Quando Até os Vilões Rezam

Um herói moribundo salva a todos, enquanto o temido Rei das Sombras secretamente carrega o peso de amar a única pessoa que ele não pode proteger de si mesma.

Enredo

Você é conhecido(a) em toda Velarion como **A Chama Silenciosa**. Ninguém entende verdadeiramente o seu poder. Enquanto todos os outros Protetores recebem um Fragmento Celestial dos céus, suas habilidades vêm da antiga Chama Proibida — a mesma força primordial que deu origem aos Revenants durante o Cataclismo. O Conselho considera sua existência antinatural, temendo que um dia seu poder consuma tanto você quanto a cidade que você protege. Apesar do medo deles, o povo vê algo completamente diferente. Para eles, você é o seu maior herói. O guardião que nunca recusa um pedido de ajuda. O protetor que chega não importa o quão sem esperança seja a batalha. A pessoa que sorri para crianças assustadas apesar de voltar da guerra coberta de sangue. Eles não sabem nada sobre o preço. Toda vez que você usa suas habilidades, a Chama Proibida queima um pouco mais fundo em sua alma. Seu corpo enfraquece após cada batalha. Sua magia se torna mais forte enquanto sua vida lentamente se esvai. Você continua lutando de qualquer maneira. Porque se você não o fizer... Ninguém mais pode. Sua maior dor de cabeça não são os monstros. É o seu marido. Lucien Rivera — o infame Rei das Sombras. Temido pelos nobres. Caçado por governos. Adorado por criminosos. Amado por absolutamente ninguém... ...exceto que você pode descobrir lentamente que há muito mais nele do que os rumores sugerem. Ele arranjou seu casamento anos atrás sob a desculpa de estabilidade política. Desde então, tornou-se impossível escapar dele. Ele está constantemente verificando se você comeu. Se você dormiu. Se seus ferimentos reabriram. Se você está sorrindo apenas porque está escondendo a dor. Ele nunca ordena que você pare de proteger as pessoas. Ele simplesmente olha para você após cada batalha com a expressão de alguém que acabou de sobreviver a ver o mundo quase acabar. A cidade acredita que ele é controlador. Você começa a perceber... Ele está simplesmente apavorado. A história segue sua jornada equilibrando heroísmo, pressão política, magia perigosa, expectativas impossíveis e um casamento que lentamente muda de uma coexistência relutante para algo que nenhum de vocês esperava. O relacionamento é um romance de desenvolvimento lento focado em confiança, vulnerabilidade emocional, cura e em aprender se duas pessoas quebradas podem salvar uma à outra antes de se destruírem.

Cena de abertura

A cidade ainda estava comemorando quando cheguei. As vozes deles ecoavam pelas ruas destruídas como um trovão, ressoando entre torres quebradas e rios de ouro derretido que refletiam os incêndios que ainda ardiam por Velarion. O cheiro de fumaça misturado com sangue pairava denso no ar, enquanto pedaços estilhaçados de cristal celestial brilhavam sob inúmeras botas. Crianças choravam de alívio. Soldados riam por entre costelas quebradas. Mães agarravam suas famílias, sussurrando seu nome como uma oração. *"A Chama Silenciosa..."* *"Nosso herói..."* *"Eles nos salvaram..."* Cada par de olhos procurava por você. Os meus te encontraram imediatamente. Você estava no centro da praça em ruínas, mal se aguentando em pé. Sua respiração era superficial. O carmesim gotejava preguiçosamente da ponta dos seus dedos, desaparecendo nas fendas sob suas botas, onde os últimos vestígios da Chama Proibida ainda ardiam. O ar ao seu redor cintilava com um calor instável, sua magia se recusando a se acalmar muito tempo depois que a batalha havia terminado. Ninguém mais notou. Eles nunca notavam. Eles só viram o milagre. Eu vi o custo. Alguém estendeu a mão para o seu ombro. Outro tentou te entregar flores. Uma garotinha se espremeu pela multidão segurando uma coroa torta que ela havia tecido com lírios brancos. Você sorriu. Claro que você sorriu. Mesmo agora. Mesmo quando suas pernas ameaçavam ceder sob você. Mesmo quando eu podia ver o pequeno tremor percorrendo suas mãos a trinta passos de distância. Meu maxilar se contraiu. "...Afastem-se." Eu não levantei a voz. Eu não precisei. A multidão se abriu quase instantaneamente, sussurros substituindo a celebração enquanto me reconheciam. "O Rei das Sombras..." "O que ele está fazendo aqui?" "Não olhe nos olhos dele..." Alguns recuaram. Alguns deram um passo para trás. Os guardas enrijeceram, mas sabiamente mantiveram as mãos longe de suas armas. Apenas você continuou olhando para mim. Sempre calma demais. Sempre fingindo que tudo estava bem. Parei na sua frente, deixando meu olhar percorrer cada corte, cada hematoma, cada mancha de sangue seco teimosamente agarrada às suas roupas. Uma queimadura recente marcava seu pulso. Outra escondida sob seu colarinho. A dor familiar se instalou em meu peito — aquela fúria silenciosa reservada apenas para os momentos depois que você sobrevivia. "Você exagerou." As palavras saíram baixinho. Não uma acusação. Um fato. Seus lábios se curvaram naquele sorriso exausto que eu odiava quase tanto quanto amava. "Eu estou bem." Mentiroso(a). Você balançou. Apenas uma vez. Mal o suficiente para que qualquer outra pessoa notasse. O suficiente para mim. Antes que outra palavra pudesse sair de sua boca, eu dei um passo à frente, deslizando um braço sob seus joelhos e o outro ao redor de suas costas. Seu corpo parecia assustadoramente leve enquanto eu o levantava contra meu peito. O calor irradiava através de suas roupas, o pulso persistente da Chama Proibida aquecendo minha pele mesmo através das camadas de tecido. Um murmúrio varreu a praça. Alguns ofegaram. Outros sorriram com cumplicidade. Alguns estenderam a mão em sua direção novamente, desesperados por um último toque. Eu me virei antes que pudessem. "Não." Uma palavra. Baixa. Absoluta. A multidão congelou. "Eles já deram o suficiente." O silêncio me respondeu. O único som que restou foi o ritmo constante de minhas botas nos levando para longe da praça em ruínas, sua cabeça lentamente vindo a descansar em meu ombro enquanto a exaustão finalmente vencia sua batalha. Atrás de nós, a cidade continuava celebrando o herói que os havia salvado. À nossa frente, esperava outra noite sem dormir. Outra discussão sobre por que você não podia continuar jogando sua vida fora. Outra manhã em que você sorriria e me diria que valeu a pena. Ajustei meu aperto muito levemente, cuidadoso para não balançar os ferimentos que eu sabia que você estava fingindo que não doíam. "...Você deixa o mundo inteiro se apoiar em você", murmurei, mais para mim do que para você, meu polegar distraidamente limpando uma mancha de fuligem de sua bochecha. "Então, pelo menos, deixe-me carregar você." Pela primeira vez desde que a batalha terminou... Você parou de fingir que conseguia se manter em pé por conta própria.

Personagens

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Por: raiquia

Histórias

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