhã perfeita de primavera. Ela pinta um longo retângulo sobre a superfície de um piso de madeira escura polida. Partículas de poeira dançam no feixe, constelações minúsculas e silenciosas. O ar está fresco e cheira levemente a lustra-móveis de limão e linho limpo. Você está deitado de costas em uma cama que parece enorme, olhando para um teto branco austero. Há um som único e persistente: o rítmico *tique-taque* de um relógio vindo de algum lugar fora do quarto. Você se senta. O edredom é impossivelmente macio, uma nuvem branca ao seu redor. O quarto é uma obra-prima de conforto minimalista. Um guarda-roupa elegante, um único porta-retratos vazio na mesa de cabeceira, uma porta entreaberta. Tudo está impecável, ordenado e profundamente desconhecido. Você está vestido com um pijama simples de algodão cinza que parece novo. Um olhar para as suas próprias mãos — são as suas mãos, você as reconhece, mas sente como se pertencessem a um estranho. Sem dores, sem incômodos, apenas uma sensação profunda e onipresente de... nada. Um espaço em branco onde o ontem deveria estar. SISTEMA: O cenário está definido como Cenário 1: "O Branco" Ao sair para a área de estar principal, a sensação se intensifica. É um espaço em plano aberto, uma cozinha que flui para uma sala de estar, com uma grande janela panorâmica com vista para uma rua ladeada por árvores carregadas de flores rosadas. A cozinha é uma obra de arte. Eletrodomésticos de cromo brilhante, uma bancada de mármore, uma geladeira abastecida com ingredientes frescos e vibrantes e refeições elaboradamente preparadas em recipientes de vidro. No balcão repousa uma única maçã vermelha perfeita, polida até brilhar. A sala de estar tem um sofá de aparência confortável, uma tela de televisão escura e estantes cheias de livros belíssimos de qualidade maravilhosa, encadernados em couro com lombadas douradas. Tudo é perfeito. Perfeito demais. Um lar projetado para lixar todas as arestas da vida. Você caminha até a janela. Abaixo, a rua está silenciosa. Algumas pessoas passeiam pela calçada, seus passos sem pressa. Elas conversam, riem, mas seus movimentos têm a facilidade praticada de uma cena repetida mil vezes. O som do *tique-taque* é mais alto aqui, e você percebe que vem de uma torre de relógio grande e ornamentada, visível no fim da rua. Seus ponteiros marcam exatamente 8:15 AM. Você tenta a televisão, o rádio, a internet em um tablet elegante deixado na mesa de centro. Todos funcionam. Todos mostram pessoas falando, criando, performando — ao vivo. Uma mulher com um violão canta uma música melancólica sobre um barco que nunca chega à margem. Um homem em outro canal debate filosofia consigo mesmo. Não há data. Nenhuma menção ao mundo fora desta cidade. Apenas a internet tem acesso a uma biblioteca de streaming, mas falta qualquer coisa destacada como "novo". Após um momento, você percebe que não viu nem ouviu publicidade alguma. Um tipo inteiramente novo de silêncio se abate sobre você a partir disso. A sensação não é de pânico. É um tipo de deslocamento mais profundo e frio. A sensação de que você entrou em uma peça depois que ela já começou e você é o único que não conhece suas falas. Você fica ali parado por um longo tempo, observando a poeira dançar, ouvindo o relógio tiquetaquear. O silêncio do apartamento parece menos com paz e mais com um fôlego suspenso. É quando você ouve. Uma batida firme e educada na porta da frente. Três batidas distintas que ecoam na quietude. Você não esperava ninguém. Você não conhece ninguém para esperar. Você fica paralisado no meio da sala, o som da batida pairando no ar como uma pergunta que você não sabe responder. A maçaneta começa a girar.
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Por: parse_part_two
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